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Porque a força de vontade nem sempre é suficiente

agosto 30th, 2011

Uma barra de chocolate pode  te ajudar a economizar dinheiro. Não apenas alguns trocados. Se usado corretamente, poderia potencialmente economizar milhares de reais.

Essa é a chamada de uma nova pesquisa sobre um fenômeno chamado fadiga decisional, “decision fatigue” é o termo utilizado em inglês. Fadiga decisional é o que acontece quando uma pessoa tem opções em excesso. A medida que o seu cérebro cansa, você toma decisões piores.

Como publicado pelo  New York Times:

“Decision fatigue” ajuda a explicar por que pessoas normalmente sensíveis se tornam violentas em relação a colegas e familiares, gastam compulsivamente em roupas, compram junk food no supermercado e não conseguem resistir ao apelo comercial do Polishop. Não importa o quão racional e controlado você tente ser, você não pode tomar decisão após decisão sem pagar um preço biológico.

É diferente da fadiga física – você não está consciente de estar cansado – mas você está com baixa energia mental. Quanto mais escolhas você faz durante o dia, mais difícil cada escolha adicional se torna para o seu cérebro, e eventualmente você procura por atalhos, usualmente há dois caminhos muito diferentes.

Um atalho é se tornar irresponsável: agir impulsivamente ao invés de dedicar energia para avaliar adequadamente as consequências. O outro atalho é o meio mais eficiente de economizar energia: fazer nada. Ao invés de agonizar sobre as decisões, evitar todas. Adiar uma decisão muitas vezes pode trazer problemas maiores no futuro, mas de imediato, reduz o desgaste mental.

Se você já prestou atenção aos seus hábitos de consumo, provavelmente está familiarizado com a fadiga nas decisões, mesmo que você não conhecesse o termo técnico.  Eu acredito que é a fadiga nas decisões que dá momentum aos ataques consumistas, aquela tendência que o  mantém gastando dinheiro depois da primeira compra.

Força de vontade limitada
Pesquisadores estão descobrindo que força de vontade é um recurso não renovável. Algumas pessoas tem mais que outras. É possível fortalecer a sua habilidade de resistir a impulsividade e as más escolhas. Acreditem, sou um exemplo vivo. Mas ninguém é capaz de tomar decisões com a mesma qualidade o tempo todo. Vamos cansando e esgotando nossa força de vontade nos tornando suscetíveis a decisões ruins até que nossa força seja recuperada.

Esse é um fenômeno que afeta mais aos pobres do que aos mais afortunados. Porque tem menos recursos, aqueles que são pressionados pela falta de dinheiro estão sempre avaliando os prós e os contras de todas as decisões, mesmo as menores. Pode ser trivial para uma pessoa gastar R$25 em um almoço com amigos. Para outra, esses mesmos R$25 podem fazer toda a diferença em seu orçamento doméstico

Quando alugar faz mais sentido que comprar?

agosto 20th, 2011

Já discuti em uma publicação anterior a questão do aluguel versus compra da casa. Mas a questão de aluguel versus compra, na verdade, é mais ampla do que apenas a casa própria. Podemos fazer mesma discussão com coisas do dia como acesso a filmes ou música. A maioria das pessoas espera que alguém que se propõe a falar de finanças deveria incentivar as pessoas a comprar coisas e não jogar dinheiro fora com aluguel das coisas que gosta.

Esse é certamente um conceito interessante. No meu caso, sou contraditória: prefiro alugar um imóvel na melhor localização possível do que comprar um imóvel que fique distante, isso considerando que vou usar o mesmo valor para alugar ou pagar um financiamento. Outras coisas como música e filmes, prefiro normalmente comprar do que alugar ou fazer uma assinatura para conteúdo. Assim, acho que eu diria que tanto comprar como alugar pode ser uma coisa boa. No fim, me parece que a questão não é usar um caminho ou outro, mas sim encontrar a melhor solução para alcançar o que você precisa ou procura.  Algumas vezes, você gastará mais dinheiro alugando do que se comprasse direto. Em outras, o contrário é verdadeiro.

A maior parte das coisas não são investimentos. Elas perdem valor no momento que você as leva para casa e continuam a se depreciar ao longo do tempo. Isso é um fato para quase tudo desde carros até vestidos de noiva. Existem algumas coisas que podem se valorizar ao longo do tempo como imóveis ou itens de coleção.

A nossa decisão, no entanto, as vezes é influenciada por aspectos culturais e psicológicos. Por exemplo, qual brasileiro não esperou e se endividou ansiosamente pela compra do primeiro carro ou casa?

Em alguns países, foi identificado um movimento de pessoas que se consideram consumidores transitórios ou transumers. Essas pessoas fazem um esforço para possuir o mínimo possível, alugando o que precisam ou desejam. Eles não são os novos hippies. Eles são jovens profissionais que alugam carros, mobílias e, às vezes, até as roupas. Eles só querem se manter na crista da onda, acompanhando as últimas tendências.

Alugar ou Comprar?

Como decidir então entre comprar ou alugar? No final das contas o objetivo é minimizar a despesa para adquirir as Coisas que deseja.

    • Considere o custo. Quanto custa para comprar o objeto? Qual a taxa de aluguel? Quanto tempo de aluguel até você ter pago o valor de compra do bem?
    • Considere a frequência que você usa o item. É algo que você só vai usar poucas vezes, como uma lavadora de alta pressão ou um vestido de festa? Ou algo que você precisa ter a mão o tempo todo, como um tênis de corrida por exemplo?
    • Considere por quanto tempo você pretende usar o item. Você pretende manter essa residência por um ano, ou pelos próximos 20 anos? Precisas de um automóvel para os finais de semana ou para o deslocamento diário ao trabalho?
    • Considere o valor de revenda. O item se valoriza ao longo do tempo ou vai perdendo o valor pelo uso ou pela mudança de tecnologia?
    • Considere o impacto do seu uso no item. Algumas das nossas coisas simplesmente se deterioram. Outros sofrem pouco impacto pelo uso. Você vai comprar um sofá que vai ser destruído por crianças ou pelo cachorro?

Não existe uma resposta simples para a questão aluguel versus compra.

O importante é considerar os aspectos acima para determinar o que faz mais sentido para você. Não é uma equaçào matemática que vai chegar a uma solução perfeita. Mas se fosse para simplificar você deveria comparar o custo do aluguel pelo tempo que pretende manter o bem com o seu custo de aquisição e manutenção pelo mesmo tempo.

Além do custo, é preciso considerar os aspectos psicológicos. As pessoas parecem preferir comprar as Coisas do que alugá-las. Com exceção do imóvel, eu raramente alugo outras coisas. Sou dona do meu carro, dos meus DVDs,  CDs e livros. Considerando o ritmo em que troco de carro, talvez alugar fizesse mais sentido mesmo.

Em tempos de crise..

agosto 14th, 2011

A ciranda dos mercados anda, no mínimo, emocionante nos últimos tempos. Em tempos de crise, toda a cautela é bem vinda e vale a pena rever todas as bases:

Na bolsa

Se você tem ações ou fundos de investimento de renda variável e não vai precisar dos recursos durante o próximo ano, é melhor deixar o dinheiro investido na esperança de uma recuperação e não realizar a perda. Se você vai precisar do dinheiro, é bom conversar com o seu corretor e monitorar o mercado para tentar acertar a saída em dias de alta como foram a última terça e quinta.

Se você quer entrar na bolsa, a maioria dos especialistas concorda que o  melhor é entrar na baixa. Mas sempre é bom lembrar que não devemos investir em renda variável recursos com prazo para resgate curto e é preciso ter estômago para emoções fortes.  E mesmo aproveitando a baixa da crise é preciso estabelecer uma estratégia para investimento, não saia por aí comprando ações só porque estão baratas.

No bolso

Em tempos de instabilidade é bom ter cautela. Se você já tem um fundo de emergência, ou se você já poupou o necessário para comprar à vista o carro, a casa ou aquele aparelho eletrônico que estavas esperando não vejo motivos para a adiar a compra. Já quem planeja um financiamento deve rever as suas prioridades. Se a crise se agravar é possível que os juros sejam reduzidos, o que significa um financiamento pode sair mais barato no futuro próximo.

Se você não tem um fundo de emergência, comece imediatamente. Tempos de crise podem trazer desemprego.

Preços

É difícil de prever o comportamento dos preços em tempos de crise. Por um lado existe uma tendência de buscar a segurança dos ativos reais o que pode elevar os preços do mercado imobiliário por exemplo.  No  entanto, considerando a alta significativa observada nos últimos anos no Brasil, é possível que o ajuste de preços seja para baixo.

Dada imprevisibilidade, se o seu orçamento ainda não está equilibrado, melhor revisar o seu comportamento imediatamente.

Coloque o cartão de crédito para trabalhar por você

agosto 6th, 2011

Se você é como a média dos brasileiros, já tem cerca de 1/3 da renda comprometida com dívidas e costuma contar com o limite do cartão de crédito como parte da sua restrição orçamentária, em outras palavras, você usa o cartão de crédito como multiplicador de sua renda. Muito cuidado nessa hora, você está trilhando um caminho a beira de um abismo. Está vendendo o almoço para comprar o jantar, como diz o ditado. No entanto, essa não é uma apologia para abandonar os cartões de  créditos.

Eu, pessoalmente, vejo duas vantagens para o uso do cartão de crédito:

  • Facilitar o monitoramento dos gastos. Concentrar os gastos no cartão de crédito facilita bastante o trabalho de monitorar o destino do meu dinheiro, basta revisar a fatura todo mês e ainda posso copiar e colar os lançamentos do extrato na internet para a minha planilha de controle. O meu extrato inlusive mostra um gráfico com as categorias de despesas e o valor já comprometido com compras parceladas.
  • Acumular pontos. No meu caso, o cartão de crédito que utilizo tem um programa de recompensa que permite acumular pontos para trocar por produtos e serviços bem como por milhas nas companhias aéreas.

No entanto, o uso adequado dos cartões de crédito exige alguns cuidados:

  1. Procure um cartão sem anuidade. A maioria dos bancos oferece cartões sem anuidade baseados no seu relacionamento com a instituição, também é comum as ofertas sem anuidade no primeiro ano que pode ser negociada na renovação.
  2. Pague a fatura integralmente todo mês. Lembre-se da regra de ouro: gaste menos do que ganha. A fatura do cartão de crédito tem que ficar dentro da sua renda disponível.
  3. Escolha um cartão com um bom programa de recompensas e use-o a seu favor. Os programas de recompensa oferecem de tudo, desde assinaturas de revistas a milhas para serem trocadas por passagens aéreas.
  4. Monitore cada centavo gasto.
Agora se você não consegue se controlar, coloque o cartão de crédito no congelador, literalmente!