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2014.08 – O difícil equilíbrio entre Recursos e Sonhos

fevereiro 20th, 2014

A maioria de nós tem recursos limitados, como tempo, dinheiro, energia e habilidades. Ao mesmo tempo temos necessidades, metas e sonhos. Todos esses muitas vezes excedem o limite de nosso recursos tornando o equilíbrio entre essas duas áreas de nossa economia pessoal bastante difícil. Também precisamos entender que ao longo do tempo ambos esses círculos mudam.

Algumas vezes nossos recursos estarão em alta e nos permitirão fazer mais das coisas que queremos. Em outras ocasiões, nossas necessidades e desejos excederão em muito nossos recursos limitados.

Mas isso não é algo parado no tempo, que decidimos uma vez e riscamos da lista. É um desafio que temos que revisitar sempre. Então aqui vai uma reflexão sobre os dois lados da moeda.

Primeiro, precisamos parar de focar no que está fora do nosso controle. Quando estamos focados no que não podemos controlar, perdemos oportunidades durante épocas boas e épocas ruins de encontrar o nosso ponto de equilíbrio. Precisamos colocar a nossa energia no que podemos efetivamente controlar. Não adie fazer os ajustes necessários no seu estilo de vida, por que ninguém mais o fará por você.

Segundo, precisamos ser honestos e realistas em nossas metas considerando nossos recursos. Se você pretende se aposentar aos 50 mas ainda não começou a investir para isso, provavelmente precisará trabalhar um pouco mais. Procure as coisas que realmente importam para você mas não se coloque em posição de fracasso antes mesmo de começar. Lembre-se: sua meta é encontrar equilíbrio, não perfeição.

Finalmente, inove. Procure por novas formas de encontrar equilíbrio que funcionem para você. Só você sabe o que procura e só você conhece a limitação dos seus recursos e como pode dedicá-los a realizar seus sonhos. Procure ajuda se precisar entender melhor os detalhes, mas é sua responsabilidade manter essas duas áreas em equilíbrio.

É impressionante as mudanças que vejo em pessoas quando elas conseguem realizar seus sonhos com os recursos disponíveis. Elas se preocupam cada vez menos com as coisas que não podem controlar. Passam mais tempo fazendo coisas que gostam com as pessoas que amam.  Muitas vezes o ponto de equilíbrio não é o que os demais consideram como sucesso ou o que a sociedade espera, mas ainda assim é exatamente onde essas pessoas gostariam de estar.

E isso é tudo que importa.

2014.07 – Um plano para 2014 que talvez funcione

fevereiro 13th, 2014

Para 2014, eu tenho um desafio: tomar decisões financeiras com intenção e propósito. Não deixar a vida me levar. Muito do que eu venho fazendo é baseado em hábitos e referências passadas ao invés de um plano bem pensado. Durante esse ano, vou tentar aplicar 3 regras:

1) Definir a realidade atual. Apesar de parecer fácil, é um pouco mais complexo do que inicialmente pensei. A maioria das pessoas que eu converso parece não saber exatamente onde estão em termos financeiros.

Pode ser difícil encara a realidade da sua situação. Mesmo que você tenha a sensação de que está tudo indo bem financeiramente, é preciso considerar se a sua posição financeira atual é adequada para o seu momento de vida.  É preciso entender onde você está para poder definir para onde quer ir.

2) Estabelecer metas. As vezes nos perdemos pensando no que vamos fazer na próxima semana, que dirá daqui a alguns anos. Mesmo assim, nenhum vento ajuda quem não sabe para onde vai. Alguma direção precisamos ter, até para podermos mensurar o progresso.

Não dá para ficar muito preocupado com precisão. Metas são na melhor das hipóteses chutes educados, então faça o melhor chute possível e siga adiante. Por exemplo, quero me aposentar cedo, quanto eu preciso acumular até lá?

É preciso ser honesto e realista. Parte do processo envolve estimar quer retorno você vai conseguir e quanto você vai ganhar. Seja conservador quanto as taxas de retorno, foque na capacidade de poupança. Se não dá para aumentar a poupança, procure fontes alternativas de renda.

3) Corrigir o curso sempre que necessário. É líquido e certo que correções de curso serão necessárias, então melhor planejar para isso. Revise seu progresso periodicamente, pelo menos a cada três meses.

Se estiver fora do curso, mude o mais rápido possível. É sempre mais fácil recuperar pequenos desvios.

Planejar para um melhor futuro financeiro é um processo contínuo, não um evento isolado. Também é algo muito chato no curto prazo mas que pode trazer resultados incríveis no longo prazo.

Em 2014, comprometa-se a tomar ações simples, pequenas e consistentes ao longo do ano.

2014.05 – Dica para a felicidade: Abandone as metas de médio e longo prazo de vez em quando

janeiro 30th, 2014

Todos ouvimos como é importante estabelecer e monitorar metas.

Somos incentivados a registrar as metas, colá-las no espelho e revisá-las diariamente. Algumas pessoas se referem a essas listas como  “bucket lists.” Mas depois de estabelecermos todas essas metas, muitas vezes enfrentamos a dura realidade: não teremos dinheiro suficiente para realizar todas as metas.

Nem hoje. Nem nunca.

Pode ser muito doloroso descobrir que você passou anos esperando para fazer certas coisas mas acabou limitado pela falta de dinheiro.  Podemos definir esse sentimento de desapontamento como a distância entre nossas expectativas e a realidade.

Para alguns, esse desapontamento vem quando descobrimos que a aposentadoria planejada não será mais uma opção. Anos de trabalho e poupança simplesmente não deram o resultado esperado. Então não é surpresa que depois de uma década ou mais esperando um certo resultado, até mesmo adiando a vida em prol desse resultado, ficaríamos muito desapontados quando o resultado não se materializa.

Há algum tempo atrás eu estabeleci 40 metas para perseguir até completar 40 anos de idade. Ainda não cheguei lá, mas já me é evidente que não será possível cumprir todas as metas estabelecidas com o dinheiro e o tempo que me restam. Claro que sei que levo uma vida muito acima da média. A minha vida é muito boa, não importa como eu a medir. Mas não consigo deixar de me frustar com as metas não atingidas.

A questão é o que fazer a respeito? Como evitar o descontentamento e ao mesmo tempo manter-se no caminho certo?

Aqui vai uma sugestão radical, mudar o processo de estabelecer metas baseadas num resultado único no futuro e focar no processo de viver a vida que queremos a cada dia que nos levará a vida queremos no futuro. Podemos começar por:

1. Abandonar as expectativas.

Para o caso da vida não te mostrado isso ainda, o mundo não te deve nada. Metas são ótimas, e podem nos ajudar a focar nossos esforços em direção a ser melhores ou fazer algo melhor. Mas você precisa manter as metas como metas e não como expectativas.

2. Abandonar os resultados.

Focar no processo é um modo bem melhor de estabelecer metas. Por exemplo, minha meta é tomar as melhores decisões financeiras possíveis para garantir a minha independência financeira na aposentadoria.

3. Abandonar as preocupações.

Eu sei que é bem difícil para de se preocupar com dinheiro. Afinal, tem tantas coisas na vida que dependem do dinheiro. E se eu não puder pagar a dívida da casa? E se eu perder o emprego? É um hábito difícil de largar, mas sinceramente, essa preocupação não nos traz nada de bom.

4. Abandonar as comparações.

Somos competitivos. Parece que avaliamos nossa posição na vida em relação a posição das outras pessoas. É como se todos estivéssemos numa corrida invisível uns contra os outros. Mas na verdade, estamos todos a procura de felicidade e até onde eu entendo a felicidade de um não exclui necessariamente a do outro.

5. Abandonar o acompanhamento sem intenção.

Sou a favor de monitorar as suas finanças, mas mais do que produzir uma planilha detalhada com o destino de cada centavo precisamos é usar as informações para tomar melhores decisões. Depois de tantos anos monitorando as minhas finanças, me pergunto que bem me fez saber exatamente quanto eu gasto em cada categoria. A questão é entender os nosso padrões de comportamento e ver como podemos melhorá-los.

Metas pode ser ótimas. Só precisamos fazer um trabalho melhor para que as metas não se tornem expectativas que nos causem descontentamento no futuro.

2014.04 – Para sair das dívidas, pode valer a pena pensar pequeno

janeiro 23rd, 2014

Ponto para  Dave Ramsey, aparentemente.

Sr. Ramsey, o algumas vezes controverso guru de finanças pessoais, é conhecido por, entre outras coisas, aconselhar os endividados a atacar as dívidas de menor saldo primeiro — independentemente da taxa de juros sobre a dívida — de forma a acabar as dívidas no que ele chama de efeito de bola de neve.

Recentemente, pesquisadores do Kellogg School of Management da Northwestern University processaram dados de uma empresa de cobranças de grande porte e encontraram evidências de que essa “intuição tem base na realidade”.

Pessoas com altas somas de dívida, os pesquisadores descobriram, tem mais probabilidade de serem bem sucedidas liquidando sua dívida se eles atacam os saldos menores primeiro — ainda que essa abordagem acabe incorrendo em custo adicional em juros no longo prazo. Isso é porque, eles dizem,  “maintaining motivation to eliminate debts over a long time horizon might necessitate small wins along the way.”

Em outras palavras, faz bem liquidar uma dívida, e ajuda a perseverar até terminar o processo.

Não é apenas o progresso em números, mas a idéia de estar riscando dívidas da lista que mantel a motivação para continuar no processo de atacar o endividamento. A psicologia importa tanto quanto a matemática.

Os resultados dessa pesquisa estão na edição de Agosto do Journal of Marketing Research.

Os pesquisadores testaram a hipótese de se o encerramento de dívidas individuais afetam a probabilidade do consumidor em eliminar a totalidade do seu endividamento, independente do valor absoluto das dívidas encerradas. Para fazer isso, eles examinaram quase 6.000 indivíduos num programa de cobrança que é desenhado para que os endividados que não podem manter os pagamentos mínimos das suas dívidas. No programa, os participantes são requeridos a fazer um único pagamento ao mês para uma conta de poupança. A firma de cobrança negocia com os credores da dívida para reduzir os saldos e o dinheiro poupado é usado para pagar as dívidas renegociadas. Normalmente leva diversos anos para liquidar o endividamento.

A análise concluiu que o número de dívidas pagas em relação ao número total de dívidas parece ser um melhor indicador de sucesso na liquidação da totalidade da dívida do que o valor pago em relação ao valor total da dívida mesmo que esse último critério seja relativamente mais objetivo como medida de progresso.

Em outras palavras, se existissem dois sujeitos endividados com saldos idênticos de dívida e número de contratos – digamos R$10.000 no total, em 1 dívida de R$6.000, 1 de R$2.000 e 2 de R$1.000 — aquele que, em determinado momento, tiver encerrado mais contratos (2 contratos de R$1.000 ao invés de 1 de R$2.000) teria maior probabilidade de eliminar sua dívida total, ainda que tivessem pago o mesmo valor até aquele momento.

Os resultados da pesquisa podem ter relevância quando aplicados a outras metas, mesmo se essas não forem tão difíceis como eliminar o endividamento. É provavelmente mais fácil liquidar uma lista de tarefas se começar com a mais fácil primeiro ao invés da mais difícil.

Os pesquisadores dizem que não estão necessariamente recomendando essa abordagem para a redução do endividamento. Mas parece fazer sentido informar aos consumidores tanto da abordagem racionalmente ótima de eliminar os débitos com as mais altas taxas de juros primeiro, assim como os benefícios psicológicos de eliminar contratos para que estes tomem uma decisão adequada a sua necessidade.

2014.01 – A incerteza do futuro não é desculpa para a sua falta de planejamento financeiro

janeiro 1st, 2014

Quem você imagina que será em 1 ano? Em 5 anos? Em 20 anos?

Um dos maiores problemas para estabelecer metas, especialmente metas financeiras, é que somos muito ruins em imaginar nossa versão do futuro. Pense no que você imaginava que seria sua vida adulta quando era criança. Aposto que existe uma certa distância entre o sonho e a realidade.

No ano passado, Alina Tugend indicou alguma ciência por trás desse problema no  The Times:

…many of us don’t have the incentive to eat healthy or save money or add to our retirement accounts because we think of ourselves in the future as someone different altogether. In fact, a future self can seem to be this annoying other person who wants to prevent you from having fun in the present.

A realidade é que quando falamos de metas financeiras muitas vezes estamos falando de prazos longos. Quando falamos em aposentadoria, podemos estar falando de 20 a 30 anos adiante. Você não consegue se imaginar claramente naquela idade, que dirá planejar para ela. É a realidade dos seus pais, não a sua.

O mesmo é feito por pais em relação aos seus filhos. Quando a criança nasce, a última preocupação na cabeça dos pais é o custo da faculdade. Especialmente no caso do primeiro filho. Mas 17/18 anos passam bem depressa.

O problema é quando o futuro chega, segundo a Sra. Tugend:

…we’re still the same selves we were last week or last month. We don’t want to drink the icky liquid, and we don’t necessarily feel we can afford the time to do worthwhile, but time-consuming, deeds.

Então qual é a solução?

Comece por ser muito claro com as suas metas. Especifique todos os detalhes envolvidos que podem não se materializar imediatamente. Não finja que a faculdade do seu filho que acabou de começar o Ensino Fundamental é um futuro longínquo e inimaginável. Não é.

Você pode sentir como se ainda tivesse 30 anos, mas se está quase comemorando (ou escondendo) os 40, é hora de cair na real. Sua versão do futuro vai bater na sua porta mais rápido do que imaginas. Lembra de todas as bobagens que fizestes enquanto adolescente? Não se torne um sexagenário que gostaria de matar a sua própria versão de 30 e poucos anos por todas as bobagens que fizestes na vida adulta, como não ser claro em relação as suas metas financeiras.

Posso garantir que a sua versão do futuro será mais feliz se conseguires reconciliar o seu hoje com o seu amanhã.

2013.31 – Quanto você deveria separar para cobrir emergências?

dezembro 26th, 2013

A pergunta é quanto custa a sua tranquilidade? Idealmente o fundo de emergência deve cobrir gastos imprevistos como a franquia do seguro do carro em caso de sinistro, o conserto do aquecedor do apartamento e, em situações mais adversas, segurar as pontas em caso de desemprego.

Se te fizer sentir-se melhor chame de fundo para incertezas ao invés de fundo de emergência. Esse recurso tem que estar num aplicação de liquidez imediata e livre de risco como por exemplo a velha e boa caderneta de poupança.

Dependendo do autor, a recomendação para o montante do fundo varia entre 3 a 8 meses de despesas fixas ou da remuneração líquida. Mas será que essa regra vale para todo mundo? O risco de cada um não deveria ter um impacto nesse cálculo?

Li um artigo interessante do Carl Richards no blog do NY Times esses dias. Basicamente, Carl recomenda que façamos as seguintes considerações:

  1. Qual o nível de incerteza da sua vida? A carreira que você escolheu é arriscada? Vamos exemplificar em opostos um empreendedor começando um negócio tem um risco maior do que um funcionário público com estabilidade. Também se deve considerar outras incertezas financeiras que te causam preocupação como pais que possam se tornar dependentes ao envelhecer, filhos que precisarão de auxílio para pagar o estudo universitário.
  2. Como vou lidar com os riscos caso eles se materializem? Aqui é preciso avaliar os recursos à sua disposição. Alguns de nós podem decidir que economizar ao máximo para ter uma reserva para a tormenta é a melhor saída. Outros podem estar numa situação tão apertada que economizar talvez não seja uma meta realista e precisam ser mais criativos: um emprego para o cônjuge caso este não trabalhe, fontes alternativas de renda, recursos acumulados para aposentadoria, etc.

O ponto é que um fundo para incertezas não precisa necessariamente ser R$100 mil parados numa caderneta de poupança. Mas é importante ter algum plano preparado para enfrentar os desequilíbrios financeiros.

 

 

2013.30 – Regra geral para comprar o carro

outubro 13th, 2013

Ainda no clima de regras para adquirir um bem de grande volume. O que devemos considerar para saber se podemos (do ponto de vista financeiro) pagar pelo carro novo?

  • Se vai pagar a vista, considere comprar um carro usado. Um carro de segunda mão tem uma queda de preço bastante significativa em relação ao carro zero.
  • Se vai financiar, as taxas de juro praticadas para os carros zero normalmente são mais atrativas, incluindo parcelamentos a juro “zero” oferecidos de tempos em tempos pelas concessionárias.
  • Uma boa regra é financiar apenas o valor que pode pagar num prazo máximo de 3 anos. Não esqueça de considerar todos os custos envolvidos na compra de um carro, especialmente se essa for a primeira compra, IPVA, Seguro, Manutenção, etc.

Ainda na dúvida. Adie a compra até ter certeza de que estás fazendo a melhor escolha.