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2013.18 – Quanto eu deveria ter em investimentos na minha idade?

maio 8th, 2013

Se você quer alcançar independência financeira você precisa implementar uma rotina de investimentos. Eu não quero ouvir desculpas sobre como é impossível investir com o pouco que você ganha. Se você ainda está na fase da negação, vá ler outra coisa. Caso contrário, a tabela adaptada do Financial Samurai que apresento a seguir é um bom parâmetro para avaliar o seu progresso.

Sua taxa de poupança deveria aumentar a medida que você ganha mais. Para que isso aconteça, seu consumo precisa crescer a uma taxa menor que a sua renda. O avô de um conhecido meu costumava dizer que uma pessoa bem sucedida vivia com apenas metade do que ganha. Não vou ser tão extremista aqui. Eu tenho adotado a fórmula do equilíbrio financeiro que prevê destinar 20% da renda líquida de impostos para investimentos.

O quanto você investe todo mês é importante, mas quando o objetivo final é a independência financeira, o mais importante é a taxa de cobertura das despesas já que cada um tem o seu próprio estilo de vida. Em outras palavras, quantos anos (ou meses) seus recursos acumulados em investimentos durariam?  Já que ninguém pode trabalhar para sempre, é preciso aumentar essa taxa de cobertura a medida que envelhecemos até o ponto onde começaremos a utilizar essa reserva.

Se você não tem idéia do quanto pode investir, comece com 10% da renda líquida e vá aumentando em 1% até que comece a doer.  Mantenha o investimento constante até que não doa mais, e então aumente em 1% novamente.

TAXA RECOMENDADA DE COBERTURA DE DESPESAS POR IDADE

A tabela abaixo foi adaptada do blog Financial Samurai, eu não incluí os valores pois o padrão de investimentos e o poder de compra do dólar para o real apresentam diferenças significativas. Mas a cobertura e as faixas etárias me pareceram bastante razoáveis e considera uma idade de aposentadoria entre 62 e 67 anos.

Taxa de cobertura de despesas = Investimentos / Despesas Anuais

Idade Categoria Taxa de cobertura de despesas
22-25 Acumulação 0,0 – 0,3
26-30 Acumulação 0,5 – 1,5
31-35 Acumulação 1,0 – 4,0
36-40 Exploração 3,0 – 6,0
41-45 Crise da meia idade 4,0 – 8,0
46-50 Exploração 6,0 – 10,0
51-55 Reta final 7,0 – 12,0
56-60 Reta final 8,0 – 15,0
61-65 Período de Sonho 10,0 – 20+
66-70 Período de Consumo 10,0 – 13,0
71-100 Período de Consumo 0,0 – 3,0

Aos 20 anos: Você está na fase de acumulação da sua vida. Você provavelmente está procurando por um bom empress que te trará uma renda razoável. Nem todo mundo encontra o seu emprego dos sonhos de cara. Na verdade, a maioria das pessoas troca de emprego algumas vezes até encontrar a sua “vocação”.  Você provavelmente comprou o seu primeiro carro financiado. Qualquer que seja o caso, você deveria estar poupando entre 10 e 25% da sua renda líquida de impostos. Se você puder investir esses 10 a 25% da renda líquida depois dos impostos e contribuir para um fundo de pensão até o limite da contribuição do seu empregador, melhor!

Aos 30 anos: Você ainda está na fase de acumulação, mas com um pouco de sorte e trabalho duro você já encontrou o que quer fazer para viver. Qualquer que seja o caso, você deveria ter pelo menos 1 ano de despesas coberto com os seus investimentos quando chegar aos 31 anos. Se você vive dentro das suas possibilidades e economizou 25% da sua renda, você provavelmente atingiu  meta de 1 ano de cobertura.

Aos 40 anos: Você está começando a se cansar de fazer a mesma coisa todo o tempo. Mas os seus dependentes estão contando com você para sustentar a casa. O que você pode fazer? Se você acumulou entre 3 a 10 vezes suas despesas anuais até os 40 anos, você está próximo de atingir a independência financeira.  Você possivelmente construiu algumas fontes de renda passivas ao longo do caminho, e seus recursos investido também estão gerando alguma renda.

Aos 50 anos: Se você continuou no plano terá acumulado entre 7 a 13 vezes suas despesas anuais e já começa  a ver a luz no final do túnel. Dependendo de como você passou a crise da meia idade (sem porsches ou 1000 pares de sapatos), você está no caminho certo para economizar ainda mais. Você já 100% alinhado com os seus hábitos de consumo e provavelmente poderia aumentar em 10% os seus investimentos para ajudar a última fase de acumulação.

Aos 60 anos: Parabéns! Se você acumulou entre 10-20 vezes as suas despesas anuais, pode começar a pensar em não trabalhar. Seu fundo acumulado já produz renda suficiente para viabilizar a aposentadoria ainda que o INSS possa levar mais algum tempo. Até porque se você realmente levou a sério o projeto de independência financeira, nunca contou com a previdência social mesmo. Você provavelmente não tem mais hipoteca para pagar. Por outro lado, os custos com saúde são cada vez mais altos com o avanço da idade.

Aos 70 anos e além: Claro, você provavelmente viveu com 65 a 80% da sua renda anual desde que começou a trabalhar. Agora você começa a viver com 100% e aproveitar a vida que lhe sobra. A expectativa média de vida do brasileiro é de 74 anos para homens e 78 anos para mulheres. Mas vamos ser conservadores e esperar que você viva até os 100. Assim você pode calcular a renda anual dividindo o valor acumulado, por exemplo, R$1.000.000,00 por 30 o que te dará R$33.000 por ano além da aposentadoria do INSS e do rendimento dos investimentos.

Nota importante: Obviamente ninguém pode prever o que vai acontecer para melhorar ou piorar as suas finanças. Talvez você tenha sorte e receba uma proposta de emprego fabulosa ou invista na próxima inovação da Apple. Ou talvez você seja demitido aos 40 anos e não consiga encontrar emprego por um certo tempo. A tabela acima é só uma orientação para estabelecer metas intermediárias no seu propósito de independência financeira.

2013.17 – FGV Online: Como organizar o orçamento familiar

maio 5th, 2013

Esse fim de semana eu conferi o curso online gratuito da FGV “Como organizar o orçamento familiar”. Para quem já fez treinamentos através de internet a interface será familiar e o conteúdo bem objetivo. Apesar de cobrir tópicos básicos o curso chama a atenção para a importância do planejamento financeiro familiar. Segundo dados do IPEA apresentado no curso:

A realidade das famílias brasileiras pode ser verificada na estatística que, recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA – publicou. Trata-se do Índice de Expectativa das Famílias – IEF.

O IEF indica a percepção que as famílias têm sobre seu grau de endividamento. Essa pesquisa aponta que 48,9% dos brasileiros têm dívidas, sendo que 8% se dizem muito endividados, 18,2% consideram-se mais ou menos endividados e 22,7% apontam que estão pouco endividados. Na outra ponta, 50,7% disseram não ter dívidas.

O maior problema apontado pela pesquisa é o fato de uma parcela de 37,7% de famílias não possuírem condições de pagar suas dívidas.

Ilustração 1 – Grau de endividamento por região do Brasil

Grau de endividamento por região

Região

Muito

endividado

page1image12192 page1image12616

Mais ou

menos

endividado

Pouco

endividado

page1image14776

Não têm

dívidas

Centro-Oeste

6,3%

8,1%

5,3%

79,7%

Nordeste

9,9%

21,7%

28,3%

40%

Norte

12,7%

39,3%

23,7%

24%

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Sudeste

7,2%

12,4%

18,1%

61,9%

Sul

5,2%

22,3%

33,9%

38,6%

Fonte – Ipea

Outra dica bem interessante do curso é o planejamento de emergência usando o método de orçamento ABCD onde você classifica as despesas da família conforme a seguinte legenda:

  • A – Alimentar
  • B – Básico: conta de água, luz, telefone,escola de filhos.
  • C – Contornável: aquilo que faz a vida melhor e, em uma eventualidade, você corta.
  • D – Desnecessário: por exemplo, ter cinco cartões de crédito.

Segundo a orientação, o valor total AB representa aqueles gastos que não podemos abrir mão. O curso recomenda estimar o fundo de emergência através da multiplicação do total AB pelo período de recolocação para a sua atividade. Um bom indicador seria considerar pelo menos 12 meses.