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2013.21 Fundos de investimento

junho 23rd, 2013

Definição: Fundo de Investimento é um conjunto de recursos, captados de pessoas físicas ou jurídicas, com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aplicação em títulos e valores mobiliários. Em outras palavras: os recursos de todos os investidores de um fundo de investimento são usados para comprar bens (títulos) que são de todos os investidores, na proporção de seus investimentos.

Organização: um fundo é organizado sob a forma de condomínio e seu patrimônio é dividido em cotas, cujo valor é calculado diariamente por meio da divisão do patrimônio líquido pelo número de cotas em circulação.

O patrimônio líquido é calculado pela soma do valor de todos os títulos e do valor em caixa, menos as obrigações do fundo, inclusive aquelas relativas à sua administração. As cotas são frações do valor do patrimônio do fundo.

Funcionamento: o funcionamento dos fundos obedece a normas da CVM e a um regulamento próprio, que só pode ser alterado por decisão dos cotistas (ou, nos casos de necessidade de adequação à legislação vigente, por determinação da CVM).

O regulamento é o principal documento que regula o fundo de investimento e nele estão descritas as regras relativas ao objetivo, à política de investimento, aos tipos de ativo negociados, aos riscos envolvidos nas operações, às taxas de administração e outras despesas do fundo, bem como ao seu regime de tributação e outras informações relevantes.

Quais os Fundos de Investimento

No Brasil, além da classificação estabelecida pela CVM, existe uma subclassificação feita pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (ANBID), entidade representante de instituições que atuam na gestão e administração de fundos de investimento e outros serviços relacionados ao mercado de capitais.

A classificação da CVM para os fundos mais ofertados ao público está descrita na Instrução CVM nº 409/2004. O resumo abaixo, cujo propósito é meramente informativo, foi produzido com o intuito de tornar as informações sobre fundos de investimento mais acessíveis ao investidor não qualificado, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Classificação da CVM

Principais classes de fundos de investimento (regulamentados pela instrução CVM 409/04):

Fundos de Curto Prazo

Devem investir seus recursos, exclusivamente, em títulos públicos federais ou privados de baixo risco de crédito com prazo máximo de 375 dias e prazo médio da carteira de, no máximo, 60 dias.

São fundos cuja rentabilidade geralmente está associada às taxas SELIC ou CDI e considerados mais conservadores quanto ao risco, sendo compatíveis com objetivos de investimento de curto prazo, pois suas cotas são menos sensíveis às oscilações das taxas de juros. O crédito do resgate costuma se dar no mesmo dia da solicitação.

Fundos Referenciados

Devem acompanhar a variação do indicador de desempenho (benchmark) definido em seu objetivo, mantendo, no mínimo, 95% de sua carteira composta por ativos que acompanhem referido indicador. Podem utilizar derivativos apenas com o objetivo exclusivo de proteção (hedge), sem permitir alavancagem.

Dentre os referenciados, o fundo mais popular é o DI, cujo objetivo de investimento é acompanhar a variação diária das taxas de juros no mercado interbancário (CDI). Como este tipo de fundo procura acompanhar a variação das taxas de juros, pode se beneficiar de um cenário de alta dessas taxas. Geralmente o crédito do resgate se dá no mesmo dia da solicitação.

Fundos de Renda Fixa

Devem aplicar pelo menos 80% de seus recursos em títulos de renda fixa – públicos ou privados, pré ou pós-fixados – e ter como principal fator de risco a variação da taxa de juros e/ou de índice de preços. Podem utilizar derivativos tanto para proteção da carteira quanto para alavancagem. Nos fundos de Renda Fixa a rentabilidade pode ser beneficiada pela inclusão, em carteira, de títulos que apresentem maior risco de crédito, como os títulos privados. Geralmente o crédito do resgate se dá no mesmo dia da solicitação.

Fundos de Ações

São também chamados de fundos de renda variável e devem investir, no mínimo, 67% de seu patrimônio em ações negociadas em bolsa ou mercado de balcão organizado. Alguns fundos deste tipo têm como objetivo de investimento acompanhar ou superar a variação de um índice do mercado acionário, tal como o IBOVESPA ou o IBX.

Como seu principal fator de risco é a variação nos preços das ações que compõem sua carteira, podem ser compatíveis com objetivos de investimento de longo prazo e que suportem uma maior exposição a riscos em troca de uma expectativa de rentabilidade mais elevada. Geralmente o crédito do resgate se dá quatro dias após a solicitação.

Fundos Cambiais

Devem manter, no mínimo, 80% de seu patrimônio investido em ativos que sejam relacionados, direta ou indiretamente (via derivativos), à variação de preços de uma moeda estrangeira, ou a uma taxa de juros denominada cupom cambial. Os mais conhecidos são os chamados Fundos Cambiais Dólar, que buscam acompanhar a variação de cotação da moeda americana. Geralmente o crédito do resgate se dá no dia seguinte ao da solicitação.

Fundos de Dívida Externa

Devem aplicar, no mínimo, 80% de seu patrimônio em títulos brasileiros negociados no mercado internacional e podem utilizar derivativos, negociados no Brasil ou não, com o objetivo exclusivo de proteção. Os 20% restantes podem ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no exterior.

Os títulos componentes de sua carteira são mantidos fora do país. Para o investidor no Brasil, este fundo é uma forma ágil e de baixo custo operacional para aplicar em papéis do governo brasileiro negociados no exterior.

Fundos Multimercado

Devem apresentar política de investimento que envolva vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator em especial, podendo investir em ativos de diferentes mercados – como renda fixa, câmbio e ações – e utilizar derivativos tanto para alavancagem quanto para proteção da carteira.

Considerados os fundos com maior liberdade de gestão, buscam rendimento mais elevado em relação aos demais, mas também apresentam maior risco, sendo, portanto, compatíveis com objetivos de investimento que, além de procurar diversificação, tolerem uma grande exposição a riscos na expectativa de obter uma rentabilidade mais elevada. Nestes fundos, o crédito do resgate nem sempre se dá no mesmo dia da solicitação.

O Ranking dos fundos da Infomoney pode ajudar a identificar o fundo de investimento adequado para você.

2013.16 – Educação: investimento de retorno garantido?

abril 28th, 2013

Sou da opinião que a educação, e com ela a possibilidade de aprender, é um dos melhores investimentos, definitivamente. Com educação não só melhoramos nossa qualificação e consequentemente ampliamos às oportunidades de ampliar a nossa renda o que é um retorno direto do investimento como também nos ajuda a evoluir, em última instância, nos torna pessoas melhores.

Acredito que para conquistar espaço e ser reconhecido, é fundamental esforço para aprender. Sempre ouço pessoas citando exemplos como Bill Gates ou Steve Jobs, que não se formaram e conseguiram chegar muito longe. É verdade, mas todos eles foram pessoas que, mesmo fora da universidade, se empenharam muito em aprender. Segundo a pesquisa de Malcolm Gladwell para o livro “Outliers”, Bill Gates já tinha acumulado mais de 10.000 horas de programação quando criou a Microsoft.

Por isso, todo esforço que se faz é importante para conquistar algo lá frente (quem não se lembra do discurso de Jobs falando de “conectar os pontos”, não é mesmo?). Aprendizado pode acontecer (ou não acontecer) em qualquer meio: na faculdade, no trabalho, na rua, no convívio com amigos, em casa e por ai vai.

Em 2010, eu fiz uma experiência lecionando para alunos de graduação. Eu acreditava e ainda acredito que a Academia precisa de ajuda dos profissionais ativos no mercado para aproximar o conteúdo que é oferecido das demandas que os profissionais enfrentam ao ingressar no mercado de trabalho. Qual não foi a minha frustração ao enfrentar a falta de interesse, de respeito e de vontade de uma grande parcela dos alunos. O que tocou mais nesse processo foi perceber que a maioria dos alunos que eu conheci tem uma postura totalmente alheia, como se a responsabilidade pela formação fosse exclusivamente da Universidade e dos professores.

A responsabilidade de quem aprende é enorme. Não dá para ensinar quem não quer aprender. Até concordo, que talvez o problema seja mais profundo do que a simples falta de interesse. Nosso sistema educacional é, para dizer o mínimo, precário desde o ensino fundamental. Preparamos jovens que decoram conceitos para passar em algum exame.

Insisto mais uma vez que o conhecimento está à disposição de todos. Quem pode e tem a oportunidade de buscar uma universidade para realmente estudar, tem todo meu apoio. Mas, também vi muita gente que frequenta a faculdade como um local para encontrar os amigos no barzinho e nas festas apenas. Uma pena.

Depois desse desabafo, melhor voltar ao tema. Afinal, dá para dizer que o investimento em educação tem retorno garantido? Deveríamos fazer uma avaliação financeira ao escolher a carreira?

Segundo o IBGE, entre os brasileiros com 25 anos ou mais sem instrução ou com o fundamental incompleto, 71,6% não têm rendimento ou têm renda familiar de até um salário-mínimo por pessoa. Dos que completaram ao menos a graduação de nível superior, 10,7% tinham renda familiar de até um salário-mínimo por pessoa; 16,2% participavam de casas com renda entre dois e três salários mínimos por pessoa; e 20,5% tinham renda domiciliar entre três e cinco salários-mínimos por pessoa. Acho que podemos dizer que sim, educação tem uma relação direta com aumento da renda e, portanto, podemos assumir que investir em educação tem retorno do ponto de vista financeiro.

Por outro lado, tenho um pouco de resistência em aconselhar que a pessoa escolha a carreira com base em uma análise financeira. Eu acredito que a avaliação do mercado de trabalho é um componente importante na escolha da carreira mas não deve ser o único. De novo lembrando o discurso de Steve Jobs: você precisa encontrar o que você ama!

Stay Hungry. Stay Foolish.

2013.09 – O que não fazer

março 2nd, 2013

Há bastante tempo tenho escrito sobre o que fazer. Hoje resolvi salientar o que não fazer. A lista vem do livro “Investimentos Inteligentes”, do Gustavo Gerbasi.

  1. Ter uma única fonte de renda. O princípio básico da diversificação para administrar o risco de perda abrupta do rendimento familiar em caso de desemprego repentino do provedor. Esse risco também pode também ser mitigado pela criação de um fundo de emergência que garanta o cumprimento das obrigações da família por um período de 6 a 8 meses.
  2. Esperar sobrar dinheiro. Não adianta esperar que a sua renda se ajuste. A renda é a restrição, o que precisa ser ajustado é o seu padrão de consumo. Também vale lembrar que quanto mais cedo você começar mais o seu dinheiro trabalhará por você, esse é o milagre dos juros compostos, onde o tempo faz o bolo crescer.
  3. Trabalhar com muitas instituições financeiras. Se você espalhar muito o seu dinheiro, duas coisas podem acontecer no mínimo, um maior volume de taxas pagas às instituições financeiras e um custo de oportunidade pela escala nas negociações com os bancos. Um volume maior de recursos provavelmente lhe renderá melhores opções de investimento.
  4. Trabalhar apenas com uma instituição financeira. Você está limitado ao portfolio dessa instituição e sujeito ao seu risco de continuidade. Fique de olho. Aqui em casa trabalhamos com dois bancos, um público e um privado, ambos de grande porte.
  5. Querer começar grande. Quando se trata de dinheiro, o tempo é um fator tanto ou mais relevante que o montante.
  6. Poupar, ao invés de investir. Poupar é o primeiro passo, o segundo é encontrar o melhor uso dos seus recursos para obter o melhor rendimento possível, ou seja, é preciso investir.
  7. Ter um único investimento. É preciso diversificar para administrar o risco e também para buscar o melhor rendimento. Em tempos de juros baixos é preciso buscar alternativas.
  8. Sonegar impostos. A receita está cada vez mais equipada e as multas para os sonegadores são altíssimas. Faça a coisa certa!
  9. Contribuir desnecessariamente para o INSS. Se você é autonômo, provavelmente vale mais a pena investir o valor da contribuição por conta própria, do que dar dinheiro para o governo financiar a aposentadoria de outro.
  10. Manter o FGTS intocável. O FGTS rende menos que a poupança, qualquer alternativa é melhor. Avalie as oportunidades de saque permitidos.
  11. Não aproveitar as vantagens de um PGBL. É uma alternativa para a contribuição ao INSS e uma forma de planejar a sua aposentadoria.
  12. Hiperatividade ou giro excessivo nos investimentos. Cuidado com o impacto das taxas e dos impostos sobre a rentabilidade. Lembrem-se que alguns consultores de investimentos, especialmente em corretoras, ganham uma taxa a cada transação e seu interesse principal é estimular o maior número de operações possíveis.
  13. Paralisia nos investimentos. O mercado está sempre em evolução, o que era uma boa opção no ano passado pode não ser mais.
  14. Alavancagem com possibilidade de perda. Nunca tome dinheiro emprestado para investir com risco alto. A perda pode te pegar de surpresa.

2013.02 – O que fazer com o dinheiro em 2013?

janeiro 12th, 2013

Aquecimento da economia brasileira, medidas para combater a crise na Europa, acordo aprovado no Congresso americano para evitar a recessão em 2013. Todas essas notícias lembram o cenário otimista previsto para 2012 que não se concretizou.

Um fato que parece ter vindo para ficar é a redução dos juros na economia brasileira e, consequentemente, da rentabilidade das aplicações financeiras de renda fixa e baixo risco. O brasileiro vai ter que fazer ginástica e sair da dupla poupança/fundo di para melhorar a rentabilidade dos seus investimentos.

Outro efeito colateral do ambiente de juros baixos é que o prazo para acumular recursos necessariamente é maior. Essas condições reforçam a necessidade de começar a acumular recursos para aposentadoria o mais cedo possível e de ser disciplinado em relação aos seus investimentos.

Nos últimos dias, diversos artigos tem sido publicado indicando alternativas de investimento para buscar uma rentabilidade melhor como por exemplo os fundos imobiliários e títulos de dívida imobiliária, de infraestrutura e do agronegócio, ambos isentos de Imposto de Renda. Sem pagar o IR, os fundos imobiliários chegam a render 0,7% ao mês ou 8,73% ao ano líquidos.

Uma das variáveis mais importantes na economia brasileira ainda é a inflação. Se a inflação romper o teto da meta (6,5%), o Banco Central se verá obrigado a elevar os juros. Quem acredita nesse cenário deve preferir os fundos DI e os títulos pós-fixados, como as LFTs do Tesouro Direto.

Em 2012, a combinação não usual de inflação alta e taxa de juros baixa (normalmente quando a inflação sobe, o Banco Central eleva também as taxas de juros) impulsionou as aplicações atreladas ao IPCA, que tiveram rendimentos próximos de 20%.

Para escolher as melhores alternativas de investimentos é preciso considerar a sua tolerância ao risco, as taxas de administração e a tributação incidente sobre a opção de investimento sendo considerada.

Dilema de orçamento: Como decidir o que você pode gastar?

setembro 17th, 2011

Eu e meu marido estamos decidindo onde passar o próximo Reveillon e obviamente como vamos pagar por isso. No momento estamos divididos entre dois destinos no Caribe: Aruba e Punta Cana.

Temos alguns projetos para o próximo ano que terão um impacto importante de caixa, como pagar o saldo de um dos apartamentos que compramos na planta e trocar de carro. Além disso, vou levar minha sobrinha para Londres em fevereiro o que significa que terei mais gastos ainda.

Quanto podemos gastar nesse projeto?
A discussão central é quanto podemos gastar com a viagem e qual a melhor forma de pagar por esse “luxo”. Nossos planos de férias não são exatamente extravagantes, mas a época que estamos planejando ir ao Caribe é que tem um efeito de aumentar o custo da viagem. Nas propostas que recebemos até o momento, essa extravagância de Reveillón vai nos custar entre $2.700 e $3.900 dólares por pessoa por uma semana num pacote “All inclusive”.

Temos dinheiro suficiente em investimentos para pagar pela viagem, no entanto, estamos avaliando a possibilidade de parcelar esse custo e não resgatar nossos investimentos. De forma que esses recursos permaneçam reservados para atender as demandas já previstas para o próximo ano (trocar de carro e liquidar o saldo do apartamento que compramos na planta). A pergunta que fica é realmente queremos gastar cerca de R$10.000 com a viagem no final do ano?

Como tenho um reajuste de salário agora em outubro que não está considerado no orçamento, provavelmente o gasto adicional com a viagem não afetará de forma significativa as nossas metas de poupança para os objetivos de consumo do próximo ano.  E considerando que a semana entre Natal e Ano Novo é a minha última oportunidade de descansar antes da correria da temporada em auditoria, me parece que os R$10.000 em um praia do Caribe não poderiam ser melhor empregados.

Procurando equilíbrio
Ainda não decidimos o que fazer no reveillon, mas não pretendemos tomar nenhuma decisão que comprometa nossa capacidade financeira no próximo ano. Considerando o nossso orçamento de gastos e expectativa de receitas, me parece razoável gastar com uma semana de pernas para o ar numa praia qualquer. No entanto, todo mês quando fecho nossa planilha de fluxo de caixa, me parece que estamos sempre enfrentando dificuldades para atingir nossas metas de poupança. Sempre parece acontecer aquele imprevisto que eleva nossos gastos além do esperado.

A pergunta continua sempre a mesma: Quanto podemos gastar de fato? Como mensurar? A nossa ferramenta de orçamento é adequada?

É muito importante atingirmos nossa meta de ter recursos para liquidar o saldo dos apartamentos adquiridos na planta e podermos trocar de carro sem dívidas. Até o momento, estamos muito próximos dessas metas. Mas certamente é preciso manter nosso custo de vida sob controle para que essas metas sejam atingidas no próximo ano. É preciso encontrar um equilíbrio entre as nossas necessidades ou vontades de consumo e nossas metas.

Ultimamente venho tentando utilizar a fórmula do equilíbrio financeiro aplicada sobre a minha renda líquida, mas ainda não sei dizer se essa metodologia vai ser bem sucedida no médio prazo. Veremos!

Juros compostos versus aumento de renda – o que é mais importante?

setembro 10th, 2011

Através de um dos blogs que eu leio, acabei encontrando o site xkcd, mantido por Randall Munroe.

Essa semana uma das tirinhas fala de finanças pessoais. Especificamente, Munroe atacou o mito da mágica dos juros compostos. Ou pelo menos tentou. Aqui está a tirinha:

xkcd on investing

 

Claro que colocado dessa forma muitas pessoas podem ter dúvidas sobre a eficácia dos juros compostos. Eu particularmente acho ótimo. E não teho dúvidas de que funciona. Mas os juros compostos são apenas uma das ferramentas financeiras a disposição. Essas ferramentas incluem também orçamentos, consumo consciente e outras opção de investimento para aposentadoria como por exemplo os fundos de pensão patrocinado por empregadores. Vamos ser claros. Um investimento de alto retorno não te enriquecerá. De fato, nenhuma ferramenta financeira sozinha vai te tornar rico. Mas se usar de forma adequada todas as ferramentas disponíveis, você pode construir a vida dos seus sonhos.

Tentei vários cenários na minha velha e boa HP12 C e esse são os resultados.

    • Usando o exemplo da tirinha, se você fizer um único investimento de R$1.000 a uma taxa de retorno de 2% ao ano, em 10 anos você terá acumulado R$1.218,99.
    • Claro que se você começar com R$10.000, teria R$12.189,94 depois de 10 anos.
    • Usando um exemplo mais realista: Se você contribuir mensalmente R$500 num investimento que retorne 10% ao ano, depois de 10 anos você teria contribuído R$60.000 mas o seu saldo seria R$99.931,93.
    • Se você seguisse com o seu programa de investimento, depois de 30 anos, sua contribuição total seria R$180.000,00. Seu saldo final seria R$1.031.421,66
    • Para ser mais realista ainda, se considerarmos o retorno médio anual do Ibovespa nos últimos 10 anos (2001 a 2010), 15,3%, os seu investimento mensal de R$500 nesses 10 anos teria um saldo de R$132.067,42.
Nota importante: Muito embora o Ibovespa tenha apresentado uma variação anual média de 15,3% nos últimos 10 anos, ao avaliar períodos mais curtos observa-se uma volatilidade muito maior. No ano atual por exemplo, o índice já acumula perda de -19.25%.

Como se pode ver, não se deve ignorar o poder dos juros compostos. O retorno através dos juros compostos normalmente são um fator instrumental em aumentar a sua riqueza.

Ainda assim, Munroe enfatiza um ponto muito importante: o fator individualmente mais importante para determinar a acumulação de riqueza não é o retorno dos investimentos — é quanto você contribui para os investimentos. Em outras palavras, você não pode simplesmente separar uns trocados numa conta destinada a aposentadoria e esperar que tudo dê certo no final. Você tem que continuar contribuindo. Quanto mais você investe, mais o retorno através dos juros compostos trabalha a seu favor.

Essa é uma das razões que fortalece a noção de que sempre devemos estar atentos a oportunidades de aumentar a nossa renda. Ou pelo menos de aumentar a parcela de renda que destinamos aos investimentos. Se você realmente quer ter mais dinheiro – para pagar as dívidas, viajar pelo mundo, criar os seus filhos, entre outras coisas – então a melhor coisa a fazer é procurar maneiras de aumentar a sua renda.

Só não guarde o dinheiro dentro do colchão. Nem saia gastando por aí só porque uma tirinha na internet está dizendo que os juros compostos não são importantes. Procure sempre o melhor retorno de investimento possível. Ganhe tanto dinheiro quanto puder, invista com sabedoria, e com o tempo, a mágica dos juros compostos pode te ajudar a enriquecer.

Viver com menos do que se ganha..

abril 6th, 2011

Duas vantagens óbvias em viver com menos do que se ganha:

  • A primeira é que você pode economizar mais facilmente já que seu padrão de consumo é inferior a sua renda e você tem um superávit naturalmente.
  • E a segunda, é que se beneficia do poder dos juros compostos.

Me permitam demonstrar:

Imaginem que temos 3 indivíduos de 40 anos com o mesmo salário e mesma expectativa de idade para aposentadoria mas com padrões de consumo diferentes:

A B C
Renda anual R$34,000.00 R$34,000.00 R$34,000.00
Despesas anuais R$27,200.00 R$30,600.00 R$32,640.00
Poupança anual R$6,800.00 R$3,400.00 R$1,360.00
Taxa de poupança 20% 10% 4%

Taxa de poupança é o quanto o investimento representa da renda.

Considerando que os 3 indivíduos acima pretendem se aposentar aos 65 anos e assumindo uma inflação anual de 6% e uma taxa de retorno de 8% ao ano, em 2036 essa seria a situação de cada desconsiderando os eventuais benefícios da seguridade social:

A B C
Portfolio R$1,045,407.48 R$522,703.74 R$209,081.50
Despesas Anuais R$116,738.88 R$131,331.24 R$140,086.66
Taxa Renda x Despesas 8.96 3.98 1.49

A taxa Renda x Despesas representa o número de anos que o fundo acumulado vai cobrir desconsiderando o efeito dos rendimentos futuros.  O que esse resultado aponta além do óbvio fato de que ao poupar mais se acumula mais é o efeito dos juros compostos no tempo. O portfolio do indivíduo A vai cobrir mais do que o dobro de anos do indivíduo B e 4 vezes do indivíduo C.

Se isso não bastou para te convencer, podemos considerar a alternativa D que é não poupar nada para aposentadoria e viver com os benefícios do INSS se é que eles ainda vão existir em 2036.