Posts Tagged ‘Frugalidade’

2014.03 – Você provavelmente tem coisas demais

janeiro 15th, 2014

Quando um homem chamado Andrew Hyde começou sua aventura minimalista, ele só possuía 15 coisas. Aumentou para 39 e hoje está em torno de 60. Tudo começou quando ele decidiu dar uma volta ao redor do mundo e vender tudo o que ele não precisava. Como o Sr. Hyde comenta no seu blog, mudou sua vida após um breve período de perplexidade:

I’m so confused by this. When we were growing up, didn’t we all have the goal of a huge house full of things? I found a far more quality life by rejecting things as a gauge of success.

Quando eu cruzei com essa estória de só possuir 15 itens, fui imediatamente inspirada a dar uma olhada no minha casa e reduzir a minha carga. A maioria das coisas que eu separei para doar vem, sem nenhuma surpresa, do meu armário. Uma quantidade grande de roupas e sapatos que eu parei de usar em algum momento mas continuaram no closet para o caso de… perder o peso extra, ser convidada para um evento black tie, sei lá. Na verdade eu não faço ideia de porque eu mantinha algumas coisas por ano sem usá-las ou que nem mesmo me serviam.

É claro que eu tenho bem mais que 39 coisas. E bem mais que 60 também, mas me livrar das coisas sem uso me fez sentir muito bem. Surpreendentemente bem. No processo, me dei conta que estava me apegando a coisas que estavam na verdade me custando algo nem que fosse só espaço que ocupavam. Esse é o paradoxo.

Quando ficamos presos a coisas que não mais usamos, nos custa alguma coisa. Que seja apenas o tempo de organizar a casa ou o armário. Não sei dizer quantas vezes eu adiei enfrentar o meu closet, e toda vez que escolhia o que vestir para trabalhar me lembrava que precisava organizar o espaço com urgência.

Apesar do exemplo do Hyde ser um caso extremo, Eu gosto de pensar que os casos extremos nos compelem a agir através da inspiração. Nesse caso me fez parar para pensar:

  • Por que exatamente eu acumulei tudo o que possuo?
  • O que eu poderia colocar fora sem sentir falta?
  • Eu ainda preciso disso?
  • O quanto me custa manter tudo o que eu tenho?

Talvez o apego às coisas venha da noção de que devemos estar preparados para tudo. Quando David Friedlander entrevistou o Sr. Hyde sobre o seu projeto, ele tocou nesse tema:

Americans in particular like to be prepared for the worst-case-scenario, having separate cookie cutters for Christmas and Halloween. We seldom consider how negligible the consequences are when we running out of something or are unprepared. Nor do we consider how high the consequences are for being over-prepared…

Pense nisso por um segundo: existe uma consequência para estar preparado em demasia. Em algumas circunstâncias a consequência é mais que o custo financeiro. Pode ser por exemplo um custo físico como precisar de mais espaço para guardar todas as nossas coisas.

De certa forma, nos leva de volta para a noção de comprar coisas de alta qualidade e mantê-las por um longo período de tempo.  Também ajuda pensar em termos de, “Tenho espaço – físico, emocional, etc – para trazer mais uma coisa para a minha vida?”

A idéia de reduzir as suas posses é tanto inspiradora quanto é igualmente difícil, então comece com simplicidade:

  1. No final da estação, revise as suas roupas. Se não a utilizou pelo menos 1 vez, doe.
  2. Esse processo vai gerar uma pilha de coisas, não tente vender. Doe para a caridade.

Você não precisa reduzir a sua vida para 15 coisas para sentir o impacto. Esse exercício é sobre esclarecer porque você tem o que tem e quanto isso te custa.

2014.02 – Porque vale a pena se esforçar para ser mais sustentável

janeiro 8th, 2014

O inventor Saul Griffith deu a seu filho recém nascido um Rolex e uma caneta Montblanc. Presentes estranhos, não? Mas para o Sr. Griffith, ele estava comprando o único relógio e a única caneta que seu filho precisaria na vida.

Durante os últimos anos, Saul tem argumentado que precisamos desenvolver coisas feitas para durar mais, o que ele chama de  heirloom design numa entrevista para Good:

An object with ‘heirloom design’ is something that will not only last through your lifetime and into the next generation, but that you also desire to keep that long because it’s beautiful, functional, and timeless.

Me fez pensar que talvez seja possível economizar dinheiro comprando um item de alta qualidade quando planejamos mantê-lo. Pode parecer um conceito revolucionário, mas me parece que podemos aplicá-lo a quase todas as compras.

E se ao invés de comprarmos coisas com prazos de validade para trocá-las, comprássemos coisas que durem? E se comprarmos com propósito, escolhendo items com design atemporal? E em linha com a idéia de gastar um pouco mais, aderirmos a idéia de comprar menos coisas mas com alta qualidade?

Obviamente, nem todas as decisões de consumo se enquadram nessa categoria. Mas duas perguntas podem separa o que faz sentido do que não faz:

  1. Eu espero que isso dure por toda a minha vida? Ou espero deixar de herança para filhos ou netos?
  2. Se calcularmos o custo por uso da compra, o resultado será um benefício considerando que utilizarei o item por mais tempo?

Custo por uso = Total pago dividido pelo número de vezes (ou período de tempo) que se espera utilizar o bem.

Muito do que compramos não esperamos deixar como herança. Mas isso não quer dizer que não deveríamos comprar coisas para durarem mais. É até uma questão de sustentabilidade.

Dependendo do seu momento de vida, você pode sentir que esse estilo de vida não é uma opção. E eu concordo que somos atacados o tempo todo pela noção de que tudo é passageiro, novos modelos de carro, novas tendências na moda, etc. Nesse cenário, pode ser tentador sempre comprar o mais barato e torcer pelo melhor resultado.  Historicamente eu e meu marido temos trocado de carro no máximo a cada 2 anos. Na nossa última compra (no inicio de 2013), discutimos a idéia de comprar um carro vintage como meu marido fala.  O conceito seria comprar um carro zero mas com um design atemporal e alta qualidade que possa nos acompanhar por muito tempo. Ainda não o implementamos, mas já escolhemos um automóvel que pretendemos manter por até 5 anos.

De muitas formas, nossos hábitos de consumo são uma parte de nosso legado. Para aderir a esse estilo de vida mais sustentável precisamos consumir de maneira mais sábia. A meta nesse estilo de vida não é comprar por comprar, mas comprar algo que você precisa que foi desenvolvido para durar o máximo possível.

2013.07 – O desapego

fevereiro 16th, 2013

Durante as minhas andanças pela internet encontrei um texto da Martha Medeiros que traz um conceito muito interessante de riqueza que reproduzo abaixo:

Vende-se Tudo
Por Martha Medeiros

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:

– Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
– Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida…

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.
Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza….só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir, é melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza ou plenitude. São as dádivas especiais que não tem preço, como família, amigos e saúde.

Tarefa 20: Pesquise preços

julho 6th, 2012

Procure sempre o melhor negócio.

Não há nada errado em ser vigilante e frugal. Se prestar atenção as oportunidades e usá-las a seu favor, você fará um bom negócio no que quer que estejas procurando.

  • Assine  os programas de compra coletiva tipo Peixe Urbano ou Groupon.
  • Desde que sejam gratuitos, afilie-se a programas de milhagem pelos cartões de crédito, ou diretamente com as companhias.
  • Nas lojas que você frequenta, assine o mailing list para ficar sabendo das promoções em primeira mão. Minha marca favorita de calçados está em liquidação de inverno, até 50% de desconto.
  • Pesquise preços e negocie descontos. Pechinche.

Isso pode soar um pouco contraprodutivo e consumista para quem está tentando controlar os hábitos de consumo. O ponto é que não estou fazendo uma apologia às compras mas sim listando algumas alternativas para encontrar preços melhores. Ainda assim, é bom lembrar o mantra de consumo:

  1. Comprar somente coisas que eu realmente quero e preciso;
  2. Comprar coisas que eu uso;
  3. Comprar coisas de qualidade;
  4. Comprar coisas com desconto;
  5. Comprar coisas que eu posso pagar!

Se você não tomar cuidado, as tentações podem ser avassaladores e te levar na direção errada.

 

Tarefa 19: Faça uma lista de atividades gratuitas que você gosta de fazer

julho 3rd, 2012

A tarefa de hoje: Faça uma lista de atividades gratuitas que você aprecia.

Reduzir os gastos pode ser difícil para algumas pessoas, já deu para ter uma idéia na tarefa 15 de passar o dia sem gastar nada. O cafézinho, o almoço, a revista da semana, os gastos vão se acumulando sorrateiramente. Não custa nada ter uma alternativa gratuita para passar o tempo e fugir das compras como por exemplo: namorar, ler um livro (da biblioteca, é claro), visitar a família, tomar um solzinho no Parcão. Outra coisa é prestar atenção nos eventos que acontecem pela cidade, no fim do ano, eu e meu marido assistimos um concerto bem legal no Parque Moinhos de Vento. Aliás nesse mesmo dia, havia um show de Tango na praça de alimentação do shopping aqui perto.

Ontem, por exemplo, estreou uma exposição de fotografia Cenas Vertiginosas, do fotógrafo Roberto Schmitt-Prym na Galeria Arte & Fato.

Com um pouco de boa vontade sempre há o que fazer sem necessária estourar o orçamento.

 

Tarefa número 17: Planeje o cardápio e as compras para a semana

junho 20th, 2012

Faça compras no supermercado para uma semana.

A tarefa de hoje deve me ajudar a ser mais frugal e também mais saudável. Um bom começo é compilar várias receitas com produtos em comum. Tipo um tema a semana. Nessa semana aqui em casa, o tema é chilli! Já tivemos o próprio chilli no domingo, chilli sub na segunda e hoje fiz batatas fritas (assadas na verdade) com chilli e queijo minas. Ainda tenho mais uma opção para a semana que é a torta de chilli com purê de batata doce. Anyway, você pode escolher um ingrediente (preferencialmente da época) e pesquisar receitas em sites como Epicurious ou Cookstr. Do Brasil uso também o cybercook.

Comer em casa e preparar a própria comida, tem várias vantagens para mim, além de ser obviamente mais barato do que sair para jantar. A mais importante é que eu adoro cozinhar mesmo e o tempo em que me envolvo com a comida serve para aliviar a carga do dia. Mas mesmo que você não goste muito de cozinhar ou não tenha muito habilidade há ainda várias opções para fazer uma boa refeição em casa. Uma salada por exemplo, precisa de muito pouco preparo.

Se você sempre come fora, comece aos poucos. 2 ou 3 dias por semana apenas.

Depois de ter selecionado as receitas, faça uma lista dos ingredientes que vai precisar para a semana. Outra coisa que adoro fazer aos sábados é ir a feira. Normalmente decido o tema das refeições da semana dependendo do que está mais bonito na feira ou no Zaffari. Tome cuidado para não perder o controle nas compras e resista às tentações que te esperam em cada corredor. Foque na lista.

Tenho procurado por receitas que sirvam para serem congeladas. Fazer comida só para dois é um desafio, fique mais fácil se a porção extra pode ser congelada e estiver a mão no futuro. O chilli também atende esse quesito.

Boa sorte!

 

Tarifa número 11: Faça um plano para pagar as suas dívidas

março 26th, 2012

O que é pior do que ter nenhum dinheiro? Estar devendo dinheiro, ou seja, ter dinheiro negativo. Esse é o motivo para evitar ao máximo acumular dívidas e fazer o possível para eliminar as existentes o mais rapidamente possível. Dependendo de quanta dívida e de qual o tipo de dívida que você tem, eliminá-las pode levar algum tempo. Mas se a sua papelada estiver em ordem, já estás no caminho certo. Existem diferentes escolas de pensamento no que diz respeito a pagar dívidas recomendando concentrar esforços dependendo do saldo, das taxas de juro e até mesmo da natureza da dívida.

Você pode começar pagando a dívida com a taxa de juros mais alta de forma a minimizar o juro total pago. Ou começar pagando os saldos menores primeiro para criar momentum e confiança e eliminar algumas dívidas. Aqui vão algumas dicas para ajudar a atacar esses saldos.

  • Se você tem um cartão de crédito que nunca consegue zerar, corte-o ou congele-o, literalmente. Escolha uma data para liquidar essa dívida e calcule o valor mensal que precisa ser pago.
  • Para não acumular novas dívidas, se mantiver o cartão de crédito, pague sempre o valor total da fatura.
  • O avô de um amigo meu, que começou a vida carregando fardos, e chegou a terceira idade com tranquilidade financeira de sobra costumava dizer que se deve viver com apenas metade do que se ganha. Se não é possível reduzir os gastos, procure evitar a todo custo o crescimento destes quando tiver um aumento de renda. Use o aumento de renda para atacar as dívidas, investir para o futuro, ou realizar o sonho que tiver.