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2014.09 – O modo certo de tentar comprar felicidade

fevereiro 27th, 2014
O dinheiro não pode comprar felicidade.

A gente escuta isso o tempo todo, mas será que é mesmo verdade? Eu sei que dá para listar facilmente uma dúzia de pessoas ricas que parecem miseráveis e outra dúzia de pessoas pobres que parecem felizes. Mas no fundo sempre me lembro de uma amiga que costuma dizer que se é para ser miserável, melhor que seja em Paris. Nenhuma surpresa mas existe um estudo comentado da Prinnceton University já comentado em 2010 por Carl Richards sobre isso:

…Daniel Kahneman, a winner of the Nobel in economic science, and co-author Angus Deaton found that people reported an increase in happiness as their incomes rose to $75,000 a year. Then, the impact of rising income on happiness levels off.

Para quem é da economia como eu, isso soa suspeitamente parecido com aquela história de rendimento marginal decrescente. Mas será? E se eu dobrasse a minha renda amanhã, ficaria feliz em dobro também? Será que já passei do ponto de inflexão da curva? Ou será que mais dinheiro não tem relação significativa mesmo com mais felicidade?

Fiz essa pergunta para algumas pessoas, e a resposta parece mudar de acordo os quadros de referências pessoais. Pessoas mais velhas que eu tendem a responder que não, o dinheiro não traz felicidade e pessoas mais jovens tendem a concordar que não é o único fator determinante, mas que ajuda na busca. Um pouco disso pode ser explicado pelo momento de vida de cada um eu creio. Algumas pessoas ficaram um pouco constrangidas em dar uma resposta direta.

Estar feliz com o que temos é uma boa idéia. Passar todo o tempo querndo mais coisas, ou pensando como seríamos felizes se tivéssemos apenas mais X reais, é certamente uma forma de ser infeliz. Mas talvez estejamos olhando para esse relacionamento entre dinheiro e felicidade da forma errada. Muitas vezes quando pensamos em mais dinheiro, pensamos imediatamente em uma casa maior, um carro melhor e mais coisas. Tudo isso não leva necessariamente à felicidade.

Mas de acordo com um artigo sobre dinheiro e felicidade publicado no The New York Times em 2010, existem várias pesquisas que sugerem que experiências, o tempo dedicado às pessoas que amamos, e memórias de eventos especiais contribuem significativamente para a felicidade. No artigo, Elizabeth W. Dunn, professora do Departamento de Psicologia da University of British Columbia, comentou que é melhor sair de férias do que comprar um novo sofá.

ProfessoraDunn e seus colegas também escreveu um artigo cujo título sumariza bem o tema: “If Money Doesn’t Make You Happy Then You Probably Aren’t Spending It Right.” (“Se o dinheiro não te faz feliz então você provavelmente não está gastando certo” em tradução livre.

O dinheiro é só uma ferramenta e ter mais dinheiro não nos torma mais felizes por si só. Como qualquer outra ferramenta, o impacto está em como é utilizada.

Aqui vai algumas coisas que eu faria com dinheiro que me fariam mais feliz:

1. Passar mais tempo com a minha família e amigos.

2. Passar mais tempo ao ar livre me exercitando.

3. Pagar a dívida da casa para me sentir livre e segura.

4. Aumentar o meu fundo de emergência.

5. Viajar com meu marido.

6. Cozinhar para um grupo de amigos. Fazer algo com as próprias mãos é muito satisfatório. E alimentar os outros tem algo de mágico.

7. Dormir mais. E não é por que eu sou preguiçosa, mas é fato: a maioria de nós dorme muito pouco.

Me parece que nada disso é realmente sobre dinheiro, ou pelo menos, sobre mais dinheiro. Talvez tenha mais a ver com as escolhas que fazemos sobre como passamos o tempo e alinhar essas escolhas com o que é mais importante para nós. Então acho que felicidade não é necessariamente ganhar mais dinheiro, mas gastá-lo de uma forma melhor.

2014.06 – Não se puna toda a vez que gastar com algo

fevereiro 6th, 2014

Ultimamente tenho andado mais preocupada do que o normal com dinheiro. Quero dizer que as minhas finanças sempre andam pela minha cabeça de uma forma ou de outra mas ultimamente a conjuntura tem trazido preocupações maiores que tem me feito questionar um pouco mais as minhas decisões de consumo. Para quem não nos conhece eu sou o lado consumista do casal.

Como tudo que envolve recursos limitados, há o debate eterno sobre qual a melhor aplicação desses recursos. As vezes o processo de escolha é extenuante. Recentemente trocamos a cama. Já havia algum tempo que meu sono vinha sendo perturbado pelas deformações do colchão que, não vou dizer a marca, durou bem menos do que a garantia indicada.

Quando começamos a procura tenho que admitir que fiquei chocada com os preços dos conjuntos de camas box dentro do padrão de qualidade e tamanho que estávamos procurando. Começamos a olhar em setembro, e acabamos deixando de lado até o final do ano assustados com os preços. Mas no fim a dor nas costas venceu a preocupação financeira. Saúde e qualidade do sono não é um supérfluo. Mas se não é, porque foi tão doloroso para mim tomar essa decisão.

Acontece que existem pesquisas sobre essa conexão entre gasto e dor. Scott Rick, um professor de marketing da University of Michigan, em conjunto com outros pesquisadores fez um estudo para mensurar como as pessoas se sentem sobre as suas decisões de consumo.  No percurso, eles descobriram algo interessante. Perdulários não sentem dor suficiente par o próprio bem, então gastam em demasiado, tem mais dívidas e sentem a culpa muito mais tarde, as vezes tarde demais. Pão-duros, por outro lado, sentem muita dor, que os leva a ter sentimentos de arrependimento por não ter gasto o suficiente. Rick acredita que é pior ser perdulário em função do custo financeiro adicional mas também não é bom ser pão-duro. O ideal seria estar no meio do caminho, no grupo chamado “sem conflito”.

“Spendthrifts are bad off financially and psychologically,” ele disse. “Tightwads have big bank accounts, but we find that they’re less happy than the unconflicted group.”

George Lowenstein, professor de economia e psicologia da Carnegie Mellon University, também investigou de perto a conexão psicológica entre dor e dinheiro. Segundo Lowestein, as pessoas experimentam uma dor de pagamento quando pagam suas compras e essa dor é mais intensa quando pagam com dinheiro do que com cartões de crédito. O uso de cartões de crédito é mais despreocupado.

Como Lowestein aorta  pagar em dinheiro é uma coisa física que resulta em ter menos dinheiro na carteira imediatamente. Você vê acontecer, e sabe que imediatamente tem menos dinheiro. E saber que terá menos dinheiro o torna menos suscetível a gastá-lo.

Quando você paga com cartões de crédito, por outro lado, sua ação está desconectada do gasto do dinheiro. Afinal o pagamento efetivo é posterior ao momento da aquisição. Em outras palavras, a dor vem depois quando a fatura chegar.

Não é difícil imaginar que esse foco na dor tem contribuído para uma relação não tão saudável com dinheiro. E se o foco for em alinhar nosso gasto com o que é realmente importante para nós. Em outras palavras, não deveria ser positivo gastar com as coisas que  valorizamos e estão no orçamento?

De fato, eu realmente acredito que o direcionamento certo faz que o consumo traga felicidade. Na próxima compra, vamos considerar:

  1. Cabe no meu orçamento? Em outras palavras, posso pagar por isso?
  2. É algo que valorizo?

Se a resposta para as duas questões for sim, acho que dá para acabar com a dor e aproveitar a compra. Quem sabe isso nos coloque no caminho da felicidade.

2014.05 – Dica para a felicidade: Abandone as metas de médio e longo prazo de vez em quando

janeiro 30th, 2014

Todos ouvimos como é importante estabelecer e monitorar metas.

Somos incentivados a registrar as metas, colá-las no espelho e revisá-las diariamente. Algumas pessoas se referem a essas listas como  “bucket lists.” Mas depois de estabelecermos todas essas metas, muitas vezes enfrentamos a dura realidade: não teremos dinheiro suficiente para realizar todas as metas.

Nem hoje. Nem nunca.

Pode ser muito doloroso descobrir que você passou anos esperando para fazer certas coisas mas acabou limitado pela falta de dinheiro.  Podemos definir esse sentimento de desapontamento como a distância entre nossas expectativas e a realidade.

Para alguns, esse desapontamento vem quando descobrimos que a aposentadoria planejada não será mais uma opção. Anos de trabalho e poupança simplesmente não deram o resultado esperado. Então não é surpresa que depois de uma década ou mais esperando um certo resultado, até mesmo adiando a vida em prol desse resultado, ficaríamos muito desapontados quando o resultado não se materializa.

Há algum tempo atrás eu estabeleci 40 metas para perseguir até completar 40 anos de idade. Ainda não cheguei lá, mas já me é evidente que não será possível cumprir todas as metas estabelecidas com o dinheiro e o tempo que me restam. Claro que sei que levo uma vida muito acima da média. A minha vida é muito boa, não importa como eu a medir. Mas não consigo deixar de me frustar com as metas não atingidas.

A questão é o que fazer a respeito? Como evitar o descontentamento e ao mesmo tempo manter-se no caminho certo?

Aqui vai uma sugestão radical, mudar o processo de estabelecer metas baseadas num resultado único no futuro e focar no processo de viver a vida que queremos a cada dia que nos levará a vida queremos no futuro. Podemos começar por:

1. Abandonar as expectativas.

Para o caso da vida não te mostrado isso ainda, o mundo não te deve nada. Metas são ótimas, e podem nos ajudar a focar nossos esforços em direção a ser melhores ou fazer algo melhor. Mas você precisa manter as metas como metas e não como expectativas.

2. Abandonar os resultados.

Focar no processo é um modo bem melhor de estabelecer metas. Por exemplo, minha meta é tomar as melhores decisões financeiras possíveis para garantir a minha independência financeira na aposentadoria.

3. Abandonar as preocupações.

Eu sei que é bem difícil para de se preocupar com dinheiro. Afinal, tem tantas coisas na vida que dependem do dinheiro. E se eu não puder pagar a dívida da casa? E se eu perder o emprego? É um hábito difícil de largar, mas sinceramente, essa preocupação não nos traz nada de bom.

4. Abandonar as comparações.

Somos competitivos. Parece que avaliamos nossa posição na vida em relação a posição das outras pessoas. É como se todos estivéssemos numa corrida invisível uns contra os outros. Mas na verdade, estamos todos a procura de felicidade e até onde eu entendo a felicidade de um não exclui necessariamente a do outro.

5. Abandonar o acompanhamento sem intenção.

Sou a favor de monitorar as suas finanças, mas mais do que produzir uma planilha detalhada com o destino de cada centavo precisamos é usar as informações para tomar melhores decisões. Depois de tantos anos monitorando as minhas finanças, me pergunto que bem me fez saber exatamente quanto eu gasto em cada categoria. A questão é entender os nosso padrões de comportamento e ver como podemos melhorá-los.

Metas pode ser ótimas. Só precisamos fazer um trabalho melhor para que as metas não se tornem expectativas que nos causem descontentamento no futuro.

2014.01 – A incerteza do futuro não é desculpa para a sua falta de planejamento financeiro

janeiro 1st, 2014

Quem você imagina que será em 1 ano? Em 5 anos? Em 20 anos?

Um dos maiores problemas para estabelecer metas, especialmente metas financeiras, é que somos muito ruins em imaginar nossa versão do futuro. Pense no que você imaginava que seria sua vida adulta quando era criança. Aposto que existe uma certa distância entre o sonho e a realidade.

No ano passado, Alina Tugend indicou alguma ciência por trás desse problema no  The Times:

…many of us don’t have the incentive to eat healthy or save money or add to our retirement accounts because we think of ourselves in the future as someone different altogether. In fact, a future self can seem to be this annoying other person who wants to prevent you from having fun in the present.

A realidade é que quando falamos de metas financeiras muitas vezes estamos falando de prazos longos. Quando falamos em aposentadoria, podemos estar falando de 20 a 30 anos adiante. Você não consegue se imaginar claramente naquela idade, que dirá planejar para ela. É a realidade dos seus pais, não a sua.

O mesmo é feito por pais em relação aos seus filhos. Quando a criança nasce, a última preocupação na cabeça dos pais é o custo da faculdade. Especialmente no caso do primeiro filho. Mas 17/18 anos passam bem depressa.

O problema é quando o futuro chega, segundo a Sra. Tugend:

…we’re still the same selves we were last week or last month. We don’t want to drink the icky liquid, and we don’t necessarily feel we can afford the time to do worthwhile, but time-consuming, deeds.

Então qual é a solução?

Comece por ser muito claro com as suas metas. Especifique todos os detalhes envolvidos que podem não se materializar imediatamente. Não finja que a faculdade do seu filho que acabou de começar o Ensino Fundamental é um futuro longínquo e inimaginável. Não é.

Você pode sentir como se ainda tivesse 30 anos, mas se está quase comemorando (ou escondendo) os 40, é hora de cair na real. Sua versão do futuro vai bater na sua porta mais rápido do que imaginas. Lembra de todas as bobagens que fizestes enquanto adolescente? Não se torne um sexagenário que gostaria de matar a sua própria versão de 30 e poucos anos por todas as bobagens que fizestes na vida adulta, como não ser claro em relação as suas metas financeiras.

Posso garantir que a sua versão do futuro será mais feliz se conseguires reconciliar o seu hoje com o seu amanhã.

2013.31 – Quanto você deveria separar para cobrir emergências?

dezembro 26th, 2013

A pergunta é quanto custa a sua tranquilidade? Idealmente o fundo de emergência deve cobrir gastos imprevistos como a franquia do seguro do carro em caso de sinistro, o conserto do aquecedor do apartamento e, em situações mais adversas, segurar as pontas em caso de desemprego.

Se te fizer sentir-se melhor chame de fundo para incertezas ao invés de fundo de emergência. Esse recurso tem que estar num aplicação de liquidez imediata e livre de risco como por exemplo a velha e boa caderneta de poupança.

Dependendo do autor, a recomendação para o montante do fundo varia entre 3 a 8 meses de despesas fixas ou da remuneração líquida. Mas será que essa regra vale para todo mundo? O risco de cada um não deveria ter um impacto nesse cálculo?

Li um artigo interessante do Carl Richards no blog do NY Times esses dias. Basicamente, Carl recomenda que façamos as seguintes considerações:

  1. Qual o nível de incerteza da sua vida? A carreira que você escolheu é arriscada? Vamos exemplificar em opostos um empreendedor começando um negócio tem um risco maior do que um funcionário público com estabilidade. Também se deve considerar outras incertezas financeiras que te causam preocupação como pais que possam se tornar dependentes ao envelhecer, filhos que precisarão de auxílio para pagar o estudo universitário.
  2. Como vou lidar com os riscos caso eles se materializem? Aqui é preciso avaliar os recursos à sua disposição. Alguns de nós podem decidir que economizar ao máximo para ter uma reserva para a tormenta é a melhor saída. Outros podem estar numa situação tão apertada que economizar talvez não seja uma meta realista e precisam ser mais criativos: um emprego para o cônjuge caso este não trabalhe, fontes alternativas de renda, recursos acumulados para aposentadoria, etc.

O ponto é que um fundo para incertezas não precisa necessariamente ser R$100 mil parados numa caderneta de poupança. Mas é importante ter algum plano preparado para enfrentar os desequilíbrios financeiros.

 

 

2013.05 – Como planejar bem as próximas férias?

fevereiro 2nd, 2013

Eu estou planejando combinar as minhas próximas férias com um curso de espanhol em Cuzco, Peru. Assim mato dois coelhos com uma cajadada só.. Estudo espanhol e visito Machu Picchu, ambos na minha lista de 40 metas para cumprir até os 40 anos.

Já faz algum tempo que não faço uma viagem para exterior que não está de alguma forma relacionada ao trabalho. Como planejar as férias?

  • Descubra quando custará suas férias. Esse é o primeiro e fundamental passo, pois só assim o seu planejamento poderá ser feito de forma contundente e correta. Importante falar que em alguns períodos do ano sua viagem pode ser mais barata (tente fugir da chamada alta temporada);

Já contatei uma agência especializada em cursos de idiomas e estou aguardando o retorno do orçamento detalhado.

  • Defina quanto precisará poupar para realizar sua viagem de férias. Agora que já sabe quanto precisará pagar, é o momento de olhar com calma para seu orçamento e dedicar um pouco de esforço para cortar gastos (se for o caso) e destinar um percentual, todo mês, para a nova meta;
  • Poupe pelo tempo necessário. Talvez seu orçamento não permita que seu sonho, isto é, sua viagem dos sonhos, seja realizada em pouco tempo. Se este for seu caso, não perca o foco ou a disposição em economizar e garantir as férias sem dívidas. Converse com sua família e mostre a todos os benefícios de planejar um período de diversão, não de preocupações. Vale a pena.

Quando a viagem é para o exterior, como no meu caso, é preciso definir a forma de pagamento que será mais utilizada.

Para isso, não faltarão opções:

  • Cartões de crédito;
  • Cartões de débito;
  • Moeda local;
  • Cartão pré-pago.

Se sua opção costumeira é a utilização do cartão de crédito, para compras no exterior é bom saber que a variação cambial obedecerá ao fechamento de sua fatura e não ao dia da compra. Outro ponto que precisa ser considerado é a incidência de 6% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Os cartões pré-pagos possuem algumas facilidades interessantes do ponto de vista de administração do dinheiro usado na viagem. Você sabe exatamente quanto irá gastar (já que o cartão é pré-pago e você o “carregou” com dinheiro antes da viagem) e a alíquota de IOF é menor: 0,38% nessa modalidade. Vale ressaltar que você poderá, a qualquer momento, realizar uma nova recarga, inclusive durante a viagem.

Mesmo com a utilização de um dos tipos de cartão, é sempre prudente levar algum dinheiro em espécie para a viagem. A melhor opção para fugir das variações abruptas é a compra mensal da moeda estrangeira, pouco a pouco, durante os meses que antecedem a viagem. Dessa forma, a oscilação não se torna um perigo para o bolso.

Informe-se sobre o destino, pois nem sempre as opções de cartão de crédito ou pré-pagos são de ampla aceitação.

Pare de ser a pessoa que você pensa que deve ser… Torne-se aquela que você quer ser!

outubro 30th, 2012

Como sua vida tem andado? Tens mais momentos negativos do que positivos na balança? Tem dedicado mais tempo perseguindo coisas que a sociedade espera que você tenha ao invés daquilo que você realmente quer?

Supere isso. Deixe tudo para trás.

Eu sei que não é tão simples, obviamente. Mas para se mover na direção que você deseja, você precisa escapar o local em que se encontra nesse momento. Mais especificamente, você deve parar de ser a pessoa que você pensa que deve ser.

Talvez essa seja a pessoa que você foi aconselhado a ser, mas que nunca lhe pareceu perfeito. Nos fixamos no que nossos pais queriam, nossos companheiros querem, no que a sociedade quer. Nunca levando em consideração se essa é a pessoa que realmente queremos ser.

Não me levem a mal, não estou em depressão e também não pretendo fugir para Bali.

Mas a cada ano que passa, entrevisto uma nova leva de estudantes e recém formados para o processo de recrutamento e fico cada vez mais preocupada com a quantidade enorme de jovens que escolhe uma formação sem convicção e  não consegue explicar exatamente para onde vai. Nenhum vento ajuda quem não sabe para onde vai.

Me parece que estamos numa política de dar títulos para as pessoas, qualquer área serve. No momento em que começamos o ensino médio, todos os adultos em nossas vidas – pais, professores, orientadores – nos recomendam explorar todas as possibilidades para escolher a carreira que pretendemos seguir. E mesmo aqueles que não conseguem de fato escolher uma carreira, acabam seguindo a opção disponível seja em função das bolsas disponíveis atualmente ou por uma carreira genérica que se entende apresentam bons prospectos de crescimento.

Em outras palavras, todos seguimos o script para tentar ter uma vida melhor. Por favor não me entendam mal: não sou anti-faculdade. Acredito que quanto mais estudo maior a renda. Só sou contra fazer algo com o qual não nos identificamos, sou contra seguir algo cegamente.

Medo de ser diferente

Quantos estudantes provavelmente evitariam uma troca de curso se tivessem avaliado suas opções por mais tempo depois do ensino médio? Sei que nem todas as famílias tem a capacidade de enviar seus filhos para “viajar” entre o ensino médio e a faculdade. Mas talvez uma parada para fazer o cursinho no ano seguinte ao colégio ou para trabalhar um pouco ajudasse os jovens a escolher melhor o curso de graduação.

Quantas mulheres gostariam de ficar em casa e investir seu tempo no cuidado da família mas se sentem pressionadas a perseguir uma carreira? Ou vice-versa, quantas mulheres não tem nenhum interesse em ter filhos mas questionam as próprias decisões em função da cobrança da sociedade?

Quantos jovens escolhem a carreira em função do resultado de uma pesquisa de salários, ou pior, pela disponibilidade de vagas do Pro-uni. Trabalhamos a maior parte da vida, será que é pedir demais que as pessoas se identifiquem com o que fazem?

Como encontrar o seu caminho?

Como podemos deixar de andar em círculos ao redor da idéia do que deveríamos ser? Se preparar para essa mudança será diferente para cada pessoa, mas provavelmente vai incluir uma ou mais das seguintes opções:

  • Aconselhamento de carreira
  • Coaching
  • Identificar a sua visão de vida e futuro
  • Educação continuada
  • Avaliar o impacto financeiro com ou sem a ajuda de um consultor

Eu sei que soa piegas, mas se a sua vida não está funcionando, mude-a. 

É difícil lutar contra todo o nosso condicionamento de seguir um caminho. No fim das contas, você precisa decidir quanto da sua vida será definido pela expectativa das outras pessoas.

Mudança é crescimento

Nota: Não estou fazendo uma apologia ao egoísmo. Outras pessoas podem ser afetadas nesse processo, especialmente aquelas diretamente dependentes de você. Mas admitir que a situação atual não é o que você e que gostaria de explorar outrar outras possibilidades não é o mesmo que anunciar para a sua família que abandonou o emprego e comprou um barco.

Você pode até decidir adiar as mudanças maiores. Por exemplo, você pode decidir seguir um plano acelerado de investimentos que lhe permitirá se “aposentar” da sua atividade atual antes do esperado e nesse meio tempo preparar-se em paralelo para perseguir o seu sonho de conhecer o mundo ou abrir o próprio negócio.

O importante é que enquanto você atende as suas obrigações atuaisvocê já dê os passos necessários para realizar o seu sonho.Faça aulas de idioma, ou de gastronomia ou de administração. Identifique pessoas de sucesso que possam ser os seus mentores na nova profissão. Pesquisa as melhores práticas para colocar o seu plano em ação.

Mudança é difícil. A mudança pode até doer. Mas mudança é crescimento, e mudança é necessária.

Se prepare o melhor possível para a resistência inevitável. Mas mantenha essa idéia como referência: as noções das outras pessoas sobre quem você é te mantiveram onde você não quer estar. Apenas você pode decidir quanto da sua vida dedicar às expectativas dos outros.