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2014_19 – Recomeçar

setembro 21st, 2014

Faz mais de um mês que eu não encontro tempo na rotina diária para dar uma paradinha por aqui para atualizar o blog. Quando a vida corre nessa velocidade, também é comum que o meu planejamento financeiro seja afetado, então de tempos em tempos é preciso recomeçar.

E para recomeçar eu retorno ao plano original.

  1. Fazer um balanço.
  2. Reequilibrar o orçamento. Afinal a regra de ouro é a mesma de sempre: gaste menos do que ganha.
  3. Deixar o cartão de crédito em casa por um tempo. Eu sou o lado consumista do casal, então controlar os meus impulsos faz uma diferença enorme na nossa situação financeira.
  4. Revisar a estratégia de investimentos. As condições de vida mudam ao longo do tempo, assim como os investimentos disponíveis no mercado. É saudável rever seu plano de investimentos de tempos em tempos mesmo que esteja recomeçando.

Normalmente voltamos ao rumo em pouco tempo. Uma coisa que percebi com esses recomeços, é que o mais difícil no avanço das minhas finanças sempre é cumprir o orçamento.

Verdade: Estabelecer um orçamento (e manter-se fiel a ele) é mais fácil de falar do que fazer – especialmente se você for como eu que gosta de comprar, viajar, comer bem (quem não?). Então, o importante é ter controle e prioridade.

1. Monitore os seus gastos: Parece simples, mas quantos de nós realmente acompanhamos 100% das nossas transações. Tanto faz se você usar um aplicativo de celular, uma planilha eletrônica ou a velha caderneta, documente seus gastos! O processo provavelmente desencadeará uma mudança nos seus hábitos (a realidade do quanto custa o cafezinho diário ou a manicure semanal. No meu caso, os livros. É uma experiência essencial para quem está tentando sair do vermelho mas também é muito importante para quem quer melhorar suas finanças.

2. Valores pessoais: Considere o que é realmente importante para você e priorize seus gastos – em outras palavras, planejamento financeiros baseado em sues valores. Se conhecer o mundo é o seu valor essencial, suas finanças devem ser direcionadas para isso.

2014.06 – Não se puna toda a vez que gastar com algo

fevereiro 6th, 2014

Ultimamente tenho andado mais preocupada do que o normal com dinheiro. Quero dizer que as minhas finanças sempre andam pela minha cabeça de uma forma ou de outra mas ultimamente a conjuntura tem trazido preocupações maiores que tem me feito questionar um pouco mais as minhas decisões de consumo. Para quem não nos conhece eu sou o lado consumista do casal.

Como tudo que envolve recursos limitados, há o debate eterno sobre qual a melhor aplicação desses recursos. As vezes o processo de escolha é extenuante. Recentemente trocamos a cama. Já havia algum tempo que meu sono vinha sendo perturbado pelas deformações do colchão que, não vou dizer a marca, durou bem menos do que a garantia indicada.

Quando começamos a procura tenho que admitir que fiquei chocada com os preços dos conjuntos de camas box dentro do padrão de qualidade e tamanho que estávamos procurando. Começamos a olhar em setembro, e acabamos deixando de lado até o final do ano assustados com os preços. Mas no fim a dor nas costas venceu a preocupação financeira. Saúde e qualidade do sono não é um supérfluo. Mas se não é, porque foi tão doloroso para mim tomar essa decisão.

Acontece que existem pesquisas sobre essa conexão entre gasto e dor. Scott Rick, um professor de marketing da University of Michigan, em conjunto com outros pesquisadores fez um estudo para mensurar como as pessoas se sentem sobre as suas decisões de consumo.  No percurso, eles descobriram algo interessante. Perdulários não sentem dor suficiente par o próprio bem, então gastam em demasiado, tem mais dívidas e sentem a culpa muito mais tarde, as vezes tarde demais. Pão-duros, por outro lado, sentem muita dor, que os leva a ter sentimentos de arrependimento por não ter gasto o suficiente. Rick acredita que é pior ser perdulário em função do custo financeiro adicional mas também não é bom ser pão-duro. O ideal seria estar no meio do caminho, no grupo chamado “sem conflito”.

“Spendthrifts are bad off financially and psychologically,” ele disse. “Tightwads have big bank accounts, but we find that they’re less happy than the unconflicted group.”

George Lowenstein, professor de economia e psicologia da Carnegie Mellon University, também investigou de perto a conexão psicológica entre dor e dinheiro. Segundo Lowestein, as pessoas experimentam uma dor de pagamento quando pagam suas compras e essa dor é mais intensa quando pagam com dinheiro do que com cartões de crédito. O uso de cartões de crédito é mais despreocupado.

Como Lowestein aorta  pagar em dinheiro é uma coisa física que resulta em ter menos dinheiro na carteira imediatamente. Você vê acontecer, e sabe que imediatamente tem menos dinheiro. E saber que terá menos dinheiro o torna menos suscetível a gastá-lo.

Quando você paga com cartões de crédito, por outro lado, sua ação está desconectada do gasto do dinheiro. Afinal o pagamento efetivo é posterior ao momento da aquisição. Em outras palavras, a dor vem depois quando a fatura chegar.

Não é difícil imaginar que esse foco na dor tem contribuído para uma relação não tão saudável com dinheiro. E se o foco for em alinhar nosso gasto com o que é realmente importante para nós. Em outras palavras, não deveria ser positivo gastar com as coisas que  valorizamos e estão no orçamento?

De fato, eu realmente acredito que o direcionamento certo faz que o consumo traga felicidade. Na próxima compra, vamos considerar:

  1. Cabe no meu orçamento? Em outras palavras, posso pagar por isso?
  2. É algo que valorizo?

Se a resposta para as duas questões for sim, acho que dá para acabar com a dor e aproveitar a compra. Quem sabe isso nos coloque no caminho da felicidade.

2014.03 – Você provavelmente tem coisas demais

janeiro 15th, 2014

Quando um homem chamado Andrew Hyde começou sua aventura minimalista, ele só possuía 15 coisas. Aumentou para 39 e hoje está em torno de 60. Tudo começou quando ele decidiu dar uma volta ao redor do mundo e vender tudo o que ele não precisava. Como o Sr. Hyde comenta no seu blog, mudou sua vida após um breve período de perplexidade:

I’m so confused by this. When we were growing up, didn’t we all have the goal of a huge house full of things? I found a far more quality life by rejecting things as a gauge of success.

Quando eu cruzei com essa estória de só possuir 15 itens, fui imediatamente inspirada a dar uma olhada no minha casa e reduzir a minha carga. A maioria das coisas que eu separei para doar vem, sem nenhuma surpresa, do meu armário. Uma quantidade grande de roupas e sapatos que eu parei de usar em algum momento mas continuaram no closet para o caso de… perder o peso extra, ser convidada para um evento black tie, sei lá. Na verdade eu não faço ideia de porque eu mantinha algumas coisas por ano sem usá-las ou que nem mesmo me serviam.

É claro que eu tenho bem mais que 39 coisas. E bem mais que 60 também, mas me livrar das coisas sem uso me fez sentir muito bem. Surpreendentemente bem. No processo, me dei conta que estava me apegando a coisas que estavam na verdade me custando algo nem que fosse só espaço que ocupavam. Esse é o paradoxo.

Quando ficamos presos a coisas que não mais usamos, nos custa alguma coisa. Que seja apenas o tempo de organizar a casa ou o armário. Não sei dizer quantas vezes eu adiei enfrentar o meu closet, e toda vez que escolhia o que vestir para trabalhar me lembrava que precisava organizar o espaço com urgência.

Apesar do exemplo do Hyde ser um caso extremo, Eu gosto de pensar que os casos extremos nos compelem a agir através da inspiração. Nesse caso me fez parar para pensar:

  • Por que exatamente eu acumulei tudo o que possuo?
  • O que eu poderia colocar fora sem sentir falta?
  • Eu ainda preciso disso?
  • O quanto me custa manter tudo o que eu tenho?

Talvez o apego às coisas venha da noção de que devemos estar preparados para tudo. Quando David Friedlander entrevistou o Sr. Hyde sobre o seu projeto, ele tocou nesse tema:

Americans in particular like to be prepared for the worst-case-scenario, having separate cookie cutters for Christmas and Halloween. We seldom consider how negligible the consequences are when we running out of something or are unprepared. Nor do we consider how high the consequences are for being over-prepared…

Pense nisso por um segundo: existe uma consequência para estar preparado em demasia. Em algumas circunstâncias a consequência é mais que o custo financeiro. Pode ser por exemplo um custo físico como precisar de mais espaço para guardar todas as nossas coisas.

De certa forma, nos leva de volta para a noção de comprar coisas de alta qualidade e mantê-las por um longo período de tempo.  Também ajuda pensar em termos de, “Tenho espaço – físico, emocional, etc – para trazer mais uma coisa para a minha vida?”

A idéia de reduzir as suas posses é tanto inspiradora quanto é igualmente difícil, então comece com simplicidade:

  1. No final da estação, revise as suas roupas. Se não a utilizou pelo menos 1 vez, doe.
  2. Esse processo vai gerar uma pilha de coisas, não tente vender. Doe para a caridade.

Você não precisa reduzir a sua vida para 15 coisas para sentir o impacto. Esse exercício é sobre esclarecer porque você tem o que tem e quanto isso te custa.

2014.02 – Porque vale a pena se esforçar para ser mais sustentável

janeiro 8th, 2014

O inventor Saul Griffith deu a seu filho recém nascido um Rolex e uma caneta Montblanc. Presentes estranhos, não? Mas para o Sr. Griffith, ele estava comprando o único relógio e a única caneta que seu filho precisaria na vida.

Durante os últimos anos, Saul tem argumentado que precisamos desenvolver coisas feitas para durar mais, o que ele chama de  heirloom design numa entrevista para Good:

An object with ‘heirloom design’ is something that will not only last through your lifetime and into the next generation, but that you also desire to keep that long because it’s beautiful, functional, and timeless.

Me fez pensar que talvez seja possível economizar dinheiro comprando um item de alta qualidade quando planejamos mantê-lo. Pode parecer um conceito revolucionário, mas me parece que podemos aplicá-lo a quase todas as compras.

E se ao invés de comprarmos coisas com prazos de validade para trocá-las, comprássemos coisas que durem? E se comprarmos com propósito, escolhendo items com design atemporal? E em linha com a idéia de gastar um pouco mais, aderirmos a idéia de comprar menos coisas mas com alta qualidade?

Obviamente, nem todas as decisões de consumo se enquadram nessa categoria. Mas duas perguntas podem separa o que faz sentido do que não faz:

  1. Eu espero que isso dure por toda a minha vida? Ou espero deixar de herança para filhos ou netos?
  2. Se calcularmos o custo por uso da compra, o resultado será um benefício considerando que utilizarei o item por mais tempo?

Custo por uso = Total pago dividido pelo número de vezes (ou período de tempo) que se espera utilizar o bem.

Muito do que compramos não esperamos deixar como herança. Mas isso não quer dizer que não deveríamos comprar coisas para durarem mais. É até uma questão de sustentabilidade.

Dependendo do seu momento de vida, você pode sentir que esse estilo de vida não é uma opção. E eu concordo que somos atacados o tempo todo pela noção de que tudo é passageiro, novos modelos de carro, novas tendências na moda, etc. Nesse cenário, pode ser tentador sempre comprar o mais barato e torcer pelo melhor resultado.  Historicamente eu e meu marido temos trocado de carro no máximo a cada 2 anos. Na nossa última compra (no inicio de 2013), discutimos a idéia de comprar um carro vintage como meu marido fala.  O conceito seria comprar um carro zero mas com um design atemporal e alta qualidade que possa nos acompanhar por muito tempo. Ainda não o implementamos, mas já escolhemos um automóvel que pretendemos manter por até 5 anos.

De muitas formas, nossos hábitos de consumo são uma parte de nosso legado. Para aderir a esse estilo de vida mais sustentável precisamos consumir de maneira mais sábia. A meta nesse estilo de vida não é comprar por comprar, mas comprar algo que você precisa que foi desenvolvido para durar o máximo possível.

2013.04 – As regras da Suze Orman

janeiro 26th, 2013

Na semana passada falei do Dave Ransey, então nessa vou falar da Suze Orman. A Suze Orman tem um programa semanal na TV americana sobre finanças pessoais que eu também tenho assistido como podcast através do itunes. Eu comecei a assistir esses podcasts como uma forma de manter o meu inglês afiado e também aprender um pouco sobre os temas que me interessam: nutrição, espanhol, finanças pessoais e fotografia basicamente.

Voltando ao programa da Suze Orman. Normalmente o programa tem alguns quadros recorrentes. Por exemplo, o  “one on one”, onde ela avalia a situação de uma pessoa (normalmente a beira de um colapso financeiro) e dá conselhos para sair do buraco.  Já no “how am I doing?“, a Suze avalia se a pessoa vai conseguir atingir a meta proposta, normalmente a aposentadoria em alguns anos. E, o meu favorito e mais engraçado, “can I afford it?”, quando ela aprova ou recusa o desejo de consumo das pessoas. O que eu acho mais engraçado nesse quadro é que mesmo quando ela é aprova uma pessoa que claramente tem os recursos para comprar o que deseja, ela normalmente critica aqueles desejos de consumo que considera fúteis.

Além do programa, a Suze Orman tem livros, ferramentas onlines, etc. Você pode saber mais sobre ela no seu site.

O que eu acho mais interessante no discurso dela são as regras.. Ela criou uma série de regras para diversas situações. Por exemplo, 8 regras da Suze Orman para as compras de fim de ano:

  1. Confie nos seus instintos. Sempre que sentir medo de gastar dinheiro, tome como um sinal de que está gastando dinheiro que não tem para impressionar uma pessoa que nem conhece ou gosta.
  2. Lembre-se do que se trata realmente o ato de dar presentes. As festas de Natal são a respeito de dar presentes. Mas um presente verdadeiro é o tempo dedicado, o carinho, a experiência conjunta, a consideração pelo outro.
  3. Não leve 5 anos para pagar 1 presente. Se você está comprando um presente que precisará parcelar por muito tempo, a probabilidade é de que o presenteado nem se lembre do presente quando você terminar de pagá-lo.
  4. Você está disposto a pagar 3x o preço? Com as taxas de juros atuais, um financiamento longo ou rolar o saldo do cartão de crédito pode multiplicar o custo do presente.
  5. Evite a obrigação de dar presentes. Se você não tem dinheiro sobrando, a probabilidade é de que a pessoa que estás presenteando também não o tenha. Seja honesto consigo e com os demais.
  6. Faça uma pergunta simples. Pergunte as pessoas o que elas ganharam de Natal no ano anterior. Repare no olhar delas.É provável que elas nem se lembrem.
  7. Junte os amigos e doe o presente. Porque não reunir com os amigos e ao invés de trocar presentes, propor levantar fundos para uma ONG ou para outra caridade.
  8. Troque para economizar. Dê uma olhada em casa. Você provavelmente tem coisas que nunca usou e podem ser vendidas num brechó ou mesmo presenteadas para alguém.

De novo, não estou endossando a Suze. Mas quanto mais opiniões sobre o tema melhor. Como Suze sempre diz no fim do show: “First people, then money, then things. Now you know.”

Viver mais leve..

outubro 13th, 2012

Hoje eu discutirei a administração das coisas, ou seja, dos items que vamos acumulando ao longo do tempo e que acabam ocupando todos os espaços ao nosso redor. Posso fazer uma lista de amigos e amigas que volta e meia reclamam que não tem mais lugar no armário mas também que estão precisando de isso ou daquilo. No meu caso, livros, sapatos e bolsas. Meu marido costuma brincar que eu podia trocar as minhas bolsas por um carro novo. Me parece que a maioria das pessoas de classe média e alta, inclusive eu, tem mais “coisas” do que precisa ou usa. O total acumulado de coisas  que ninguém usa é um sintoma de ineficiência econômica. Em outras palavras estamos empregando recursos financeiros escassos e restritos em “coisas” sem utilidade. Essa ineficiência é o que nos atrasa no caminho da independência econômica e talvez até impeça uma aposentadoria antecipada.

Desculpas típicas para acumular coisas:

  1. Eu preciso disso. (Resposta: Porque você não usou nos últimos 12 meses?)
  2. Eu talvez precise disso. (Resposta: Improvável, já que você não precisou nos últimos 12 meses.)
  3. Eu não sabia que ainda tinha isso. (Resposta: ??)
  4. Foi presente de um parente. (Resposta: Que tal repassar o presente?)
  5. É uma antiguidade de valor. (Resposta: Então venda!)

Tenho certeza que você consegue pensar em outras desculpas.

O principal problema aqui é que nos acostumamos a adquirir coisas novas sem pensar em alternativas. Como resultado, quase todo mundo tem pelo menos 1 coisa que não usa com frequencia como por exemplo um liquidificador que só saiu do armário 1 vez no último ano, ou uma coleção de livros ou DVDs parados na prateleira acumulando pó.

Eu costumo fazer uma limpa na casa de tempos em tempos. Mesmo assim ainda sou culpada dos delitos acima, especialmente livros e filmes. Nesses últimos dias fiquei enclausurada em casa tratando uma pneumonia e percebi que o meu closet está pedindo uma limpa. O primeiro passo é separar o itens sem uso daqueles que tem utilidade. Um bom começo é concentrar-se em tudo que não foi utilizado nos últimos 12 meses. Esse período cobre todas as estações e portanto é um bom parâmetro no que diz respeito a roupas e sapatos.

A pergunta é o que fazer com os itens a ser descartados?

Eu normalmente os passo adiante através de familiares. No meu escritório também há um ponto de coleta da campanha manobra solidária. Há ainda a possibilidade de vender itens para brechós ou organizar um chá com as amigas. Tenho que admitir que nunca tentei vender coisas usadas. Meu objetivo principal é desentupir a casa e ajudar alguém no processo se possível.

Os efeitos desse exercício podem incluir

  1. Ajudar outros a economizar.
  2. Economizar você mesmo. As vezes esse processo nos ajuda a reencontrar um item necessário que estava perdido no meio da bagunça.
  3. Pensar mais profundamente sobre as compras futuras.
  4. Diminuir a necessidade de espaço e de armários.
  5. Facilitar uma mudança.

Minha missão para o resto do fim de semana é separar os itens que eu não preciso no armário e doá-los na segunda-feira.

Como mudar hábitos de consumo

setembro 30th, 2012

Quando você chega ao caixa, o que te passa pela cabeça?

As datas de vencimento dos cartões de crédito para decidir como é melhor pagar a compra? Você mentalmente calcula o custo financeiro para decidir em quantas parcelas pagar ou negociar um desconto? Você avalia se realmente precisa do produto que está comprando, considerando o seu custo versus a oportunidade de usar esse dinheiro em outra coisa?

Ou você simplesmente paga e vai embora?

A maioria das escolhas que fazemos todos os dias podem parecer fruto de processo bem estruturado de decisão, mas na verdade não o são. São hábitos que adquirimos ao longo do tempo. E ainda que cada hábito individualmente pareça inconsequente, com o passar do tempo eles determinam como gastamos nosso dinheiro – assim como escolhemos a teleentrega, qual a frequencia com que nos exercitamos, e a maneira como organizamos a nossa rotina de trabalho – e tem um impacto enonrme em nossa saúde, produtividade, segurança financeira, e felicidade.

Uma pesquisa publicada por um pesquisador da  Duke University em 2006 indicou que 45% das ações que as pessoas executam todos os dias não são de fato decisões, mas sim hábitos. Grandes empresas já usam esse conceito para influenciar a produtividade de seus funcionários, e – sem que os consumidores percebam – o modo como as pessoas gastam o seu dinheiro.

O avanço dos estudos sobre neurologia nos permitem entender como um hábito é formado e mudá-lo quando necessário.

REGRA 1: Você precisa identificar seus hábitos
A dificuldade com hábitos é que eles quase sempre parecem inconscientes. Isso é porque o hábito se define numa região quase inconsciente do nosso cérebro: nos gânglios da base que atuam no controle motor em associação ao sistema corticoespinal no controle dos padrões complexos da atividade motora, por exemplo, escrever as letras do alfabeto.

Os estudos da última década indicam que existe um padrão basico intrínseco a cada hábito, uma espécie de ciclo neurológico que tem três partes: um gatilho (cue), uma rotina (routine) e uma recompensa (reward).

 

Para descobrir como você gasta, você precisa identificar seus hábitos de consumo – os gatilhos, rotinas e recompensas – que determinam como você administra o seu dinheiro.

Por exemplo, digamos que você tem o mau hábito, assim como eu de parar no caminho do escritório para comprar o café – por café no meu caso entenda-se um sanduíche farroupilha e uma coca cola. Esse hábito além de dificultar o controle do meu peso não parece um uso muito inteligente dos recursos já que a coca-cola na cafeteria custa 3 vezes mais que no supermercado.

Como você diagnostica e muda o seu comportamento? Identificando o ciclo do hábito. O primeiro passo é identificar a rotina que é a parte óbvia do ciclo: o comportamento que você quer mudar.

Minha rotina é que eu saio de casa toda manhã e passo na revistaria para comprar meu café que consumo no escritório.

Em relação ao dinheiro, algo parecido acontece quando uma pessoa entra numa loja, sente fome e passa pelo restaurante, ou recebe o salário e decide automaticamente quanto economizar para o futuro e quanto gastar na próxima semana. A rotina toma o controle — e as pessoas agem, quase sem pensar, de maneiras que podem engordar ou esvaziar suas contas bancárias.

Para assumir o controle desses hábitos, você precisa identificá-los E para isso, você precisa procurar por padrões no seu consumo. Pegue o extrato do seu cartão de crédito e se pergunte:

  • Quando você gasta? É mais comum durante a semana ou nos finais de semana? Manhãs ou tardes?
  • Você faz poucas compras de grande valor ou um monte de compras de pequeno valor?
  • Você gasta mais quando está com os amigos ou sozinho?

Não vai demorar muito para você encontrar alguns padrões básicos — e esses padrões indicarão as rotinas que determinam sua vida financeira.

A seguir, algumas perguntas menos óbvias: Qual o gatilho para essa rotina? É o tédio? Necessidades genuínas como alimentação e moradia? Você gasta para socializar ou para entreter-se sozinho? Você deseja as coisas que compra, ou a experiência de compra em si?

Para identificar os hábitos, você precisará de um pouco de experimentação.

REGRA 2: Procure pelas recompensas
Recompensas são poderosas porque elas satisfazem nossos desejos. Mas nem sempre temos consciência dos desejos que determinam nossos comportamentos.

Para identificar quais desejos estão provocando certos hábitos, é útil experimentar com diferentes recompensas. Se você, como eu, estiver tentando mudar o hábito da coca cola no café da manhã, eu sugiro que no primeiro dia do experimento, você tome um bom café da manhã antes de sair de casa, você precisa ajustar a sua rotina para que receba uma recompensa diferente. No dia seguinte, tente levar uma fruta para o escritório.

Deu para entender a idéia? O que você faz em troca do hábito anterior não é o que é importante. O importante é testar diferentes hipóteses para determinar qual o desejo que está determinando sua rotina. É uma necessidade de nutrição em si? Ou é para substituir a cafeína já que não tomo café de fato?

Consumo é da mesma forma: quando você normalmente gasta, tente fazer outra coisa.

Ao experimentar com diferentes recompensas, você pode isolar os gatilhos, o que é essencial para modificar um hábito.

REGRA 3: Isole os gatilhos
Experimentos demonstram que quase todos os gatilhos ficam em uma das 5 categorias:

  • Localização
  • Horário
  • Estado Emocional
  • Outras pessoas
  • Ação imediatamente anterior

Então, se você estiver tentando identificar um gatilho para a coca cola pela manhã, avalie as categorias acima:

  • Onde você está? (a caminho do escritório)
  • Que horas são? (Por volta de 8 da manhã)
  • Qual seu estado emocional? (sonolenta e faminta)
  • Quem está a sua volta? (ninguém)
  • Qual a ação imediatamente anterior? (me arrumar para sair)

Me parece que o gatilho do meu hábito é combater a sonolência já que não inclui na minha rotina matinal tempo para um café da manhã adequado antes de sair de casa.

De forma similar, quando você gasta (ou poupa), avalie as 5 categorias. Qual o gatilho desse fluxo de dinheiro?

REGRA 4: Tenha um plano
Uma vez que você identificou o ciclo do hábito – você já sabe a recompensa que determina o seu comportamento, o gatilho e a rotina em si – você pode começar a alterar esse comportamento. Você pude mudar para uma rotina melhor planejando o gatilho e escolhendo um comportamento alternativo que te traga a recompensa que precisas. O que você precisa é de um plano.

Um hábito é uma fórmula que nosso cérebro segue automaticamente:

Quando eu vejo o Gatilho, sigo a Rotina para obter a Recompensa.

Então, esse é o meu plano:

Antes de sair de casa farei uma refeição.

Óbvio que não espero que funcione imediatamente, então para a primeira semana eu comprei um fardo de garrafinha de coca cola para levar para o escritório. Vamos ver quanto tempo eu levo para mudar o meu hábito.

Mudar alguns hábitos pode ser bem mais difícil. Mas esse conceito é um começo. Algumas vezes as mudanças levam muito tempo. Algumas vezes você precisará experimentar e falhar várias vezes. Mas uma vez que você entenda como um hábito opera – uma vez que você entenda o gatilho, a rotina e a recompensa – você tem o poder de mudá-lo. E em relação ao consumo e a poupança funciona da mesma forma: uma vez que você identifique os gatilhos que causam consumo desnecessário, e a recompensa que se procura, o comportamento pode ser mudado.