Duas formas de sair do endividamento

Quase todo consultor financeiro – dos contadores aos corretores da bolsa aos livros – aconselham que o endividamento deve ser liquidado em uma ordem específica: da dívida de juro maior aquela de juro menor. Esse metódo faz todo sentido da perspectiva matemática, mas faz menos sentido do ponto de vista psicológico.

Considere uma mulher típica de cerca de 30 anos que acorda uma manhã e se dá conta que está endividada e decide fazer uma coisa a respeito. Vamos considerar as seguintes possibilidades de endividamento:

  • R$20.000 financiamento do carro com juros de 2%
  • R$8.000 dívida de cartão de crédito com juros de 12%
  • R$2.000 crédito pessoal com juros de 4%
  • R$5.000 cheque especial com juros de 7%

A maioria dos consultores financeiros aconselharia a liquidar esse endividamento na seguinte ordem:

  • R$8.000 dívida de cartão de crédito com juros de 12%
  • R$5.000 cheque especial com juros de 7%
  • R$2.000 crédito pessoal com juros de 4%
  • R$20.000 financiamento do carro com juros de 2%

Esse plano de pagamento funciona, de fato, faz todo o sentido se você tiver a disciplina para seguí-lo. Ao pagar as dívidas com juros mais alto primeiro, vocês está minimizando o total que será pago em juros no final das contas. Infelizmente esse método não funciona para todo mundo.

Normalmente, a dívida com o maior juro é também a mais relacionada às atividades diárias. De forma que é muito dificil liquidá-la primeiro sem muita disciplina, sem rever totalmente seu padrão de consumo. Psicologicamente, nos sentimos derrotados por que ao continuar usando o crédito que tentamos eliminar nos faz sentir que não estamos progredindo.

J.D. Roth do blog Get Rich Slowly sugere uma outra maneira baseada na abordagem “Bola de Neve” de Dave Ramsey. Nesse caso, vc ignora as taxas de juros ao determinar a ordem em que pagará o seu endividamento. Alternativamente, você organiza as dívidas a partir do menor para o maior saldo:

  • R$2.000 crédito pessoal com juros de 4%
  • R$5.000 cheque especial com juros de 7%
  • R$8.000 cartão de crédito com juros de 12%
  • R$20.000 financiamento do carro com juros de 2%

Depos de ter relacionado suas dívidas da menor para a maior, pague o mínimo em todas elas, exceto na menor. Acrescente todo real que você consegue economizar para o pagamento da sua dívida menor até que ela seja eliminada, então direcione esse valor para o pagamento da próxima.

Ramsey prega que esse método é mais eficiente porque tem um reforço psicológico sútil. É a modificação do comportamento se sobrepondo a matemática. A coisa mais importante sobre se livrar do endividamento é pagar as dívidas. A ordem em que isso é feito é, no final das contas, irrelevante.

Claro que muitos vão argumentar que pagar mais juros seguindo a abordagem “Bola de Neve” não faz nenhum sentido. E é verdadeiro que se você usar essa abordagem, pagará mais juros no longo prazo. Mas, de novo, o importante é se livrar das dívidas. Conheça a si mesmo. Escolha o método que faz mais sentido para você e para a sua situação.

Este post tem um comentário

  1. Gostei da idéia de driblar o fator psicológico pregando peças ao nosso cérebro. Importante é manter a criatividade para desenvolver mais e mais mecanismos que ajude atingir as nossas metas com o menor esforço “visível”, pois sabemos que sem sacrifícios, alguns de ordem; pessoal, material ou social, seria impossível alcançar o verdadeiro objetivo, qual seja: ficar rico diariamente.
    Parabéns e sucesso pela iniciativa.
    Henrique

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