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Controle a paranóia com um Plano B (porque tudo sempre pode piorar)

outubro 24th, 2011

Eu tenho uma confissão: sou paranóica. especialmente no que diz respeito a minha própria vida. Mas também sou otimista. Então apesar te ter um milhão de planos e estar constantemente preocupada com o resultado, no fundo eu sempre acredito que vai dar certo.

Alguns autores, como o psicólogo Martin Seligman, acreditam que os pessimistas são mais precisos ao avaliar a realidade, mas os otimistas possuem melhor saúde física e mental. Em outras palavras os otimistas podem estar iludidos, então apesar de me considerar otimista, não custa nada manter um Plano B na manga. Para o caso de Andy Groove estar certo: só os paranóicos sobrevivem. Para quem não conhece, Andrew Groove escapou da Hungria comunista e se tornou co-fundador da Intel sempre repetindo esse mantra. (Ele também publicou um livro com o mesmo nome, tenho para emprestar se alguém tiver interesse).

Não, isso não significa que você deve viver constantemente em desconfiança, mas existe um certo valor em adotar uma atitute defensiva. Nos últimos 10 anos, tivemos quebradeiras no mercado de capitais, várias crises econômicas globais, demissões em massa, me parece que tudo isso justifica um pouco de paranóia em relação as finanças. Tanto do ponto de vista financeiro como pessoal, essa minha paranóia otimista me ensinou a ter sempre um plano em mente. E uma alternativa, como quais despesas cortar no caso de eu perder meu emprego e que outras alternativas profissionais eu poderia perseguir. Felizmente, nunca precisei colocar meu Plano B em ação, mas a sua existência sempre me trouxe uma certa paz de espírito.

Ultimamente, tenho pensado muito em como atualizar o meu Plano B. Algumas das razões são pessoais (quero melhorar minha qualidade de vida) e outras são globais, por assim dizer, como a crise financeira que parece ter vindo para ficar por um bom tempo. Não é preciso ser paranóico para se preocupar com o destino das minhas aplicações financeiras nesse ambiente hostil.

Se tudo isso te causa preocupação, talvez seja a hora de pensar no seu Plano B.

Renda Interrompida

Você já tem um Plano A – está vivendo ele. Não importa se é um documento escrito ou não. Mas seu Plano A começa com a sua renda atual, que determina o quanto pode gastar, quanto pode economizar, e quanto tempo vai levar para atingir as suas metas financeiras. Plano B é o que você fará no caso de acontecer uma interrupção na sua fonte de renda atual, seja a perda do emprego (se é colaborador de uma empresa) ou no rendimento dos seus investimentos (se é aposentado). As ações no seu Plano B precisam ter alguns componentes: ações que você pode tomar imediatamente para prevenir uma emergência ou aumentar suas chances de que recursos adicionais estejam disponíveis caso os necessite. Ações que você tomará caso a interrupção de renda ocorra — basicamente, uma estratégia pensada que você possa implementar imediatamente. Considere como essa estratégia pode afetar suas metas financeiras de longo prazo

Aqui estão alguns candidatos para seu Plano B:

  • Fique atento ao seu desempenho profissional. Não importa que tipo de emprego você tenha, avalie-se como se fosse autônomo e precisasse continuamente impressionar seus clientes para convencê-los de que gastar dinheiro com você é uma boa coisa. Consolide sua posição com a Companhia em que trabalha ou com seus clientes. Tenha uma lista de outros empregadores, ou tipos de emprego que você gostaria de perseguir caso aconteça alguma coisa com o seu trabalho corrente. Também se torne ativo em sua rede de contatos. Charles Purdy, editor sênior de empregos do site Monster.com, disse ao Wall Street Journal que “O erro que muitas pessoas cometem é apenas entrar em contato com a sua rede quando tem um favor para pedir. Eles não pensam sobre como ajudar as pessoas de sua rede de contatos e criar um espírito de cooperação e boa vontade.” Como indica o artigo, muitas oportunidades nem chegam a ser anunciadas e são preenchidas com indicações de funcionários da própria Empresa. Manter contato com pessoas aumenta sua chance de ficar sabendo dessas oportunidades.
  • Ter um colchão financeiro. Outra maneira de se referir ao fundo de emergência, ou melhor ainda, de replicar o mantra: viva com menos do que ganha. Manter seus gastos abaixo da sua renda tem benefícios defensivos: quanto menor seu padrão de consumo, menos será necessário em caso de emergência e você poder aceitar soluções temporárias que resultem em uma renda menor do que a atual.
  • Estabeleça prioridades nas despesas. Avalie cada linha do seu orçamento e você encontrará várias categorias que podem ser eliminadas em caso de necessidade: entretenimento, viagem, restaurantes, academia, e até mesmo o investimento, caso necessário. Nos acostumamos com algumas coisas que as consideramos necessárias mas na verdade tratam-se de luxos como a TV a cabo e o plano de dados do smartphone, entre outros. Quais são os itens do seu orçamento que você cortaria imediatamente em caso de aperto?
  • Venda alguma Coisa. Sempre é possível vender o carro ou colocar as jóias no prego se tudo o mais der errado. Dê uma olhada em volta, você possui um monte de Coisas em sua casa e provavelmente uma boa parte delas tem valor e pode ser vendida em caso de emergência.
  • Ajuste suas metas de longo prazo. Suas necessidades financeiras futuras – como renda da aposentadoria, dependem da taxa de retorno, do valor acumulado em ativos e da passagem do tempo. Se perdeu o emprego, talvez seja preciso ajustar o seu portfolio e reavaliar a sua meta de aposentadoria..

E no fim das contas, seja feliz

Viver com medo do azar não é a melhor forma de passar o tempo.  Seligman (e outros) provavelmente estão certos quando dizem que o pessimismo e a paranóia não são saudáveis. No livro “Zebras não tem úlceras”, o professor de neurologia de Stanford Robert Sapolsky explica que quando viviamos na natureza selvagem fugindo de leões, nossos corpos reagiam bem melhor ao stress.  Hoje, nosso stress é de baixa intensidade porém duradouro – um zunido constante em nosso cérebro que pode causar desde depressão até doenças cardíacas. Sapolsky aconselha a encontrarmos maneiras de ver mesmo a situação mais estressante como uma oportunidade de melhoria, mas não nos enganarmos com o otimismo cego. Equilibrar essas duas tendências opostas cuidadosamente. Esperar pelo melhor e dominar nossas emoções,mas ao mesmo tempo deixar uma pequena parte de nosso cérebro se preparar para o pior. Ter um Plano B pode ser essa pequena parte; uma vez que você o tem – e está preparado para implementá-lo – você pode aproveitar os bons tempos… enquanto durarem.

Quebrando a banca…

outubro 16th, 2011

Em primeiro lugar quero me desculpar pela ausência prolongada mas as duas ultimas semanas foram bastante corridas no trabalho. Na semana passada passei uns dias em Washington, D.C, nos Estados Unidos participando de um treinamento.  Apesar de ser uma viagem meio de última hora, tudo deu certo, e foi possível esticar uns dias para matar a saudade de uma das minhas cidades favoritas e ainda fazer umas comprinhas. Cada vez que faço compras nos Estados Unidos me pergunto por que as coisas são tão caras no Brasil. Por exemplo, tem alguma explicação para um tênis de corrida (Asics Gel Nimbus) custar R$266,80 incluindo o IOF nos Estados Unidos e R$599,90 no Brasil?

Alguém ganha muito dinheiro no meio do caminho. Isso para não falar nos eletrônicos. O Ipad Wi-Fi saiu menos de R$1.500 enquanto no Brasil custa R$2.199, vai entender.

O que fiquei me perguntando antes de embarcar na viagem era se valia mais a pena comprar dólares ou pagar o IOF sobre as compras no cartão de crédito. Bom, ainda bem que não comprei os dólares.  Pouco antes de viajar em função de toda a crise financeiro o dólar estava sendo vendido próximo a R$2,00. Meu cartão de crédito fecha em alguns dias, mas hoje, o dólar estimado na fatura está em R$1,82, ou seja, mesmo com os 6,38% de IOF ainda fica mais barato do que teria comprado próximo a viagem.

Claro que se você está planejando uma viagem com antecedência pode ficar de olho nas flutuações do câmbio e aproveitar para comprar a moeda em melhores condições sem correr o risco da variação cambial e pagar o imposto depois das compras.

Para a minha surpresa, devo voltar aos Estados Unidos várias vezes nos próximos meses e posso planejar melhor as minhas compras no futuro para quem sabe aproveitar tanto as flutuações favoráveis no câmbio quanto os bons preços da terra do Tio Sam.