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2013.11 – Carro novo

março 16th, 2013

Já falei sobre carros antes, hoje, a idéia é contar o  processo de escolha do nosso último carro. O objetivo é demonstrar os desafios enfrentados e os aspectos mais importantes considerados.

1. Breve histórico

Moramos em Porto Alegre e desde 2006, eu e meu marido dividimos um único carro. Manter um único carro para os dois é possível devido a nossa logística. Moramos perto do meu escritório então eu posso ir caminhando para o trabalho e meu marido tem um horário bastante peculiar que faz com que ele precise do carro 2 dias por semana na maioria das vezes. Mesmo dividindo o carro, temos rodado aproximadamente 15.000 km por ano sendo a maioria em passeios nos finais de semana ou de férias.

Há cerca de 1 mês adquirimos o nosso sexto carro juntos. Nosso carro anterior era um hatch 2.0 com câmbio automático cujo único defeito era o ângulo de ataque que fazia com o carro batesse na frente até para sair da garagem. Temos o hábito de viajar de carro e explorar caminhos que muitas vezes envolvem estradas de chão batido e com muitos buracos o que não era exatamente a praia do nosso último carro.

Durante algum tempo, costumávamos trocar de carro com os meus pais que possuíam uma “Small SUV” (utilitário esporte compacto) quando saíamos para enfrentar estradas de chão.

Mesmo levando em conta o meu profundo e antigo interesse por carros e finanças, sabia que teríamos um grande desafio à frente para escolher o carro novo.

2. A escolha do modelo com foco na necessidade

O novo carro iria trafegar em vias complicadas e precisaria oferecer condições adequadas o que direcionou nossa escolha para um veículo de maior porte do que o nosso hatch. Em seguida, a robustez e a confiabilidade do carro e da marca eram essenciais. Afinal, queremos sair com tranquilidade para os nossos passeios que incluem trafegar em estradas de terra, pouco movimentadas, inclusive à noite. Por conta disso e dos períodos de chuva, seria interessante contar com tração 4×4.

Além disso, o carro deveria ser baseado num projeto global, desenvolvido para os mercados de “primeiro mundo”, em função da melhor qualidade de construção e dos componentes. Um bom desempenho, pensando no conjunto mecânico, também era importante.

Por fim, buscávamos características complementares em relação ao nosso hatch, permitindo outros tipos de uso. Dessa forma, a escolha recaiu numa SUV compacta.

3. A escolha do modelo com foco nas finanças

Tudo parecia relativamente fácil no item anterior. Porém, tínhamos uma limitação financeira considerável em relação ao preço de compra que, em função das nossas prioridades, não poderia drenar nossas reservas. A idéia era colocar nosso hatch no negócio e pagar a diferença.

A avaliação que recebemos por nosso hatch teve um perda de 40,5% em relação ao preço pago por ele 2 anos atrás. Desempenho bem pior que o auge da crise.

Por outro lado, estávamos decididos a adquirir um carro zero km para não ter preocupação com manutenção no curto prazo.

4. A escolha do modelo com foco no lado emocional

Após a análise dos itens anteriores, era o momento de optar por um carro com um bom design externo e interno e que fosse agradável para nós (não para os outros). A intenção era aliar funcionalidade e beleza. Adicionalmente, gostaríamos de contar com câmbio automático.

Após tudo isso, basicamente chegamos a um único modelo (o mesmo que os pais tiveram por algum tempo) que atendia todas as características e ficava dentro da faixa de preço que queríamos.

5. Primeiras impressões

Depois de um mês com o carro novo, ainda estranho a diferença de resposta em relação ao hatch, mas fico muito feliz quando estamos desafiando nosso GPS em estradas que antes nem chegaríamos perto. Segundo a Fipe, nosso novo carro já perdeu 9% mas essa compra foi feita para durar.

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Conclusão

A compra de um carro, que para muitos pode parecer algo banal, na verdade tem uma série de aspectos importantes a serem considerados. No Brasil, há muitos veículos com baixa qualidade e péssimo nível de segurança, além de serem os mais caros do mundo. E na maioria avalassadora das vezes o carro perderá valor muito rápido. Carro nunca é um investimento.

Esse cenário torna indispensáveis pesquisas e reflexões, que requerem muito tempo e conhecimento (que nem todas as pessoas possuem).

Tarefa 24: Faça uma lista de desejos para controlar os seus impulsos

julho 26th, 2012

Faça uma lista de desejos para controlar seus impulsos.

Todos sofremos de um pouco de remorso de comprador. No fim das contas, aquela tal saia maravilhosa não ficou tão perfeita assim como prometido. Depois da primeira vez, já começo a pensar num outro destino para ela. Tudo bem, a culpa não é da saia, é do espelho. De qualquer forma, a tarefa de hoje é fazer uma lista de desejos para focar a sua energia e evitar as compras por impulso.

Você já tem uma lista do que você precisa; é hora de fazer uma lista de desejos para ajudar a decidir o que você realmente quer. Um carro novo? Uma viagem para NY? Ao estabelecer metas claras e visíveis, você as terá sempre em mente quando for tentado a trocar o ipad que você acabou de comprar pela nova versão. Você vai ter uma percepção mais alerta de todas as tentações e armadilhas consumistas.

Não se entregue às liquidações. Você realmente precisava de um casaco/sapato novo? Fique firme, fique na sua e lembre-se das suas metas!

É preciso apenas meio segundo de força de vontade para resistir e ir embora, sabendo que o dinheiro que não foi gasto hoje te aproximou um pouquinho mais da sua meta. Toda vez que você riscar um item da sua lista de desejos, comemore! Lembrando que não vale fugir do orçamento para comprar a lista de desejos.

Gaste alguns minutos e faça a sua lista. Não tenha medo de pensar grande! Te manterá motivado e com foco.

A minha lista está começando com um mini cooper..

Mau Sapão…

março 23rd, 2011

Em qualquer discussão sobre finanças pessoais, a máxima é sempre a mesma: é preciso ter superávit para acumular riqueza.  O que significa ter superávit? Basicamente que os nossos gastos são inferiores a nossa renda. De forma que só há duas formas de acumular riqueza mais rapidamente, aumentar a renda ou reduzir os gastos.

Me parece que tenho feito um excelente trabalho aumentando a minha renda nos últimos anos sobre o que já falei um pouco em um artigo anterior . Por outro lado, sou um desastre no reduzir gastos.. Só para falar das últimas semanas, não resisti a coleção nova de bolsas e sapatos a minha grife favorita, comprei um vestido que provavelmente não me cai bem e  me custou uma pequena fortuna e essa semana, só para continuar o meu shopping spree, comprei um Macbook Pro recém lançado.. Mau sapão, muito mau sapão mesmo..

Em minha defesa só tenho a dizer que o Macbook era um desejo antigo. Mas realmente eu já tenho 2 computadores pessoais, um fornecido pela empresa e outro pessoal que comprei há cerca de um ano.

Isso para não falar do carro, em dezembro de 2009, eu e meu marido compramos um carro novo o que foi motivo de festa por alguns dias. Logo em seguida, eu já não suportava o tal carro. Era feio, não combinava comigo ou com o meu estilo. Além disso, em poucos meses começou a fazer diversos barulhos que me tiravam do sério. Admito, como em quase tudo na vida, sou neurótica com barulhos no carro. Em menos de um ano, meu marido que já não suportava mais me ouvir falar mal do carro, sucumbiu. Me levou para escolher o carro da minha preferência. Resumo da ópera, cerca de R$40 mil para trocar de carro 2 vezes em menos de 1 ano.

Apesar desses deslizes recentes, ainda me parece que fiz um progresso tremendo no controle dos meus hábitos de consumo desde que passei a conviver com o meu marido. Algumas pessoas dizem que consumismo é uma doença. Eu já acredito que é uma consequência dos hábitos incorporados ao longo da vida.  Em outras palavras, é preciso manter-se alerta todo o tempo.

A matemática do carro novo

fevereiro 14th, 2010

Um dos meus colegas de trabalho anda se informando sobre as condições de mercado para adquirir um carro. Entre as muitas perguntas que uma pessoa deve fazer nessa hora, a primeira delas na minha opinião seria: realmente preciso de um carro? Ou de um segundo carro, para muitas famílias?

O primeiro carro é quase um marco de transição na vida adulta dos brasileiros então eu não vou questionar muito a sua necessidade. Mas a aquisição do segundo veículo pela família deve ser avaliada cautelosamente.

Quando nos conhecemos, eu e meu marido tinhamos cada um o seu carro.  Acabamos tendo que vender um dos carros para atender uma necessidade financeira e no fim nos acostumamos a ter apenas um veículo. Ajuda muito o fato de eu morar numa localização privilegiada em relação ao meu trabalho e detestar dirigir no trânsito caótico da cidade.

Um carro custa bem mais do que o preço de aquisição do veículo. É preciso incorporar o IPVA, o licenciamento, o seguro, o estacionamento se não dispor de outra vaga na residência e a manutenção, só para começar a listar os gastos adicionais. Na maioria das vezes, compensa mais andar de táxi do que ter um segundo veículo.

O que nos leva a segunda pergunta: quanto posso comprometer da minha renda com a aquisição e manutenção de um veículo? A resposta depende da necessidade. Se o veículo é um instrumento essencial para o trabalho, provavelmente se justifica comprometer um percentual maior da renda. Agora se o uso é para lazer, muito cuidado.

A tentação do carro novo está presente todos os dias em quase todos os lugares. Desde o carro novo do seu colega de trabalho até o anúncio gigantesco no seu trajeto diário.  Mas existem muitas armadilhas na compra do carro.  Primeiro, não existe juro zero. Tomemos o anúncio da zero hora de hoje: Novo Ford Focus com 50% de entrada e saldo em 24x sem juros.  No entanto se você ler a nota de rodapé, encontrará a tão famosa TAC, ou taxa de avaliação de crédito de R$930,00.  O anúncio não diz o preço do veículo, mas assumindo o valor da tabela Fipe R$57.327,00, temos uma taxa de juros efetiva de 0,26% ao mês.

Isso explicado quando vale a pena financiar?  Assumindo que pagar a vista é uma opção viável, é claro. A resposta matemática é sempre que a taxa de retorno dos seus investimentos for superior a taxa de juros efetiva.

Uma última consideração sobre a compra de carro: negocie. O vendedor sempre tem uma margem para reduzir o preço e fechar a venda. Pechinche!