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2013.08 – Cartas a um jovem investidor

fevereiro 23rd, 2013

Já que já apresentei o Dave Ramsey e a Suze Orman esse ano, me parece adequado apresentar também o Gustavo Gerbasi. O Gustavo é um dos mais famosos especialistas em finanças pessoais no Brasil.

Em 2009, foi eleito um dos 100 brasileiros mais influentes, segundo a revista Época. Para maiores informações sobre o Gustavo, visite o seu site.

Entre os diversos livros sobre finanças pessoais escritos pelo Gustavo Gerbasi, meu favorito é o “Cartas a um jovem investidor”, da série “Cartas a um jovem…” da Editora Campus.

O livro é estruturado em cartas escritas pelo Gustavo a partir da sua experiência para alguém interessado em investir. É muito mais conceitual do que prático, mas é uma leitura cativante e muito útil.

O “método” proposto pelo Gustavo e consolidado em suas obras posteriores gira ao redor do que ele chama de  “Seu Plano” para conquistar a independência financeira. Seguem algumas dicas de Gustavo Gerbasi para você conquistar sua independência financeira:

1) Dedique tempo à construção de seu plano no papel ou em uma planilha eletrônica.

Principalmente para quem não lida com números no dia-a-dia, visualizar o plano ajuda tanto na motivação para executá-lo quanto na identificação de pontos falhos e “gordurinhas” – aquelas despesas mensais de pequeno valor e aparentemente irrelevantes, mas que são as grandes vilãs do orçamento quando somadas ao longo do mês.

2) Relacione todas as suas fontes de recursos financeiros e todos os seus gastos mensais.

Seja detalhista, pelo menos uma vez na vida, ao longo de um mês. Coloque no papel todos os gastos, sem esquecer as migalhas que são drenadas de seu bolso na forma de gorjetas, arredondamentos na conta da padaria, cafés no meio do dia e aquelas “coisinhas a mais” que acabamos levando na banca de jornal quando compramos a Nova. Não será pelo valor da prestação de seu carro ou de suas últimas compras no shopping que seu orçamento apresentará problemas, porque provavelmente você verificou se havia espaço na sua renda para adquiri-los. Geralmente os orçamentos estouram porque aqueles pequenos valores que são desprezados ao longo do mês acabam se tornando algumas dezenas ou centenas de reais no balanço final – provavelmente um valor que faria toda diferença no futuro se fosse poupado mês a mês.

3) Identifique suas possibilidades de redução de gastos e estabeleça limites para os gastos não programados.

O segredo de um bom planejamento financeiro é impor limites a certos gastos e ter disciplina para seguir estes limites. Se você levar a sério o item anterior, certamente irá se impressionar. Alguns gastos não são controláveis, como aluguel, impostos, escola e plano de saúde. Outros podem ser otimizados, como o gasto com alimentação e produtos de cuidado pessoal, substituindo marcas muito caras por equivalentes mais em conta e levando a sério a prática de fazer pesquisas de preços. Há também aqueles gastos que podem ser perfeitamente planejados, como a renovação do guarda-roupa, o happy hour com os amigos e o lazer de finais de semana. Com estes, estabeleça limites mensais para seus gastos, e seja fiel a estes limites. Por exemplo, estabeleça uma meta de, digamos, R$ 200 mensais para renovação do guarda-roupa. Se não gastar tudo este mês, terá a mais para o mês seguinte – mas não caia na bobagem de gastar a mais por antecedência.

4) Após otimizar seus gastos mensais, identifique de forma precisa o preço de sua sobrevivência, quanto você gasta mensalmente com segurança.

Seu padrão de vida deve ter um custo inferior a sua renda. Sugiro que você gaste para se manter, no máximo, 90% da renda líquida. No total destes gastos devem estar incluídas todas as contas essenciais, incluindo seu lazer, a renovação do guarda-roupa, as prestações do carro, seguros, gastos pequenos do dia-a-dia, etc. O importante é estabelecer um teto para seus gastos totais, seja rigorosa.

5) Calcule quanto sobra de sua remuneração para possíveis investimentos mensais.

Definindo com precisão os limites de seu orçamento, destine parte ou o total do excedente a um investimento que você faça regularmente. Se você optar por um plano de previdência privada, isto estará sendo feito com tranqüilidade. Se seu orçamento for disciplinado e você estiver satisfeita com a renda que seu plano financeiro estará garantindo no futuro, não haverá nenhum problema em fazer alguns luxos quando surgir alguma sobra – como o décimo-terceiro salário, a restituição do Imposto de Renda ou um bônus salarial. O melhor de um bom planejamento financeiro é a oportunidade que ele dá de gastarmos as sobras sem peso na consciência.

Os diversos caminhos para a aposentadoria

agosto 27th, 2012

“Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho. Aposentadoria.”

Essa foi a definição do caminho para aposentadoria utilizada pela professora da New York Universtiy Sewin Chan num simpósio há alguns anos. Contudo, esse caminho pode estar mudando. A pesquisa da professora Chan indicou que 1/3 dos aposentados entre 1992 e 2004 retornaram ao mercado de trabalho. Hoje o caminho nos Estados Unidos está mais para:

“Trabalho, Trabalho, Trabalho. Aposentadoria (por um tempo). Trabalho. Aposentadoria? ”

Aqui no Brasil eu não encontrei pesquisa semelhante. Segundo o censo de 2010, 11,3% da população brasileira já tem mais de 60 anos o que representa quase 22 milhões de pessoas. Ainda segundo o censo, aproximadamente 72% das pessoas com mais de 60 anos possuem rendimento menor que 2 salários mínimos e 77% são aposentados e/ou pensionistas. Minha leitura do caminho para a aposentadoria brasileiro ainda está mais para o primeiro caso mas contando com a sorte para a aposentadoria: “Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho. Aposentadoria?.” Só que no caso dos brasileiros, a aposentadoria não me parece muito planejada. Pelos dados de renda acima, a grande maioria das pessoas depende de um benefício de aposentadoria equivalente ao salário mínimo concedido pela previdência social. Se excluirmos os servidores públicos que geralmente possuem um benefício de aposentadoria próprio, me parece seguro dizer que a grande maioria dos brasileiros ainda não toma atitudes pró-ativas  em relação ao planejamento da sua aposentadoria.

Por aposentadoria não quero dizer ócio. Mas sim liberdade de escolha. Ter condições financeiras para poder escolher fazer o que tiver vontade ou fazer nada pela quantidade de horas que quiser.  Já falei muitas vezes sobre a aposentadoria, mas aqui vai um sumário.

  • Quanto preciso para me aposentar? O volume de recursos depende da idade com que pretendemos nos aposentar e do padrão de consumo. Considerando a expectativa de vida média do último censo do IBGE de 73,4 anos se você se aposentar aos  60 anos precisaria ter recursos para sustentar seu padrão de consumo por mais 14 anos pelo menos. Também é preciso considerar que as despesas mudam ao longo do tempo. É de se esperar que as despesas com saúde aumentem ao longo do tempo, e que outros gastos, como por exemplo o financiamento da casa própria seja eliminado.
  • Quanto preciso investir por mês até me aposentar? De novo, vai depender de quanto tempo você tem até a data da aposentadoria, da renda que você quer ter durante a aposentadoria e de indicadores de inflação, rendimento das aplicações e alíquotas de imposto de renda. Existem algumas calculadoras disponíveis na internet para ajudar com esse cálculo, aqui vai um exemplo.
  • Onde investir? Existem diversas opções de investimentos que atendem a aposentadoria. Uma recomendação muito comum é diversificar. Não colocar todas as fichas no mesmo lugar. Há ainda os planos de previdência complementar e fundos de pensão patrocinados pelo empregador que podem gerar diferimento ou benefícios de imposto de renda. Já falamos disso em outro artigo.

O mais importante na minha opinião é começar a separar um dinheiro para o seu projeto de aposentadoria, seja ele qual for.

Tarefa 25: Faça a adesão ao fundo de pensão da sua empresa

julho 30th, 2012

Se a empresa para a qual trabalha oferece um fundo de pensão, faça a adesão já.

Você quer trabalhar até morrer? Imaginei que não. Então você precisa começar a poupar para a aposentadoria imediatamente. Muitas empresas já incluem planos de aposentadoria entre os benefícios que oferecem aos seus colaboradores. Se você não sabe se o seu empregador oferece essa opção, descubra imediatamente.
Se o plano oferecido é o mais comum, provalvemente a empresa faz uma contribuição equivalente a sua contribuição básica. Normalmente é um percentual que varia conforme a faixa salarial. Isso significa que para cada real da contribuição básica que você pouca, a Empresa coloca outro no seu fundo. Não deixe dinheiro de graça na mesa. Normalmente esses planos tem uma regra de permanência, depois de alguns anos de casa você leva a parte que a empresa contribuiu para onde for.
Aderir ao fundo de pensão pode ser um pouquinho trabalhoso e é preciso decidir qual o regime de tributação que vais seguir no momento da adesão. Procure o pessoal de Recursos Humanos ou converse com um colega que já aderiu. A melhor coisa de um fundo de pensão é o dinheiro de graça, e a segunda melhor é receber os extratos. Imaginem um extrato de cartão de crédito ao contrário.. O saldo cresce a medida que você acumula para a sua aposentadoria.

Já que é meu aniversário… Hora de revisitar as metas de médio e longo prazo

março 27th, 2012

Já que hoje é meu aniversário. Me parece apropriado revisitar as 40 metas de médio e longo prazo que estabeleci no ano anterior e que pretendo atingir até os 40 anos.

Metas Pessoais

1. Atualizar o blog semanalmente por um ano. Avanço: fracasso na primeira tentativa. Com a chegada da alta temporada no trabalho em janeiro, não consegui manter o ritmo. Estou trabalhando em estratégias para compensar a falta tempo na próxima temporada.

2. Falar espanhol fluentemente. Avanço: aulas particulares e auto-estudo. Muito longe de ser fluente.

3. Fazer um curso de gastronomia fora do país (de curta duração, é claro). Não iniciado.

4. Digitalizar todas as minhas fotos.  Avanço: em progresso. Muito lento por sinal.

5. Catalogar minha coleção de DVDs e Blu-ray. Avanço: concluído, usei um aplicativo para o ipad que me permitiu catalogar nossos DVDs e Blu-ray lendo os códigos de barra. 

6. Catalogar minha biblioteca. Avanço: em andamento, também estou usando um aplicativo para o ipad que lê os códigos de barra. 

7. Concluir o curso de fotografia. Avanço: Não iniciado.

8. Me livrar das coisas desnecessárias e viver mais leve. Avanço: vamos nos mudar em breve e vou aproveitar a oportunidade para me livrar do acúmulo desnecessário.

Metas de Aventura/Viagens

1. Obter a minha certificação para mergulhar. Não iniciado.

2. Visitar a Escandinávia. Não iniciado.

3. Visitar a Rússia. Não iniciado.

4. Visitar o Caribe. Não iniciado.

5. Dirigir a Rota 66 num conversível. Não iniciado.

6. Mergulhar na Grande Barreira de Corais (Austrália). Não iniciado.

7. Ver o sol nascer em Machu Pichu. Não iniciado.

8.  Assistir aos festivais de Páscoa na Andaluzia. Não iniciado.

Metas Profissionais

1. Me tornar sócia. Avanço: estou fazendo a minha parte. Só espero estar fazendo o certo.

2. Completar um mestrado. Avanço: acredite se quiser mas comecei um mestrado e fiquei bastante frustrada com a qualidade do conteúdo e decidir desistir por hora.

3. Identificar uma alternativa de renda. Avanço: Estamos pensando em imóveis.

4. Participar de Conselhos de Administração de empresas de capital aberto. Não iniciado.

5. Atingir 10.000 visitantes no site num período de 3 meses. Avanço: o recorde de visitas ficou perto de 9.000 visitantes em 3 meses.

6. Lecionar num curso de pós-graduação. Avanço: ando discutindo o tema com alguns contatos.

7. Participar ativamente de instituições de classe e de mercado (Ibracon, CRC, FIERGS, IBGC).  Não iniciado.

8. Formar sucessores.

Metas de Saúde/Bem-estar

1. Pesar 54kgs em 31 de março de 2012. Fracasso. Ainda estou 3kgs acima da meta, vou continuar tentando.

2. Correr 10 km em menos de 1 hora. Avanço: no momento estou caminhando aproximadamente 6Km por hora.

3. Fazer check up anualmente. Vou fazer o segundo em abril.

4. Participar da meia maratona da Disney. Não iniciado.

5. Incluir vegetais em todas as refeições principais em 5 dos 7 dias da semana. Preciso achar uma maneira de avaliar isso. Aparentemente sim, estou conseguindo.

6. Ficar sem tomar coca-cola (ou qualquer outro refrigerante) por 3 meses. Outro fracasso. Não durei 15 dias.

7. Ficar sem comidas industrializadas por pelo menos 1 mês. Não iniciado.

8. Monitorar minha pressão sanguínea semanalmente. Avanço: Até o momento está indo bem.

Metas financeiras

1. Obter rendimentos melhores do meu portfolio e reavaliar a distribuição dos meus ativos anualmente. Avanço: os rendimentos subiram um pouco, mas ainda preciso melhorar o meu sistema. 

2. Acumular 1 milhão de reais. Avanço: dentro do esperado considerando o prazo remanescente.

3. Evitar déficit de consumo Avanço: exceto pelas viagens ao exterior, meus gastos tem ficado dentro dos limites.

4. Trocar meu carro urbano  (no momento, o Volvo C30 está no topo da minha lista). Adiado até segunda ordem.

5. Desenvolver uma política de investimento.  Em rascunho no momento.

6. Comprar um moradia definitiva. Acabamos de comprar uma cobertura. Vou escrever a respeito num artigo específico.

7. Construir/comprar uma casa fora da cidade.  Não iniciado.

8. Comprar um carro off-road. Não iniciado.

Controle a paranóia com um Plano B (porque tudo sempre pode piorar)

outubro 24th, 2011

Eu tenho uma confissão: sou paranóica. especialmente no que diz respeito a minha própria vida. Mas também sou otimista. Então apesar te ter um milhão de planos e estar constantemente preocupada com o resultado, no fundo eu sempre acredito que vai dar certo.

Alguns autores, como o psicólogo Martin Seligman, acreditam que os pessimistas são mais precisos ao avaliar a realidade, mas os otimistas possuem melhor saúde física e mental. Em outras palavras os otimistas podem estar iludidos, então apesar de me considerar otimista, não custa nada manter um Plano B na manga. Para o caso de Andy Groove estar certo: só os paranóicos sobrevivem. Para quem não conhece, Andrew Groove escapou da Hungria comunista e se tornou co-fundador da Intel sempre repetindo esse mantra. (Ele também publicou um livro com o mesmo nome, tenho para emprestar se alguém tiver interesse).

Não, isso não significa que você deve viver constantemente em desconfiança, mas existe um certo valor em adotar uma atitute defensiva. Nos últimos 10 anos, tivemos quebradeiras no mercado de capitais, várias crises econômicas globais, demissões em massa, me parece que tudo isso justifica um pouco de paranóia em relação as finanças. Tanto do ponto de vista financeiro como pessoal, essa minha paranóia otimista me ensinou a ter sempre um plano em mente. E uma alternativa, como quais despesas cortar no caso de eu perder meu emprego e que outras alternativas profissionais eu poderia perseguir. Felizmente, nunca precisei colocar meu Plano B em ação, mas a sua existência sempre me trouxe uma certa paz de espírito.

Ultimamente, tenho pensado muito em como atualizar o meu Plano B. Algumas das razões são pessoais (quero melhorar minha qualidade de vida) e outras são globais, por assim dizer, como a crise financeira que parece ter vindo para ficar por um bom tempo. Não é preciso ser paranóico para se preocupar com o destino das minhas aplicações financeiras nesse ambiente hostil.

Se tudo isso te causa preocupação, talvez seja a hora de pensar no seu Plano B.

Renda Interrompida

Você já tem um Plano A – está vivendo ele. Não importa se é um documento escrito ou não. Mas seu Plano A começa com a sua renda atual, que determina o quanto pode gastar, quanto pode economizar, e quanto tempo vai levar para atingir as suas metas financeiras. Plano B é o que você fará no caso de acontecer uma interrupção na sua fonte de renda atual, seja a perda do emprego (se é colaborador de uma empresa) ou no rendimento dos seus investimentos (se é aposentado). As ações no seu Plano B precisam ter alguns componentes: ações que você pode tomar imediatamente para prevenir uma emergência ou aumentar suas chances de que recursos adicionais estejam disponíveis caso os necessite. Ações que você tomará caso a interrupção de renda ocorra — basicamente, uma estratégia pensada que você possa implementar imediatamente. Considere como essa estratégia pode afetar suas metas financeiras de longo prazo

Aqui estão alguns candidatos para seu Plano B:

  • Fique atento ao seu desempenho profissional. Não importa que tipo de emprego você tenha, avalie-se como se fosse autônomo e precisasse continuamente impressionar seus clientes para convencê-los de que gastar dinheiro com você é uma boa coisa. Consolide sua posição com a Companhia em que trabalha ou com seus clientes. Tenha uma lista de outros empregadores, ou tipos de emprego que você gostaria de perseguir caso aconteça alguma coisa com o seu trabalho corrente. Também se torne ativo em sua rede de contatos. Charles Purdy, editor sênior de empregos do site Monster.com, disse ao Wall Street Journal que “O erro que muitas pessoas cometem é apenas entrar em contato com a sua rede quando tem um favor para pedir. Eles não pensam sobre como ajudar as pessoas de sua rede de contatos e criar um espírito de cooperação e boa vontade.” Como indica o artigo, muitas oportunidades nem chegam a ser anunciadas e são preenchidas com indicações de funcionários da própria Empresa. Manter contato com pessoas aumenta sua chance de ficar sabendo dessas oportunidades.
  • Ter um colchão financeiro. Outra maneira de se referir ao fundo de emergência, ou melhor ainda, de replicar o mantra: viva com menos do que ganha. Manter seus gastos abaixo da sua renda tem benefícios defensivos: quanto menor seu padrão de consumo, menos será necessário em caso de emergência e você poder aceitar soluções temporárias que resultem em uma renda menor do que a atual.
  • Estabeleça prioridades nas despesas. Avalie cada linha do seu orçamento e você encontrará várias categorias que podem ser eliminadas em caso de necessidade: entretenimento, viagem, restaurantes, academia, e até mesmo o investimento, caso necessário. Nos acostumamos com algumas coisas que as consideramos necessárias mas na verdade tratam-se de luxos como a TV a cabo e o plano de dados do smartphone, entre outros. Quais são os itens do seu orçamento que você cortaria imediatamente em caso de aperto?
  • Venda alguma Coisa. Sempre é possível vender o carro ou colocar as jóias no prego se tudo o mais der errado. Dê uma olhada em volta, você possui um monte de Coisas em sua casa e provavelmente uma boa parte delas tem valor e pode ser vendida em caso de emergência.
  • Ajuste suas metas de longo prazo. Suas necessidades financeiras futuras – como renda da aposentadoria, dependem da taxa de retorno, do valor acumulado em ativos e da passagem do tempo. Se perdeu o emprego, talvez seja preciso ajustar o seu portfolio e reavaliar a sua meta de aposentadoria..

E no fim das contas, seja feliz

Viver com medo do azar não é a melhor forma de passar o tempo.  Seligman (e outros) provavelmente estão certos quando dizem que o pessimismo e a paranóia não são saudáveis. No livro “Zebras não tem úlceras”, o professor de neurologia de Stanford Robert Sapolsky explica que quando viviamos na natureza selvagem fugindo de leões, nossos corpos reagiam bem melhor ao stress.  Hoje, nosso stress é de baixa intensidade porém duradouro – um zunido constante em nosso cérebro que pode causar desde depressão até doenças cardíacas. Sapolsky aconselha a encontrarmos maneiras de ver mesmo a situação mais estressante como uma oportunidade de melhoria, mas não nos enganarmos com o otimismo cego. Equilibrar essas duas tendências opostas cuidadosamente. Esperar pelo melhor e dominar nossas emoções,mas ao mesmo tempo deixar uma pequena parte de nosso cérebro se preparar para o pior. Ter um Plano B pode ser essa pequena parte; uma vez que você o tem – e está preparado para implementá-lo – você pode aproveitar os bons tempos… enquanto durarem.

O que vai ser de você quando se aposentar?

julho 4th, 2011

A maioria das pessoas que eu conheço, tem dificuldade em poupar recursos para atender metas de curto e médio prazo como comprar um carro ou uma casa, falar em aposentadoria pode parecer um pouco sem propósito. Mas a realidade é brutal, não estamos ficando mais novos. É preciso encarar o fato de que vamos envelhecer e eventualmente teremos que parar de trabalhar. Além disso, a previdência pública (INSS) está falida, nosso sistema onde os ativos financiam os inativos já nasceu condenado ao insucesso se olharmos rapidamente a estrutura etária da população. Isso para não falar em desvio de recursos, corrupção, etc. Não me parece razoável contar com a ajuda do governo em 25, 30, 40 anos.

Existem diversas formas de financiar a sua aposentadoria:

Auto-financiamento

Você pode economizar os recursos e investí-los por conta própria da forma que achar mais adequada. Há diversas calculadoras na internet (Você SA,  UOL,  que lhe indicarão quanto você precisa investir no prazo da aposentadoria para atingir a renda esperada. No entanto, ao decidir pelo auto-financiamento você precisa estar atento a todas as variáveis envolvidas:

  • Expectativa de vida: Você imagina se aposentar aos 65 anos de idade e viver até os 80, se você viver até os 85 anos precisará de ajuda financeira nos últimos 5 anos.
  • Retorno dos investimentos: o retorno dos investimentos normalmente é proporcional ao risco assumido e varia dependendo das condições de mercado. Ao se auto-financiar você precisa estar atento a essas flutuações e rever suas projeções periodicamente para não faltar dinheiro lá na frente.
  • Exposição ao risco: a medida que a aposentadoria se aproxima menor deveria ser a exposição ao risco. A regra geral seria se você tem uma data próxima para usar os recursos investidos, melhor contar com um rendimento menor (renda fixa) do que estar sujeito a desvalorização (renda variável) e consequente indisponibilidade  de recursos na data prevista. Nos Estados Unidos, os consultores financeiros recomendam uma regra simples para administrar a sua exposição: 100 – sua idade. Ou seja, se você tem 30 anos, poderia investir até 70% (100 – 30) dos seus recursos em renda variável. No Brasil, alguns autores recomendam reduzir o 100 para 70 em função da maior instabilidade e também da imaturidade de nosso mercado de capitais. Dessa forma, a conta ficaria em 40% de recursos em renda variável para alguém com 30 anos. Não me perguntem qual a lógica sobre esse racional, não faço idéia. Mas me parece uma forma razoável de ajustar a exposição ao risco a medida que envelhecemos.

Fundo de pensão patrocinada pela empresa

Um número cada vez maior de empresas oferece aos seus funcionários a opção de aderir a um fundo de pensão patrocinado. Nesses casos, normalmente existe uma tabela de contribuição básica com percentuais estabelecidos por faixa de salários para as quais a Empresa faz uma contribuição equivalente a do participante. Por exemplo, na Empresa que eu trabalho a contribuição básica para a minha faixa salarial é de 2%. Todo mês eu tenho um desconto de 2% na folha que é investido em uma conta individual para a qual a firma contribuiu com a mesma quantia.

Também é costumeiro que o participante possa fazer contribuições adicionais voluntárias. Eu, por exemplo, faço uma contribuição adicional de 2% todo mês.

O benefício será determinado com base no fundo acumulado no momento da aposentadoria. É o que chamamos de contribuição definida. O participante decide o quanto quer contribuir hoje.

Nessa modalidade o fundo vai decidir o portfolio de investimento de recursos. Podem existir restrições para a mobilidade dos recursos, especialmente a parte correspondente às contribuições da Empresa (Patrocinadora). No meu caso, depois de 5 anos de Empresa, o participante leva com ele os recursos contribuídos pela Empresa para outro fundo ou os resgata em caso de desligamento.

Normalmente, os fundos de pensão patrocinados por empresas possuem taxas de administração e carregamento mais baixas que os produtos de previdência individuais disponíveis (PGBL e VGBL).

VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre

Disponibilizado pela maioria das instituições financeiras. O VGBL é indicado para quem declara o Imposto de Renda (IR) no formulário simplificado ou isento, pois os aportes ou contribuições não podem ser abatidos da declaração do IR, ou para clientes que já possuem o PGBL e que desejam investir em previdência complementar. Uma característica do VGBL que muitas vezes é considerada uma vantagem em relação às demais opções é a questão sucessória: facilidade de transferir os recursos aos dependentes em caso de morte do participante sem inventário ou burocracia e fora do alcance do Governo. Nesse sentido, o VGBL tem uma característica de seguro de vida.

Nesse tipo de plano, assim como no PGBL e no Fundo de Pensão patrocinado, é preciso ficar atento a:

  • Taxa de carregamento : É uma taxa que pode ser cobrada pela seguradora em cada aporte, ou no resgate do plano sobre o valor acumulado. É possível negociar a diminuição até zerá-la no longo prazo. Os percentuais variam até 5%.
  • Taxa de administração : Incide anualmente sobre a rentabilidade dos fundos. Existe uma enorme diferença entre os valores praticados pelo mercado. As taxas variam de 0,5% a 3,7%.

PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre

O PGBL é indicado para aqueles que preparam a declaração do Imposto de Renda (IR) no formulário completo. Os aportes, caso o participante opte pelo regime de tributação progressiva, podem ser deduzidos da base de cãlculo do IR até o limite de 12% da renda bruta anual tributável.

O PGBL, assim como os fundos de pensão patrocinados, possuem duas opções de tributação:

  • Tributação Regressiva: Quanto maior o prazo do plano de aposentadoria, mais vantajosa é a tabela regressiva, que diminui o imposto ao longo dos anos. Ele cai de 35%, até dois anos de contribuição, para 10%, após 10 anos. Lembrando que a tributação incidirá apenas sobre o rendimento nesse caso.
  • Tributação Progressiva: Se a intenção for o resgate no curto prazo ou se o valor do beneficio projetado for menor do que o teto de isenção da tabela progressiva, esta é a escolha certa. Nesse caso o participante pode diferir ou adiar o imposto para o momento do resgate do benefício compensando até o limite de 12% da renda bruta anual mencionado acima. É preciso lembrar que no momento do resgate, a tributação será efetuada pela tabela de IR retido na fonte para salários que hoje pode chegar a 27,5% sobre o total do valor resgatado.

O conselho é o mesmo de sempre, não há certo ou errado, faço o que funcionar melhor para você, mas faça alguma coisa a respeito imediatamente.

5 mitos sobre o dinheiro

junho 16th, 2011

Desde que comecei a dedicar atenção ao tema de finanças pessoais descobri que existem diversos preconceitos generalizados sobre o assunto. Alguns dos mitos que identifiquei pelo caminho:

  1. Poupar e investir é complicado. Na verdade, os conceitos são bem básicos e simples de entender. Você precisa gastar menos do que ganha e todo investimento tem algum tipo de retorno e risco associado. O que é complicado são os produtos financeiros disponíveis no mercado. Mas se você compreender a dinâmica básica do dinheiro, pode usar esse conhecimento para avaliar qualquer opção de investimento que lhe for oferecida.
  2. Investir em ações é um jogo de azar. É verdade que investir no mercado de ações apresenta um risco maior do que na caderneta de poupança, por exemplo. Mas não é, contudo, um jogo de azar. Um jogo de azar é baseado no acaso, e a probabilidade é sempre contra o jogador. Investir no mercado de ações não é garantido (de novo, involve um risco), mas é uma transação de negócios legítima entre aqueles que possuem e aqueles que precisam de capital No longo prazo, a probabilidade está do lado do investidor.
  3. Tudo bem se endividar para conquistar o sonho. Endividamento pode levar a problemas financeiros sérios. Como os cartões de créditos tem taxas de juros altíssimas, a dívida nessa modalidade se multiplica avalassadoramente. Pode dobrar em poucos meses.
  4. Poupar e investir implica em sacrifício financeiro. É verdade que na maioria das vezes precisamos abrir mão de uma coisa no curto prazo em prol de objetivos maiores de longo prazo. Mas, a verdade é que se endividar para satisfazer um desejo de curto prazo ou mesmo para manter um padrão de vida acima do seu padrão de renda é o que traz o sacrifício financeiro. Poupar e investir leva a independência financeira, não ao sacrifício.
  5. Você não precisa saber nada sobre poupança e investimento porque sempre pode consultar um especialista. Nesse caso, faça o que funcionar melhor para você mas lembre-se sempre que ninguém se preocupa mais com o seu bem estar e com o seu dinheiro do que você mesmo. Então estude, informe-se, consulte o especialista, mas no final das contas você é o responsável pelo seu sucesso ou fracasso em relação ao seu dinheiro.