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De mudança? A velha discussão sobre aluguel x aquisição.

dezembro 13th, 2010

Em primeiro lugar quero me desculpar pelo longo silêncio. Estes últimos meses foram bastante atribulados com promoção, mudança, etc.

Me mudei mais uma vez há cerca de 2 meses. Essa deve ser a terceira ou quarta mudança considerando apenas a minha vida adulta. Considerando a mobilidade profissional, é de se esperar que as pessoas mudem mais de uma vez na vida. No nosso caso, estamos nos mudando em função da oferta recebida pela nossa casa atual.

Começar um novo capítulo da vida em uma casa nova é sempre excitante, mas pode também ser um peso nas finanças pessoais. A maioria das despesas associadas a mudança são inevitáveis, mas um pouco de planejamento pode ajudar a limitar o impacto no orçamento com a mudança.  Em primeiro lugar é preciso decidir se você vai alugar ou comprar a nova residência. Aqui em casa sempre divergimos na questão do aluguel versus aquisição de imóvel. Eu nunca tive muito desejo de me vincular de forma permanente a um determinado lugar, já o meu marido sempre preferiu a segurança de ser o dono da própria moradia. Resolvemos o impasse limitando nosso custo de aluguel ao rendimento que esperamos ter com a aplicação dos recursos gerados na venda do nosso apartamento anterior.

Outro ponto muito importante na hora da mudança é a localização da futura moradia. Eu não gosto de dirigir no trãnsito caótico da cidade então tenho feito questão de morar numa distância próxima do escritório que me permita caminhar para o trabalho na maioria das vezes. Meu endereço atual fica a cerca de 3 quadras do escritório. Esse arranjo nos permite ter apenas 1 carro, o que tem um impacto muito positivo no nosso orçamento (menos 1 IPVA, 1 seguro, etc).

Claro que alugar não é a solução para todos ou para todos os momentos da vida. Seguem algumas dicas para considerar na hora de alugar um imóvel:

  • Inspecione o imóvel em mais de um horário para avaliar a orientação solar, o barulho da vizinhança e também as condições das redondezas;
  • Considere o espaço do imóvel escolhido e a sua mobília atual. Se precisares armazenar mobiliário, acarretará em custos de depósito. No meu caso, acabei comprando um novo sofá e armários novos para o closet.. Uma extravagância que me concedi no processo.
  • Avalie a eficiência da imobiliária. Depois de fecharmos o contrato, acabei descobrindo que a imobiliária que administra o nosso aluguel não trabalha com débito em conta e até agora tivemos que buscar o boleto para pagarmos dentro do prazo por duas vezes.
  • Se possível, negocie direto com o dono do imóvel.
  • Como inquilino não estranhe ou se ofenda pelo fato de analisarem seu crédito, por meio de cópia de contracheque, carta de banco com saldo médio ou lhe solicitem garantias como depósito caução, seguro, fiador etc. Pense a respeito: se o imóvel fosse seu, tomaria o mesmo cuidado.
  • Como é preciso ter garantias da negociação, é importante que o contrato de locação inclua as obrigações, os direitos e as sanções, em caso de não cumprimento das obrigações estipuladas, para ambas as partes.
  • Não se esqueça de observar bem os termos nos quais o aluguel será reajustado. Por mais que isto pareça óbvio, este é um item que a maioria das pessoas se esquece e que gera muita disputa, sobretudo em épocas de alta da inflação.
  • Como inquilino, você deverá fazer uma visita de inspeção no imóvel, onde precisa observar atentamente todos os detalhes.
  • Tenha consciência de que deverá assinar uma declaração de que todos os bens e móveis que estão no apartamento ou casa estão em bom estado, assim como suas condições gerais. O ideal é anexar uma lista do que permanecerá no apartamento. Isso evita que lhe cobrem um aluguel mais alto, alegando que você não terá despesas com armários dos quartos e estante da sala e, ao receber as chaves, perceber que o apartamento está completamente vazio.

A rapidez em que um desejo se transforma em uma necessidade

junho 9th, 2010

A maioria das pessoas com mais de 30 anos se lembra da época em que o telefone celular era uma raridade. Não só era preciso aguardar numa lista de espera para ter direito de adquirir a linha, como era absurdamente caro. Fora que o sinal funcionava precariamente no melhor dos dias. Acreditem se quiser, isso faz menos de 20 anos.

Hoje a maioria das pessoas se rendeu ao aparelhinho. Eu, por exemplo, tenho 2. Dificilmente saio de casa sem eles.

Esse é apenas um dos exemplos de items de consumo que começaram com desejos e passaram a serconsiderados necessidades pela maior parte da população. Esse processo acontece tanto em massa (como no caso do celular), como individualmente. Você provavelmente tem algum item que considera uma necessidade essencial e que a maioria das pessoas passa muito bem sem.

Um exemplo é a TV a cabo. Obviamente não estou dizendo que o serviço de TV a cabo é uma necessidade. Mas desde que aderimos lá em casa, estamos passando cada vez mais tempo na frente da TV, e volta e meia estamos discutindo a possibilidade de melhorar o nosso pacote de programação.

Internet é outro exemplo de um item de consumo que começou como um desejo e passou a ser considerado uma necessidade.  Sou tão dependente da internet que tenho pacote de dados no celular, internet 3G para as viagens e wireless em casa.

Só nesses três items gastamos aproximadamente 4% da nossa renda.  Fiquei realmente chocada ao ver esse percentual.  Obviamente não me passa pela cabeça simplesmente sair cancelando todos os serviços, mas há de se encontrar um equilíbrio que me parece mais razoável.

Recentemente começamos a avaliar imóveis para alugar. Fechamos a venda de nosso apartamento e nossa idéia inicial é adquirir um novo imóvel na planta, assim vamos precisar alugar um imóvel para morar por um período de tempo. Com isso eu comecei a pensar nos requisitos que o futuro imóvel deveria ter em 2 categorias:

  1. Necessidades: localização que permita mantermos só um carro; garagem; pelo menos 2 quartos (temos uma quantidade inacreditável de livros); espaço para acomodar os móveis que já temos (adoro a minha mesa de jantar que infelizmente é gigantesca); e
  2. Desejos: infraestrutura de condomínio com academia; imóvel relativamente novo e sem necessidade de reformas; perto do meu escritório de forma que eu possa manter meu hábito de caminhar para o trabalho; elevador para que a minha mãe possa nos visitar quando tiver vontade; área externa para continuarmos a cultivar as plantas.

Pelo que eu pude olhar do mercado de imóveis para alugar, para incorporar as qualidades que classifiquei como desejos teria que encarar um aumento no aluguel de no mínimo uns 50%. Também ficou claro que o fator determinante no custo do aluguel em Porto Alegre é a localização.

Moral da história: a diferença entre o que é um desejo e o que é uma necessidade é tênue e também é pessoal. No entanto ela tem um impacto direto no seu planejamento financeiro. Fique atento.

Preste atenção aos grandes valores

abril 21st, 2010

Não há dúvidas de que prestar atenção a cada centavo gasto é importante. Adotar um estilo de vida frugal é certamente um componente importante para o sucesso em finanças pessoais. Como eu já mencionei em outras ocasiões, a única forma de acumular riqueza e atingir a independência financeira é gastar menos do que se ganha.

A frugalidade contribui diariamente para o seu sucesso, mas tomar decisões sábias nas aquisições de grande valor pode te ajudar a economizar uma quantia significativa em uma única tacada. Obviamente, você terá um número limitado de oportunidades na vida para comprar ou vender um carro ou uma casa.

Há cerca de 2 anos, eu e meu marido decidimos sair do aluguel e compramos nossa primeira casa. Na época, a aquisição foi efetuada levando em consideração os seguintes fatores:

  1. Eu tinha cerca de 43% do valor da aquisição em recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço que poderiam ser utilizados como entrada na compra;
  2. A taxa de juros oferecida para a nossa faixa de renda foi bastante razoável, cerca de 8,6% ao ano;
  3. O valor da prestação ficou próximo ao valor do aluguel que pagávamos antes da mudança;
  4. O imóvel que encontramos atendia nossa lista de exigências: tamanho adequado, área externa e localização; e
  5. Nosso fluxo de caixa futuro indicava que seríamos capazes de liquidar a dívida em pouco tempo apesar de termos inicialmente contratado um financiamento por 20 anos;

Menos de 2 anos depois de termos nos mudado, já fizemos uma pagamento adicional e estamos considerando vender o imóvel para adquirir um maior no futuro. Com a valorização do mercado, o preço da avaliação do imóvel hoje é quase 60% superior ao preço que o compramos. Ainda considerando todo o gasto que tivemos com reforma e mobiliário planejado, estamos tendo um ganho de capital significativo.

Quando for tomar uma decisão de grande impacto financeiro, considere as seguintes orientações:

  • Saiba o que quer antes de começar. Considere as suas necessidades e avalie o impacto da aquisição na sua vida. Se você mudar para um bairro afastado, pode ser que precise de um segundo carro ou pelo menos mudar seus horários.
  • Estabeleça um orçamento. O que quer que estiver comprando, estabeleça um limite para o quanto pode gastar e não esqueça dos custos acessórios (impostos, custos de cartório, seguro, etc.).
  • Faça uma escolha informada. Estude. Leia revistas especializadas. Informe-se.
  • Compare preços. No mesmo bairro, estivemos vendo imóveis semelhantes com preços entre R$150 mil e R$234 mil. 
  • Faça a aquisição de forma consciente. Nunca compre de grande porte por impulso.
  • Proteja o seu investimento. Se estiver comprando uma casa ou um carro, considere a necessidade de um seguro.

Boa sorte na sua próxima aquisição!

Como reduzi quase 8 anos do prazo do meu financiamento imobiliário em menos de 1 hora

janeiro 25th, 2010

Parece mentira, mas é a pura verdade.  Compramos nosso imóvel com recursos do FGTS e financiamento imobiliário da Caixa Econômica Federal com prazo de 20 anos em abril de 2008. Todo mês quando recebia o extrato do financiamento pelo correio e lia a observação “consulte sobre amortização com saldo do FGTS” eu prometia entrar em contato com o gerente da nossa conta para ver o que era preciso.

Depois de alguns meses, finalmente deleguei a tarefa ao meu marido que entrou em contato com o nosso gerente de conta. A informação inicial foi um pouco desanimadora, teríamos que comparecer os dois na agência, pois as informações não poderiam ser passadas por telefone ou e-mail.

O senso comum me deu uma lista de documentos que talvez fossem necessários: carteira de trabalho, extrato do FGTS, extrato do financiamento e documento de identidade com CPF.

Para minha feliz surpresa, fomos atendidos exatamente no horário marcado, pelo caixa dedicado ao FGTS, que com a documentação que eu tinha em mãos processou o meu pedido de amortização em cerca de 15 minutos. Optei por manter o valor atual da prestação e reduzir o prazo do financiamento para antecipar ao máximo a quitação do financiamento. Ou seja, cortamos quase 8 anos do prazo remanescente de financiamento.

Para maiores informações sobre como usar o FGTS para quitar ou amortizar financiamentos imobiliários de uma olhada no site da Caixa Econômica Federal

Juros na aquisição da casa própria

junho 9th, 2009

Uma pesquisa divulgada pelo portal Terra que envolveu 8 bancos brasileiros de grande porte apontou as diversas modalidades de financiamento imobiliário praticadas pelos mesmos, incluindo as taxas e as principais condições. Para ver o artigo na íntegra, siga o link abaixo:
“Compare juros para compra de imóveis nos principais bancos”

Habitação: Aluguel versus Compra

junho 2nd, 2009

Devemos comprar a casa própria ou morar de aluguel? Essa é uma dúvida que todos enfrentamos em algum momento da vida.Custo da aquisição

Entrada 2.000
FGTS 65.000
Financiamento 172.646
Total 239.646

Valor de Mercado do imóvel (150.000)
Juros pagos 89.646
Aluguel por 20 anos 192.000

Nem sempre a resposta certa é comprar. Dependendo da sua localização, estado civil, nível de renda, quanto tempo você pretende permanecer em determinado lugar, e um conjunto de outras variáveis, alugar pode fazer mais sentido do que comprar uma casa.

Meu caso por exemplo, há cerca de um ano e meio atrás alugávamos um apartamento de 1 dormitório sem garagem há cerca de 200 metros do meu escritório. O apartamento era amplo, tinha um terraço bastante agradável e atendia todas as nossas necessidades. O aluguel representava cerca de 22% da minha renda líquida.

Eu sempre fui do time a favor do aluguel. Mais pela idéia de não estar presa ao compromisso de uma dívida de longo prazo do que por qualquer outro motivo mais sincero. Meu marido, por outro lado, sempre foi a favor de ter a casa própria. Para ele, é um marco importante na vida de uma pessoa e traz tranqüilidade para o espírito.

Em abril de 2008, finalmente finalizamos a compra do nosso atual apartamento. É um apartamento maior que o que morávamos anteriormente, porém fica há 11 quadras do meu escritório o que ainda me permite evitar dirigir todos os dias o que é muito importante para mim. Na aquisição utilizamos o FGTS como entrada o que representou 55% do valor do imóvel adquirido e ficamos com uma prestação de 14% da minha renda líquida por um prazo de 20 anos.

Mas o que é melhor do ponto de vista financeiro estritamente?

Para ilustrar vamos efetuar a seguinte comparação:

 

 

O cálculo acima é simplista, desconsidera por exemplo, o reajuste do aluguel pela inflação e a valorização do imóvel ao longo do tempo. Nesse caso claramente a decisão de comprar parece mais acertada. O desembolso inicial foi apenas R$2.000 e viabilizou a utilização do FGTS recurso cujo acesso é restrito. Além disso, a prestação ficou muito próxima ao valor do aluguel e considerando que a renda aumenta consistentemente ao longo do tempo vai perdendo representatividade no orçamento da família e não compromete a capacidade de poupança.

Mas e no caso de você ter todo o recurso e não utilizar o financiamento. Adquirir o imóvel compensa o rendimento da aplicação financeira que deixamos de receber? A resposta seria algo do tipo:

Valor do imóvel 150.000
Rendimento mensal 1.401
Aluguel 800

Nesse caso, claramente deixar o dinheiro investido paga o custo de viver de aluguel e ainda gera um superávit que pode ser utilizado para outros fins.

Outra discussão que temos com freqüência aqui em casa é se devo considerar o valor da prestação do financiamento imobiliário como uma forma de poupança ou como uma despesa fixa.. Claramente estamos contribuindo para a criação de um ativo, no entanto, esse ativo não gera nenhuma renda até o dia em que será vendido de fato.

Qual a sua opinião? De que lado da discussão você está? Alugar ou comprar? No caso da compra, considera a prestação como um investimento?