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Já que Maio é o mês das noivas..

maio 8th, 2011

Existe uma expressão em inglês que se refere ao ato de casar: “tie the knot” o que quer dizer na tradução literal: dar o nó. Me parece bem apropriada para o casamento e suas consequências na vida do casal. Tudo é misturado com o casamento, os amigos, os projetos e, obviamente, o dinheiro – ainda que o casal mantenha contas bancárias separadas.

Como estou acompanhando a separação de um casal próximo, me pareceu oportuno escrever sobre o que deveríamos considerar, do ponto de vista das finanças, antes de dar o tal nó.

Lado financeiro

Basicamente há duas formas de administrar as finanças de um casal: conjunta ou separadamente. Eu e meu marido optamos por administrar nossas finanças de forma conjunta, temos apenas uma conta bancária ativa onde entram e saem todos os recursos. As óbvias vantagens de administrar de forma conjunta são a redução de custos de tarifas e o aumento do poder de barganha junto às instituições financeiras. Nós, por exemplo, não pagamos nenhuma taxa de serviço junto ao banco por manter nossos recursos investidos lá. Além disso, administrar conjuntamente facilita acompanhar as metas de curto e longo prazo. Existem algumas desvantagens, é claro, a principal na minha opinião é não conseguir dar um presente surpresa já que na maioria das vezes a compra já foi descoberta antes de eu chegar em casa.

A outra opção é manter as contas separadas, o que de certa maneira mantém um pouco a privacidade de cada um mas é preciso combinar uma forma de administrar as despesas comuns. Alguns casais que eu conheço mantém uma conta específica para as despesas comuns na qual os dois fazem uma contribuição que pode ser igual ou proporcional a renda de cada um. Outros, dividem as contas em si e cada um paga diretamente uma parte das despesas. Outros mantém um controle onde um dos dois paga tudo e o outro transfere os recursos para a conta do responsável pelos pagamentos.

Regime de bens

Qualquer que seja o método escolhido para administrar as finanças do casal, isso não influencia como os recursos seriam divididos numa eventual separação. Sei que ninguém se casa pensando que não vai dar certo, mas é bom entender o que acontece nessa hora. Na separação, os bens do casal são divididos de acordo com o regime de bens escolhido quando do casamento.

No Brasil, os principais regimes de bens são:

  • Comunhão total de bens – todos os bens, passados e futuros, pertencem igualmente a marido e esposa.
  • Comunhão parcial de bens – todos os bens adquiridos após o casamento pertencem igualmente a marido e esposa, mantendo-se os bens adquiridos antes do casamento (ou então recebidos como herança, a qualquer tempo) como pertencentes somente ao seu proprietário original.
  • Separação total de bens – não há compartilhamento de bens passados e futuros, sendo cada um dos nubentes titular único dos bens colocados em seu nome.
  • Participação final dos aquestos – é um sistema misto, pois enquanto durar o casamento, cada cônjuge tem a exclusiva administração de seu patrimônio pessoal. Após a dissolução da sociedade conjugal, apuram-se os bens de cada cônjuge cabendo a cada um metade dos adquiridos na constância do casamento.

Se os noivos não se manifestarem no momento do casamento, o regime será a comunhão parcial de bens. As pessoas com mais de 70 anos estão obrigadas a observar o regime de separação total de bens.

Para os que optaram por não oficializar o casamento e vivem em união estável, o regime será a comunhão parcial dos bens. O difícil nos casos em que não há uma declaração formal de união estável é dizer quando a união e, consequentemente, os bens começaram a se confundir.

 

 

5 coisas para fazer antes de dizer “sim” no altar

maio 12th, 2010

Como maio é conhecido como o mês das noivas, decidi falar um pouco sobre o que eu considero como preparação importante para todo casal que pretende embarcar nessa experiência.

Existem várias formas de administrar as finanças de um casal. Alguns preferem manter as finanças completamente separadas, outros decidem por unificar as finanças usando contas correntes conjuntas e ainda há aqueles que optam por um meio termo entre os dois.

No meu caso, eu e meu marido optamos por misturar completamente o nosso dinheiro. Ambos os nossos nomes aparecem em todas as contas bancárias e cartões de crédito. Compartilhamos cada centavo e consequentemente todas as decisões de consumo e investimento impactam os dois.

Não importa qual a sua escolha, seja ela manter a independência ou compartilhar tudo, você vai ter que conviver com as decisões de consumo do seu parceiro – para o bem e para o mal. Se você tem filhos, eles herdarão os frutos da sua vida financeira compartilhada.  Embora eu não acredite que o dinheiro sozinho pode destruir um casamento, me parece que certamente ele pode ser um obstáculo.  O certo é que não dá para fingir que dinheiro não tem nada a ver com o relacionamento e ignorar o assunto.

Culturalmente somos ensinados a ignorar a questão financeira ao escolher um parceiro. Os contos de fada estão cheios de exemplos de casos onde o amor prevalece sobre as diferenças de renda. Nossa sociedade também dá um contexto negativo as pessoas que valorizam o aspecto financeiro chegando ao extremo de rotular como golpista.

No final das contas, o que não se pode fazer é ignorar o assunto. A menos que o casal se expresse de forma diferente, a partir do dia do casamento, toda a vida financeira está de qualquer forma combinada já que o regime utilizado normamelmente é a comunhão parcial de bens.

Para estabelecer uma boa fundação para a sua vida financeira futura, aqui estão 5 aspectos que considero essenciais avaliar antes do casamento:

  1. Conheça a si. Antes de compartilhar os detalhes da sua vida financeira, tenha certeza de que os conheçe realmente. Se tem dívidas, procure saber qual o total delas e qual a taxa de juros que estás pagando. Saiba quais são os seus ativos e quanto eles valem no mercado. Sua cara metade deve amá-lo pela pessoa que és independente do seu patrimônio líquido, mas eventualmente todas essas informações serão importantes para as decisões conjuntas como comprar uma casa ou ter filhos.
  2. Conheça o seu parceiro. Num dia ensolarado quando ambos estiverem de bom humor, compartilhem as suas informações. Tente manter a mente aberta e não fazer julgamentos. Não há necessidade de sentir-se culpado por excessos do passado, a intenção aqui é preparar-se para o futuro. Você pode ajudar o seu parceiro a sair do endividamento ou o contrário. A minha vida financeira mudou para muito melhor com o casamento.
  3. Conheça os seus hábitos. Se você não costuma manter registro dos seus gastos, tente fazê-lo por um período de tempo. Esse tipo de informação pode ser muito útil para planejarem o futuro. Também é uma boa forma de se conhecer.
  4. Saiba o que quer. Como diz o ditado: “nenhum vento ajuda quem não sabe para onde vai”. O sucesso em qualquer coisa é relativo, você é bem sucedido em relação a um parâmetro, a uma meta. Em finanças pessoais não é diferente. O que você quer? Parar de trabalhar aos 40? Acumular R$1 milhão antes dos 30?
  5. E saiba como chegar lá. Se vocês já tem uma ou mais metas, é preciso estabelecer quais as ações que precisam ser tomadas para atingí-las. Toda decisão de consumo e de investimento deve ser um passo na direção das suas metas.

Eu não pensei nessas 5 dicas de forma objetiva antes de me casar, mas acabamos por cobrir todas essas questões eventualmente.  E me parece que estamos no caminho certo.

Boa sorte aos noivos!