Posts Tagged ‘desenvolvimento financeiro’

Tarefa número 7: Digitalize a sua vida financeira

março 14th, 2012

Primeiro de tudo, peço desculpas pelo silêncio. Mas a vida anda corrida nessas últimas semanas.

Hoje quase tudo pode ser controlado de forma eletrônica. Meu cartão de crédito, por exemplo, me envia um email com os dados das minhas compras. E mesmo aquelas contas que ainda vem pelo correio, como é o caso do meu aluguel, podem ser facilmente digitalizadas. Não tem scanner? Não tem problema! A maioria das câmeras digitais e smartphones tem um aplicativo ou formato para documentos.

Qual a vantagem de tornar a vida financeira digital? A primeira obviamente é eliminar a papelada que só toma espaço na nossa vida. A segunda é que ao digitalizar ou catalogar os seus comprovantes, inevitavelmente você vai prestar atenção ao destino do seu dinheiro.

30 dias para entrar em forma nas finanças (29 na verdade)…

fevereiro 1st, 2012

O mês de janeiro passou voando para mim, e praticamente não fiz coisa alguma além de trabalhar. Para remediar a situação, vou dedicar especial atenção as finanças em fevereiro já que eu e meu marido decidimos dar um passo largo e comprar uma casa.

Como já discuti em artigos anteriores, o dilema do aluguel versus casa própria é bastante complexo. E as duas situações podem servir a mesma criatura em momentos diferentes da vida. Nos últimos 5 anos já aluguei 2 vezes e comprei por uma. No momento estamos considerando seriamente uma aquisição. Mas esse será o assunto para outro artigo.

Voltando ao propósito desse artigo, o desafio será tomar uma atitude por dia para melhorar a minha situação financeira. Mais ou menos como um dieta.

Tarefa número 1 : Fazer um inventário da situação financeira

Alguns de nós ainda estão se recuperando do estrago dos presentes de Natal, outros ainda estão em férias de verão. Então vamos começar pelo básico. Saber exatamente onde seu dinheiro está é o primeiro paço para avaliar o seu estado financeiro e estabelecer algumas metas.

Isso até pode parecer óbvio, mas você provavelmente já chegou ao fim do mês se perguntando onde o dinheiro foi parar. O inventário deve incluir todos os seus ativos líquidos ou não (aquilo que você possui e que tem valor de troca: carro, aplicações financeiras, jóias), bem como suas dívidas (cartão de crédito, financiamento do carro, etc) e também seus instrumentos de proteção como seguros de vida e planos de previdência que você ou sua empresa patrocinem. Lembra a caderneta de poupança que o seu pai fez para você quando criança? Vale procurar por ela também.

Algumas dicas para ajudar no processo de inventário:

  • Entenda os benefícios que o seu empregador lhe concede.
  • No mesmo contexto, entenda o seu plano de previdência ou fundo de pensão, busque o último extrato, verifique quais as possibilidades de uso do recurso.
  • Dê uma olhada has bolsas, especialmente as femininas, desde que passamos a acumular as moedas num cofrinho daqueles tipo porquinho de porcelana sempre nos surpreendemos com quanto dinheiro guardamos em moedas.
  • Não esqueça do seu dinheiro negativo também. Dívidas podem ser assustadoras, mas saber quanto você deve é igualmente importante a saber quanto você já possui. Se possível, compense ativos e passivos e comece do zero.

Pergunte a si mesmo, onde está o meu dinheiro? Coloque tudo no papel ou no excel ou em qualquer outro meio que sirva para você.

Eu uso uma planilha que simula um balanço patrimonial no final de cada mês.

Volte amanhã para ver o meu resultado e a próxima tarefa.

Mais uma vez relembrando o básico…

novembro 12th, 2011

De tempos em tempos eu volto a estaca zero.. Não em dinheiro, mas em hábitos. Sempre é positivo rever os pilares das finanças pessoais:

Estabeleça metas. Se você está economizando para fazer a viagem dos seus sonhos, comprar uma casa ou trocar de carro é mais fácil manter o foco e ignorer as tentações e as coisas que não são importantes.

Gaste menos do que você ganha. Monitore cada centavo gasto. Evite dívidas! Evite dívidas! Evite dívidas!

Pague a si em primeiro lugar. Antes de pagar as contas antes de fazer as compras do mês, antes de qualquer outra coisa, separe parte de sua renda para a poupança – 20% da sua renda líquida seria ótimo. Melhor ainda se fizeres uma aplicação automática no momento que recebe o salário.

Fique atento as grandes oportunidades. Procurar as opções mais baratas no dia a dia (restaurante, supermercado, manicure) é ótimo, mas é ainda melhor encontrar o melhor negócio nos itens de maior valor como na compra do carro ou da casa, onde você faz uma grande economia em uma única oportunidade.

Você pode ter qualquer coisa, mas você não pode ter tudo. Gaste nas coisas que importam para você. Corte os gastos nas coisas que não são importantes.

• O perfeito é o inimigo do bom. Não se preocupe em acertar em tudo ou em fazer as coisas exatamente certas. Escolha a melhor opção disponível e faça alguma coisa. Se você só pode poupar 5% do salário, então poupe 5%.

• Faça o que funciona para você. Cada pessoa é diferente. O que funciona para um pode não funcionar para outro. Não há uma única forma correta para poupar ou investir ou eliminar as dívidas ou comprar uma casa. Procure a sua.

• Ninguém se preocupa mais com o seu dinheiro do que você. Pesquise, busque conselhos de pessoas que confia, e tome decisões baseadas nas suas metas e valores.

Um passo de cada vez. Na maioria das vezes, as pessoas melhor sucedidas são aquelas que trabalharam mais e por mais tempo para atingir suas metas. Eles não chegaram lá do dia para a noite. Seja paciente e aproveite a viagem.

Fracasso não é o fim do mundo. Aprendemos com a falha. Como diz o ditado: é melhor ter tentado e falhado do que nunca ter tentado. Use o fracasso para aprender como ser melhor na próxima tentativa.

Dinheiro é muito mais sobre a mente do que sobre matemática. Todos entendemos a matemática – o díficil é controlar a nossa mente. Seja feliz e mantenha o controle da asua vida, e o dinheiro se tornará mais fácil de administrar.

É mais importante ser feliz do que rico – mas o dinheiro te traz mais opções na vida.

Como lidar com fracassos financeiros

setembro 5th, 2011

Ninguém é perfeito. Isso deveria ser óbvio, mas tendemos a esquecer esse fato – frequentemente.  Julgamos as outras pessoas mais pelos seus erros dos que pelos seus acertos, e somos ainda mais críticos em relação aos próprios erros. Faço isso o tempo todo. Quando faço alguma coisa que sei que está errada (ou é apenas fútil), me arrependo e critico as minhas ações o que as vezes me leva a cometer mais erros.

Ultimamente, por exemplo, tenho me debatido com a reeducação alimentar e o programa de exercícios. Claro que sempre há um fator externo para culpar, como a fratura do pulso que me impediu de continuar com os exercícios por um tempo ou a correria de um prazo que me fez pular as refeições e comer qualquer coisa. A verdade é que fiz escolhas ruins. Felizmente não há danos permanentes. Na última semana, já retomei a caminhada e estou revendo a alimentação mais uma vez.

Nos anos que passaram, muitas vezes eu me debati com erros financeiros. De fato, eu ainda cometo alguns erros de tempos em tempos. Tenho certeza que não sou a única.

Ninguém atravessa a vida sem alguns erros. Ninguém enriquece sem tropeçar de vez em quando pelo caminho. Quando você faz algo idiota (ou quando algo estúpido acontece com você), é fácil sentir-se desencorajado.  Você pode desperdiçar muito tempo reagindo aos problemas  – reparos de emergência no carro ou na casa, gastos inesperados com a saúde ou outras coisas. A melhor forma de lidar com os imprevistos financeiros é se preparar para eles.

Na minha experiência, existem duas formas essenciais de se proteger de forma pró-ativa dos perigos financeiros:

    • Educação. Quanto mais você sabe, melhor pode lidar com os problemas. Leia livros de finanças pessoais, revistas, e blogs. Conheça pessoas que controlam suas finanças e busque conselhos. Aprenda como os outros lidam com experiências comuns. Um efeito colateral da educação é que reduz o stress; quando algo der errado, e acredite algo vai dar errado, você saberá que outros já encontraram uma forma de lidar com isso e que você também conseguirá.
    • Preparação. Educação sozinha não é suficiente. você também precisa dar os passos necessários para se preparar para erros e imprevistos financeiros. Uma das melhores formas de fazê-lo é criar um fundo de emergência, uma reserva de dinheiro para ser usada somente quando algo de errado ou imprevisto acontecer. Separar R$500, R$1000 ou R$10.000 numa conta de poupança ou outro investimento livre de risco é um seguro barato; com esse colchão, seus planos financeiros não podem ser derrubados por uma crise isolada (a menos que seja um tsunami, é claro). Outra forma, é ter certeza que a sua coberta de seguro (vida, saúde, carro e casa, por exemplo) é adequada para enfrentar eventuais problemas.

Mesmo que você esteja preparado e educado, você ainda vai cometer erros de vez em quando. A despeito da minha constante vigilância, eu ainda saio da livraria com meia dúzia de livros de vez em quando. Ou volta para casa com um carro novo uma vez por ano.

É importante saber como se recuperar quando as coisas ruírem. Algumas das minhas estratégias para minimizar os danos:

    • Não entre em pânico. Relaxe e não surte. Depois de cometer um erro, dê um tempo a si mesmo (sem gastar mais dinheiro ainda, é claro) para avaliar a extensão dos danos. Como o ditado, não adianta chorar o leite derramado. Algumas vezes, apenas deixando passar alguns dias, é possível encontrar a perspectiva necessária para solucionar o problema.
    • Se possível, desfaça o erro. Alguns erros são reversíveis. Se for possível devolver o que comprou, devolva. Se não for, avalie se é possível vender algo para cobrir o rombo..
    • Não se enterre mais ainda. Dinheiro gasto é dinheiro gasto. Mas só porque você gastou R$600 no plano da academia que você não vai frequentar não precisa se iludir e gastar mais ainda com roupas para exercício ou um tênis novo. Não use o seu erro para justificar outros gastos desnecessários só para esconder a sua culpa.
    • Mantenha as suas metas em foco. Um erro é só um atraso no processo: um bloqueio no caminho para algo mais importante. Aceite o passado e foque no futuro.

Erros podem ser desencorajadores – eu sei – mas lembrem-se que erros podem ser um aprendizado disfarçado.

Existe um ditado japonês sobre perseverânça que traduz como “caí 7 vezes, me levantei 8”. Eu gosto da idéia, profissionalmente, costumo dizer que as pessoas bem sucedidas na carreira que escolhi foram aquelas que não desistiram nos momentos de dificuldade.  Acho que se pode dizer que os bem sucedidos caíram tantas vezes quanto os mal sucedidos, a única diferença é que os bem sucedidos aprenderam com os seus erros, levantaram e continuaram marchando na direção de suas metas.

5 mitos sobre o dinheiro

junho 16th, 2011

Desde que comecei a dedicar atenção ao tema de finanças pessoais descobri que existem diversos preconceitos generalizados sobre o assunto. Alguns dos mitos que identifiquei pelo caminho:

  1. Poupar e investir é complicado. Na verdade, os conceitos são bem básicos e simples de entender. Você precisa gastar menos do que ganha e todo investimento tem algum tipo de retorno e risco associado. O que é complicado são os produtos financeiros disponíveis no mercado. Mas se você compreender a dinâmica básica do dinheiro, pode usar esse conhecimento para avaliar qualquer opção de investimento que lhe for oferecida.
  2. Investir em ações é um jogo de azar. É verdade que investir no mercado de ações apresenta um risco maior do que na caderneta de poupança, por exemplo. Mas não é, contudo, um jogo de azar. Um jogo de azar é baseado no acaso, e a probabilidade é sempre contra o jogador. Investir no mercado de ações não é garantido (de novo, involve um risco), mas é uma transação de negócios legítima entre aqueles que possuem e aqueles que precisam de capital No longo prazo, a probabilidade está do lado do investidor.
  3. Tudo bem se endividar para conquistar o sonho. Endividamento pode levar a problemas financeiros sérios. Como os cartões de créditos tem taxas de juros altíssimas, a dívida nessa modalidade se multiplica avalassadoramente. Pode dobrar em poucos meses.
  4. Poupar e investir implica em sacrifício financeiro. É verdade que na maioria das vezes precisamos abrir mão de uma coisa no curto prazo em prol de objetivos maiores de longo prazo. Mas, a verdade é que se endividar para satisfazer um desejo de curto prazo ou mesmo para manter um padrão de vida acima do seu padrão de renda é o que traz o sacrifício financeiro. Poupar e investir leva a independência financeira, não ao sacrifício.
  5. Você não precisa saber nada sobre poupança e investimento porque sempre pode consultar um especialista. Nesse caso, faça o que funcionar melhor para você mas lembre-se sempre que ninguém se preocupa mais com o seu bem estar e com o seu dinheiro do que você mesmo. Então estude, informe-se, consulte o especialista, mas no final das contas você é o responsável pelo seu sucesso ou fracasso em relação ao seu dinheiro.

Construindo os seus “equipamentos de segurança” financeira

junho 6th, 2011

Como ficaria a sua situação financeira se você perdesse o seu emprego amanhã? Existem ferramentas ou boas práticas financeiras que podem ajudar a prepará-lo para enfrentar uma tragédia ou apenas um percalço pelo caminho.

Seu fundo de emergência

A ferramenta que vem imediatamente a minha cabeça, sem dúvida, é o fundo de emergência. O colchão de dinheiro que suportará a queda repentina em nossa renda ou um aumento inesperado dos nossos gastos seja qual for o evento que nos atinja: uma doença, a perda do emprego, um problema na casa ou no carro. É a rede de segurança que amortecerá a queda repentina. Um fundo de emergência ideal deveria cobrir entre três a seis meses das despesas fixas, mesmo as pessoas que ainda estão lutando para sair do endividamento deveriam ter algum recurso guardado para protegê-las das repercussões financeiras desde um pneu furado até uma doença.

Ter um fundo de emergência sólido é essencial para absorver o choque de uma queda nas finanças. Sua meta, no entanto, é nunca precisar dele. Um fundo de emergência não é a primeira linha de defesa – é a última. É o que vai amortecer a queda. Idealmente, deveríamos ser capazes de evitar essas quedas. Para isso, precisamos de outros “equipamentos de seguranca”.

“Equipamentos de Segurança” Financeira
Nenhum valor de renda vai protegê-lo de problemas financeiros se você não administrar os recursos bem. Você pode receber um salário de seis dígitos por ano e ainda assim só se afundar em dívidas. Em termos contábeis, para você garantir a sua segurança deveria ter um bom balanço patrimonial e não apenas uma boa demonstração de resultado. Em outras palavras, você precisa ter um sólido patrimônio líquido. E para alcançá-lo, você precisa desenvolver bons hábitos financeiros.

Mais do que um fundo de emergência, são os bons hábitos financeiros que você desenvolve que vão te proteger dos percalços no caminho. Pense nesses hábitos como a corda para o alpinista. Esses hábitos são o equipamento de segurança que te impedem de cair e não os que amortecem a queda. Diferente de um fundo de emergência que se aproxima mais da rede de segurança de um trapezista, essas estratégias tem o propósito de te segurar no ar de forma que você possa recuperar o passo rapidamente. São as ferramentas que você pode contar todo dia enquanto administra seu dinheiro.  Faça a coisa certa e elas sempre estarão a sua disposição.

As estratégias financeiras essenciais incluem:

  • Gastar menos do que ganha. Esse é o conceito básico em finanças pessoais. Se você se tornar mestre nisso, já estará a frente do jogo. Sem isso, todos os truques disponíveis nos livros de finanças não vão te proteger. Você simplesmente precisa gastar menos do que ganha. Desenvolver esse hábito simples não é fácil para muitos de nós. Como qualquer outra coisa, você precisa construir gradualmente essa habilidade. Uma vez que você tenha desenvolvido um hábito firme de  gastar menos do que ganha e poupar o resto, você estará numa posição financeira muito melhor. Mesmo que não faça mais coisa alguma. Quando você habitualmente gasta menos do que ganha, você estará preparado para absorver gastos não usuais sem tocar no seu fundo de emergência. Melhor ainda, você será capaz de incrementar constantemente suas economias.
  •  

  • Monitorar o seu consumo. Monitorar cada centavo que você gasta e ganha é uma das ferramentas mais poderosas para assumir responsabilidade  sobre os seus hábitos de consumo. Quando você vê onde o dinheiro está indo, você pode agir para reduzir custos tanto em grande como em pequena escala. Sem esse monitoramento, você muitas vezes gasta sem cuidado em coisas que não estão contribuindo para as suas metas financeiras. Você pode monitorar seus gastos com uma variedade de produtos financeiros. Eu particularmente uso uma planilha de excel mas uma agenda e caneta também dão conta do trabalho. Faça o que funcionar para você.

 

  • Desenvolver um orçamento ou plano de consumo. Um plano de consumo, um orçamento, um budget – chame como quiser. Ter uma clara intenção articulada de como você gastará seu dinheiro vai te ajudar a evitar jogar os recursos fora em pequenos luxos quando você realmente gostaria de estar poupando para algo maior. Seu plano de consumo também vai ajudá-lo a prever as despesas futuras, e separar o dinheiro necessário para as despesas anuais (IPVA, IPTU, seguros) e compras maiores. Um plano de consumo seria o lado B (referência ao tempo dos LPs) dos seus registros de gastos. Enquanto monitorar o seu consumo te mostra onde o dinheiro foi parar, seu orçamento mostra onde o dinheiro será gasto. Ambos são essenciais para ser bem sucedido em viver dentro de suas possibilidades e administrar seus recursos de forma positiva.

Mente sobre dinheiro
Cultivar práticas financeiras positivas não é tão fácil como escolher o que vestir pela manhã. Desenvolver esses hábitos é um trabalho árduo. Vai desafiar a sua resistência, flexibilidade e força de vontade especialmente se você está tentando sair do endividamento.

Se você esteve ou está endividado, você provavelmente tinha hábitos de consumo que excediam sua renda em algum momento. Mesmo se esse não é o seu caso, se foi uma catástrofe como uma doença grave ou perda do emprego que te levou ao endividamento, sair dele é difícil. É preciso resistência e força de vontade para continuar quando o desafio parece impossível. Também exige flexibilidade para cortar despesas para um mínimo, e força de vontade para manter as estratégias financeiras essenciais.

Encontrar essas qualidades em si pode ser um desafio. É por isso que além de desenvolver as práticas financeiras mencionadas acima, é importante fazer algo para cultivar a força de vontade, o pensamento flexível, e a resistência.  Não precisa estar relacionado diretamente ao dinheiro. Algo como yoga ou outro hobby ou esporte podem ajudar. Eu particularmente escrevo esse blog. Encontrar uma atividade que possa ajudá-lo nesse processo é um presente.

Você não precisa gastar muito dinheiro nisso – na verdade não precisa gastar dinheiro algum. Comece a correr, medite, escreva. Mais uma vez, faça o que funciona para você mas faça alguma coisa.

 

Paciência e Finanças Pessoais

julho 7th, 2010

Eu  costumo me descrever como uma pessoa impaciente, como se isso fosse algo para se orgulhar. Olhando em perspectiva, chega a ser engraçado. Impaciência é o caminho mais rápido para o desastre financeiro.

Me parece que há uma certa conspiração no mundo moderno aconselhando as pessoas a serem impacientes, famintas por novidades, mas onde está a vida sem paciência? De que adianta ter todo o dinheiro do mundo e não ter com quem compartilhar?

É bem comum ouvirmos que finanças pessoais é simples. Gaste menos do que ganha. O difícil é a implementação, e o que normalmente causa o fracasso são fatores psicológicos.

A maioria das pessoas não quer ficar rico diariamente, quer ganhar na loteria ou escolher a ação certa na bolsa. Todos buscamos o atalho. Não conseguimos ver diferença em economizar apenas R$50 por mês. Então não economizamos centavo algum. Ficar rico diariamente requer uma grande quantidade de paciência.

Saindo do endividamento

Quando se toma a decisão de não adquirir dívidas novas, é como estar no pé de uma montanha e começar uma escalada. Você vê o topo, mas parece muito distante.

Eu me lembro dos antigos financiamentos imobiliários que acabavam acompanhando as pessoas até a cova. Quando o fim do endividamento parece impossível, a maioria das pessoas desiste e continua financiando suas extravagâncias com crédito e mais crédito.  Na maioria das vezes, vão só empurrando o problema com a barriga pagando o mínimo nos cartões de crédito ou buscando dinheiro em financeiras a juros altíssimos.

É realmente difícil manter-se fiel ao plano de eliminação de dívidas. Normalmente envolve mudar hábitos de consumo já enraizados em sua personalidade. Todo pequeno deslize, como gastar além da conta com a liquidação ou exagerar na conta do bar, é desmotivador. É como se estivesse em crise de abstinência de consumo e demora bastante para ver um resultado significativo.

Para uma pessoa impaciente como eu, eliminar as dívidas foi uma tortura.

Decisões de consumo

Impaciência nas decisões de consumo é um outro exemplo. Talvez você compre algo com crédito porque não tem paciência de esperar o tempo necessário para economizar e comprar a vista. Ou talvez só esteja acostumado a ajustar o seu fluxo de caixa considerando o limite do cartão de crédito e os parcelamentos “sem juros” dos lojistas. Você provavelmente faria um negócio melhor usando uma das seguintes alternativas:

  • Pesquisando preços na concorrência ou na internet;
  • Esperando a liquidação
  • Fazendo você mesmo ou procurando items usados

Eu tenho consciência que a impaciência foi um dos motivos que me levou a acumular o endividamento que me custou tanto para eliminar.

Investimentos

Outra coisa que exige uma boa dose de paciência e, às vezes, sangue frio.  Não é a toa que o Warren Buffet é melhor investidor que a maioria.  O cara começou aos 11 anos e quando escolhe uma ação na maioria das vezes toma uma decisão de investimento de longo prazo.

O blog The Motley Fool escreveu um artigo bem interessante sobre a disciplina de Warren Buffet.

Temos uma parcela pequena de nossos investimentos num fundo de ações que tem oscilado bastante acompanhando a flutuação do Ibovespa. Como não tenho tempo para estudar e escolher ações, optei por um fundo que se espelha na composição do Ibovespa. É o que se chama investimento passivo.  O Ibovespa cai, meu investimento afunda.

As vezes fico realmente na dúvida se devo ou não continuar aplicando quantias adicionais nesse fundo de ações. A solução que eu encontrei para driblar a minha impaciência com os investimentos foi automatizar as aplicações. Assim é como se eu nem tivesse essa renda para gastar. Também procuro limitar a atualização da minha planilha de controle a uma vez  por semana para não me desestimular com as eventuais quedas.

Infelizmente, não consigo evitar dar uma olhadinha na performance da Bovespa no display do elevador do prédio onde meu escritório está localizado.  De novo a impaciência tirando o melhor de mim.