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O que podemos aprender sobre carreira com Julia Child

setembro 28th, 2011

Há algum tempo atrás o meu interesse pela cozinha me levou a ler “Minha Vida na França” de Julia Child e Alex Prud’Homme.

Minha Vida na França conta a vida de Julia Child a partir de 1948 quando ela chegou na França sem saber coisa alguma sobre a cultura ou língua francesa, e muito menos ainda sobre a gastronomia que lhe tornou famosa em seu livro de culinária inovador, Mastering the Art of French Cooking, e seu show de TV, The French Chef.

O que isso tem a ver com finanças pessoais? Uma das coisas que me chamou atenção sobre Julia enquanto ela progrediu de um desastre culinário para um ícone norte americano foi a sua sabedoria aplicada no desenvolvimento de sua carreira.

Claro que eu não acredito que ela foi para a França com o propósito de se tornar uma chef consagrada, nem que pensava sobre isso quando teve sua primeira aula, mas  a sua paixão pelo trabalho e sua proatividade em buscar suas metas somadas a sua persistência quase canina não só a transformaram numa grande chef mas também a tornaram um nome conhecido para aqueles interessados em culinária francesa.

Sem mais delongas, seguem as 10 lições que podemos aprender com Julia Child:

  1. Invista em si. Julia não falava Francês quando chegou a França. De fato, ela diz que o seu Francês parecia piorar quanto mais ela tentava e ficava surpresa que alguém pudesse compreênde-la. “…minha incapacidade de comunicar-me era tremendamente frustrante,” ela escreveu. Uma noite depois de uma festa com maioria de pessoas falando em francês, ela atingiu seu limite. Declarou que aprenderia a falar a língua não importa o que custasse e se inscreveu em classe que se encontrava 6 horas por semana. Se você quer aprender alguma coisa ou desenvolver uma habilidade, corra atrás. Procure um curso de especialização, estude por conta própria, dedique-se.
  2. Siga a sua paixão. Os amigos de Julia, tanto americandos como franceses, pensavam que seu interesse pela culinária era um tanto exagerado. Cozinhar não era um hobby de classe média. Na verdade, eles não conseguiam entender como Julia se divertia fazendo compras, cozinhando e servindo comida. Mas Julia, encorajada por Paul,ignorou a todos e perseguiu sua paixão.
  3. Você nunca estará velho demais para aprender algo novo. Julia tinha 36 anos quando ela começou a aprender uma nova língua. Ela se matriculou na escola de culinária aos 37. Julia tinha uma constante necessidade de buscar conhecimento e não descansou até dominar e aprender tudo que chamava a sua atenção e curiosidade.
  4. Cultive entusiasmo. As palavras de Julia sobre comida ou sobre aprender a cozinhar praticamente saltam das páginas. Enquanto eu lia o livro muitas vezes fiquei tentada a deixar a leitura de lado e testar as receitas. Sua paixão é de certa forma contagiosa, pelo menos para alguém que compartilha os mesmos interesses.
  5. Aceite que para fazer qualquer coisa bem é preciso trabalhar duro. Julia não se satisfez com aulas de culinária e simplesmente traduzindo receitas para o padrão americano de medidas — sua cozinha era seu laboratório. Enquanto estava na aula de culinária, ela dedicava horas em casa investigando o como e o porquê do que ela havia aprendido naquele dia. Ao escrever receitas, ela testava todos os ingredientes e medidas indicadas, experimentou com maionese até que estivesse certa que ninguém poderia ter escrito mais sobre o assunto.
  6. Ignore os discursos auto derrotistas. Quando uma receita dava errado, Julia não ficava se punindo com comentários ou procurando justificativas para o fracasso. Ela simplesmente tentava de novo até encontrar o caminho certo. Normalmente você é melhor do que acredita, e quando alguma coisa dá errado, o conselho de Júlia é superar e aprender com os próprios erros.
  7. Solicite feedback da sua audiência. Julia era muito forte em solicitar feedback. Paul era normalmente a sua principal fonte, mas enquanto desenvolvia suas receitas, ela também as compartilhava com amigos e familiares na América para testes. Eles encontraram os ingredientes no supermercado local? Entenderam as instruções? Gostaram do vocabulário utilizado? Julia queria levar a culinária francesa para a audiência americana; ela sabia que não se tratava dela. Ela queria ter certeza de que sua audiência seria capaz de seguir as suas receitas — e ela realmente se importava com a gastronomia francesa.
  8. Amplie as suas habilidades. Julia dedicou-se a ensinar outros a cozinhar. Mas para fazê-lo bem, não bastava ser uma boa cozinheira, ela precisava aprender a ser uma boa professora. “Eu decidi que, apesar de cozinhar bem, minha apresentação não era clara…Senti que teria que dar pelo menos uma centena de aulas antes de saber exatamente o que estava fazendo.,” ela escreveu. Aprender a ensinar foi útil ao longo de sua carreira, tanto para escrever receitas como para apresentar seu show de TV.
  9. Sujeite as suas crenças ao teste prático. Na França, Julia escreveu, cozinhar é uma grande arte, que tem em si um certo dogmatismo. Mas ela não se satisfez aceitando coisas pelo valor de face. Ela preferia ver tudo como uma teoria até que tivesse testado ela mesma. Ela testava todas as receitas na sua cozinha e investigava os mitos antigos. Como se pode imaginar, aperfeiçoar uma receita tomava muito tempo e dedicação.
  10. Conheça o seu valor. Publicar Mastering the Art of French Cooking não foi fácil. As co-autoras de Julia queriam manter um agente que não respondeu suas cartas durante meses, mas graças a um pouco de networking, Julia conseguiu uma editora muito melhor para o seu projeto. Ela conhecia o seu valor antes do livro estar pronto, escreveu, “Concorrência nesse campo é dura, mas acreditamos que esse possa ser um trabalho muito importante sobre culinária francesa…e continuará a vender por anos.” No que ela estava totalmente correta, adquiri o meu exemplar esse ano.

Julia não ficou famosa como um guru de carreira, mas certamente sua sabedoria aplicada no próprio desenvolvimento foi o que fez ela famosa e permitiu que atingisse sua meta de vida: levar a comida francesa para a mesa de jantar americana e compartilhar sua paixão com o mundo.

Dilema de orçamento: Como decidir o que você pode gastar?

setembro 17th, 2011

Eu e meu marido estamos decidindo onde passar o próximo Reveillon e obviamente como vamos pagar por isso. No momento estamos divididos entre dois destinos no Caribe: Aruba e Punta Cana.

Temos alguns projetos para o próximo ano que terão um impacto importante de caixa, como pagar o saldo de um dos apartamentos que compramos na planta e trocar de carro. Além disso, vou levar minha sobrinha para Londres em fevereiro o que significa que terei mais gastos ainda.

Quanto podemos gastar nesse projeto?
A discussão central é quanto podemos gastar com a viagem e qual a melhor forma de pagar por esse “luxo”. Nossos planos de férias não são exatamente extravagantes, mas a época que estamos planejando ir ao Caribe é que tem um efeito de aumentar o custo da viagem. Nas propostas que recebemos até o momento, essa extravagância de Reveillón vai nos custar entre $2.700 e $3.900 dólares por pessoa por uma semana num pacote “All inclusive”.

Temos dinheiro suficiente em investimentos para pagar pela viagem, no entanto, estamos avaliando a possibilidade de parcelar esse custo e não resgatar nossos investimentos. De forma que esses recursos permaneçam reservados para atender as demandas já previstas para o próximo ano (trocar de carro e liquidar o saldo do apartamento que compramos na planta). A pergunta que fica é realmente queremos gastar cerca de R$10.000 com a viagem no final do ano?

Como tenho um reajuste de salário agora em outubro que não está considerado no orçamento, provavelmente o gasto adicional com a viagem não afetará de forma significativa as nossas metas de poupança para os objetivos de consumo do próximo ano.  E considerando que a semana entre Natal e Ano Novo é a minha última oportunidade de descansar antes da correria da temporada em auditoria, me parece que os R$10.000 em um praia do Caribe não poderiam ser melhor empregados.

Procurando equilíbrio
Ainda não decidimos o que fazer no reveillon, mas não pretendemos tomar nenhuma decisão que comprometa nossa capacidade financeira no próximo ano. Considerando o nossso orçamento de gastos e expectativa de receitas, me parece razoável gastar com uma semana de pernas para o ar numa praia qualquer. No entanto, todo mês quando fecho nossa planilha de fluxo de caixa, me parece que estamos sempre enfrentando dificuldades para atingir nossas metas de poupança. Sempre parece acontecer aquele imprevisto que eleva nossos gastos além do esperado.

A pergunta continua sempre a mesma: Quanto podemos gastar de fato? Como mensurar? A nossa ferramenta de orçamento é adequada?

É muito importante atingirmos nossa meta de ter recursos para liquidar o saldo dos apartamentos adquiridos na planta e podermos trocar de carro sem dívidas. Até o momento, estamos muito próximos dessas metas. Mas certamente é preciso manter nosso custo de vida sob controle para que essas metas sejam atingidas no próximo ano. É preciso encontrar um equilíbrio entre as nossas necessidades ou vontades de consumo e nossas metas.

Ultimamente venho tentando utilizar a fórmula do equilíbrio financeiro aplicada sobre a minha renda líquida, mas ainda não sei dizer se essa metodologia vai ser bem sucedida no médio prazo. Veremos!

Juros compostos versus aumento de renda – o que é mais importante?

setembro 10th, 2011

Através de um dos blogs que eu leio, acabei encontrando o site xkcd, mantido por Randall Munroe.

Essa semana uma das tirinhas fala de finanças pessoais. Especificamente, Munroe atacou o mito da mágica dos juros compostos. Ou pelo menos tentou. Aqui está a tirinha:

xkcd on investing

 

Claro que colocado dessa forma muitas pessoas podem ter dúvidas sobre a eficácia dos juros compostos. Eu particularmente acho ótimo. E não teho dúvidas de que funciona. Mas os juros compostos são apenas uma das ferramentas financeiras a disposição. Essas ferramentas incluem também orçamentos, consumo consciente e outras opção de investimento para aposentadoria como por exemplo os fundos de pensão patrocinado por empregadores. Vamos ser claros. Um investimento de alto retorno não te enriquecerá. De fato, nenhuma ferramenta financeira sozinha vai te tornar rico. Mas se usar de forma adequada todas as ferramentas disponíveis, você pode construir a vida dos seus sonhos.

Tentei vários cenários na minha velha e boa HP12 C e esse são os resultados.

    • Usando o exemplo da tirinha, se você fizer um único investimento de R$1.000 a uma taxa de retorno de 2% ao ano, em 10 anos você terá acumulado R$1.218,99.
    • Claro que se você começar com R$10.000, teria R$12.189,94 depois de 10 anos.
    • Usando um exemplo mais realista: Se você contribuir mensalmente R$500 num investimento que retorne 10% ao ano, depois de 10 anos você teria contribuído R$60.000 mas o seu saldo seria R$99.931,93.
    • Se você seguisse com o seu programa de investimento, depois de 30 anos, sua contribuição total seria R$180.000,00. Seu saldo final seria R$1.031.421,66
    • Para ser mais realista ainda, se considerarmos o retorno médio anual do Ibovespa nos últimos 10 anos (2001 a 2010), 15,3%, os seu investimento mensal de R$500 nesses 10 anos teria um saldo de R$132.067,42.
Nota importante: Muito embora o Ibovespa tenha apresentado uma variação anual média de 15,3% nos últimos 10 anos, ao avaliar períodos mais curtos observa-se uma volatilidade muito maior. No ano atual por exemplo, o índice já acumula perda de -19.25%.

Como se pode ver, não se deve ignorar o poder dos juros compostos. O retorno através dos juros compostos normalmente são um fator instrumental em aumentar a sua riqueza.

Ainda assim, Munroe enfatiza um ponto muito importante: o fator individualmente mais importante para determinar a acumulação de riqueza não é o retorno dos investimentos — é quanto você contribui para os investimentos. Em outras palavras, você não pode simplesmente separar uns trocados numa conta destinada a aposentadoria e esperar que tudo dê certo no final. Você tem que continuar contribuindo. Quanto mais você investe, mais o retorno através dos juros compostos trabalha a seu favor.

Essa é uma das razões que fortalece a noção de que sempre devemos estar atentos a oportunidades de aumentar a nossa renda. Ou pelo menos de aumentar a parcela de renda que destinamos aos investimentos. Se você realmente quer ter mais dinheiro – para pagar as dívidas, viajar pelo mundo, criar os seus filhos, entre outras coisas – então a melhor coisa a fazer é procurar maneiras de aumentar a sua renda.

Só não guarde o dinheiro dentro do colchão. Nem saia gastando por aí só porque uma tirinha na internet está dizendo que os juros compostos não são importantes. Procure sempre o melhor retorno de investimento possível. Ganhe tanto dinheiro quanto puder, invista com sabedoria, e com o tempo, a mágica dos juros compostos pode te ajudar a enriquecer.

Como lidar com fracassos financeiros

setembro 5th, 2011

Ninguém é perfeito. Isso deveria ser óbvio, mas tendemos a esquecer esse fato – frequentemente.  Julgamos as outras pessoas mais pelos seus erros dos que pelos seus acertos, e somos ainda mais críticos em relação aos próprios erros. Faço isso o tempo todo. Quando faço alguma coisa que sei que está errada (ou é apenas fútil), me arrependo e critico as minhas ações o que as vezes me leva a cometer mais erros.

Ultimamente, por exemplo, tenho me debatido com a reeducação alimentar e o programa de exercícios. Claro que sempre há um fator externo para culpar, como a fratura do pulso que me impediu de continuar com os exercícios por um tempo ou a correria de um prazo que me fez pular as refeições e comer qualquer coisa. A verdade é que fiz escolhas ruins. Felizmente não há danos permanentes. Na última semana, já retomei a caminhada e estou revendo a alimentação mais uma vez.

Nos anos que passaram, muitas vezes eu me debati com erros financeiros. De fato, eu ainda cometo alguns erros de tempos em tempos. Tenho certeza que não sou a única.

Ninguém atravessa a vida sem alguns erros. Ninguém enriquece sem tropeçar de vez em quando pelo caminho. Quando você faz algo idiota (ou quando algo estúpido acontece com você), é fácil sentir-se desencorajado.  Você pode desperdiçar muito tempo reagindo aos problemas  – reparos de emergência no carro ou na casa, gastos inesperados com a saúde ou outras coisas. A melhor forma de lidar com os imprevistos financeiros é se preparar para eles.

Na minha experiência, existem duas formas essenciais de se proteger de forma pró-ativa dos perigos financeiros:

    • Educação. Quanto mais você sabe, melhor pode lidar com os problemas. Leia livros de finanças pessoais, revistas, e blogs. Conheça pessoas que controlam suas finanças e busque conselhos. Aprenda como os outros lidam com experiências comuns. Um efeito colateral da educação é que reduz o stress; quando algo der errado, e acredite algo vai dar errado, você saberá que outros já encontraram uma forma de lidar com isso e que você também conseguirá.
    • Preparação. Educação sozinha não é suficiente. você também precisa dar os passos necessários para se preparar para erros e imprevistos financeiros. Uma das melhores formas de fazê-lo é criar um fundo de emergência, uma reserva de dinheiro para ser usada somente quando algo de errado ou imprevisto acontecer. Separar R$500, R$1000 ou R$10.000 numa conta de poupança ou outro investimento livre de risco é um seguro barato; com esse colchão, seus planos financeiros não podem ser derrubados por uma crise isolada (a menos que seja um tsunami, é claro). Outra forma, é ter certeza que a sua coberta de seguro (vida, saúde, carro e casa, por exemplo) é adequada para enfrentar eventuais problemas.

Mesmo que você esteja preparado e educado, você ainda vai cometer erros de vez em quando. A despeito da minha constante vigilância, eu ainda saio da livraria com meia dúzia de livros de vez em quando. Ou volta para casa com um carro novo uma vez por ano.

É importante saber como se recuperar quando as coisas ruírem. Algumas das minhas estratégias para minimizar os danos:

    • Não entre em pânico. Relaxe e não surte. Depois de cometer um erro, dê um tempo a si mesmo (sem gastar mais dinheiro ainda, é claro) para avaliar a extensão dos danos. Como o ditado, não adianta chorar o leite derramado. Algumas vezes, apenas deixando passar alguns dias, é possível encontrar a perspectiva necessária para solucionar o problema.
    • Se possível, desfaça o erro. Alguns erros são reversíveis. Se for possível devolver o que comprou, devolva. Se não for, avalie se é possível vender algo para cobrir o rombo..
    • Não se enterre mais ainda. Dinheiro gasto é dinheiro gasto. Mas só porque você gastou R$600 no plano da academia que você não vai frequentar não precisa se iludir e gastar mais ainda com roupas para exercício ou um tênis novo. Não use o seu erro para justificar outros gastos desnecessários só para esconder a sua culpa.
    • Mantenha as suas metas em foco. Um erro é só um atraso no processo: um bloqueio no caminho para algo mais importante. Aceite o passado e foque no futuro.

Erros podem ser desencorajadores – eu sei – mas lembrem-se que erros podem ser um aprendizado disfarçado.

Existe um ditado japonês sobre perseverânça que traduz como “caí 7 vezes, me levantei 8”. Eu gosto da idéia, profissionalmente, costumo dizer que as pessoas bem sucedidas na carreira que escolhi foram aquelas que não desistiram nos momentos de dificuldade.  Acho que se pode dizer que os bem sucedidos caíram tantas vezes quanto os mal sucedidos, a única diferença é que os bem sucedidos aprenderam com os seus erros, levantaram e continuaram marchando na direção de suas metas.