Archive for junho \26\UTC 2011

Carpe diem, quam minimum credula postero

junho 26th, 2011

Perdoem o meu latin, mas a maioria das pessoas está familiarizada com a primeira parte dessa expressão atribuída a Horácio. Carpe diem ou “aproveite o dia” foi utilizada em 1989 no filme Sociedade dos Poetas Mortos onde o professor interpretado por Robin Williams incentivava seus alunos a aproveitarem o dia e tornarem suas vidas maravilhosas.

Eu não tenho idéia do que Horácio tinha em mente nessa expressão, mas uma tradução para a citação completa seria algo na linha de “aproveite o dia, deixe o mínimo possível para amanhã”. Na minha leitura a recomendação é clara: não procrastine.

Esse conselho serve para tudo, desde cuidar de suas finanças até cuidar de sua saúde. Recentemente eu venho me debatendo com a preguiça e a procrastinação no que diz respeito ao cuidado com a minha saúde. Ou melhor a minha incapacidade de manter um regime de exercícios físicos e boa alimentação. Sempre há uma desculpa, aquela inflamação no ombro recorrente, ou o meu vício em coca-cola, que sempre me desviam do caminho.

Em finanças pessoais não é muito diferente. É preciso estar sempre alerta para não se desviar dos planos e atingir suas metas. É preciso se concentrar no que é importante antes de mais nada. Assim, vamos recapitular:

  • Investa o quanto puder o mais cedo possível. O fator mais importante para determinar quanto você terá poupado para a sua aposentadoria é exatamente esse, o quanto você é capaz de poupar. Quanto mais cedo você começa a poupar, mais o poder extraordinário dos juros compostos trabalhará para você. Não importa se você só consegue poupar R$50 ou R$10, qualquer valor é melhor que nenhum valor.
  • Construa o seu fundo de emergência assim que possível. Coisas ruins acontecem. Pessoas adoecem, coisas quebram, e o destino é uma incógnita. Um fundo de emergência é como um auto-seguro: é um modo de amenizar as coisas negativas que acontecem ao nosso redor. Construa uma poupança de emergência o mais rápido possível, e  no maior valor que puder.
  • Pague suas contas assim que as receber. Pode parecer sem significado. Mas se você deixa para pagar as contas no último minuto, é possível que caia em tentação e use os recursos para outro fim. E adivinhe só, vais ter que pagar as contas de qualquer forma e isso só te levará ao endividamento. Tire as contas do caminho, se possível automatize o processo. Concentre-se em reduzir as contas e não em adiar o pagamento.
  • Elimine o endividamento assim que puder. A essas alturas, acho que isso é meio óbvio. O endividamento suga a sua alma e a sua conta bancária. Ao eliminar as dívidas, você elimina o pagamento de juros, liberando esses recursos para outros usos.
  • Resumo da ópera: NÃO PROCRASTINE. Comece a cuidar das suas finanças hoje mesmo.

    E como disse o professor, torne a sua vida extraordinária!

    Experimento Psicológico 2 – Primeira Semana

    junho 25th, 2011

    Excelente resultado. Na primeira semana gastei apenas 71% da verba designada, ou seja, tive um superávit de 19%. O valor gasto teve a seguinte distribuição:

     

    Achei bem mais fácil me preocupar com o valor total dos gastos, ao invés de ficar avaliando cada compra para determinar se atendia ao critério de essencial ou não. Me parece que a primeira semana foi um sucesso. Tudo bem que tenho um motivo adicional para controlar os gastos. Estou planejando uma viagem para os Estados Unidos no início de setembro e a idéia é poupar os recursos para gastar por lá.

     

    Endividamento das famílias brasileiras

    junho 23rd, 2011

    Essa semana estava esperando ser atendida no consultório médico quando me deparei com o artigo “Dinheiro no divã” na Revista Istoé de 04.06.2011. O artigo traz alguns dados interessantes: o brasileiro anda gastando mais do que ganha, 48% da população tem dívidas e 8% está muito endividada segundo as informações do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) citadas no artigo.

    Hoje pela manhã estava lendo a Zero Hora de ontem quando me deparei com um artigo afirmando que segundo a pesquisa da Fecomércio de São Paulo, as famílias de Porto Alegre tem o maior endividamento médio no Brasil. Segundo o artigo, o valor mensal atingiu R$2.145 entre janeiro e maio desse ano, representando 30% da renda, o que nos coloca bem acima da média nacional de R$1.527.

    Nos dois artigos, a culpa é atribuída a fatores como inflação aliada a estagnação dos salários e  facilidade  de crédito que  levam as famílias a comprometer uma parcela cada vez maior da renda com consumo. O artigo da revista Istoé também atribuí uma parcela de culpa às famílias:

    “O dinheiro está no nosso dia a dia, mas não falamos sobre ele. Não fomos educados para lidar com as finanças e reproduzimos padrões familiares sem saber”, explica a psicóloga paulista Valéria Meirelles, especializada em psicologia do dinheiro.

    Concordo com essa afirmação, mas me parece um pouco simplista. Há que se avaliar com mais cuidado os tais padrões familiares que reproduzimos. No meu caso, se pensar na situação dos país enquanto eu crescia, consigo entender porque a principal preocupação era o consumo imediato. Os níveis salariais eram bem mais baixos, a inflação era galopante e o crédito restrito, de forma que a maioria da população dedicava todos os seus recursos ao consumo de itens primários. Me lembro de acompanhar meus pais nos ranchos mensais que aconteciam imediatamente após o recebimento do salário onde literalmente estocávamos comida como se uma guerra fosse iminente. Também me lembro de que fazíamos consórcios para coisas como  um microondas ou uma filmadora.

    Meu ponto é que apesar da diferença nas condições hoje, ainda carregamos essa realidade em nossos valores culturais e o aumento da renda e a facilidade de crédito só vieram para suprir um déficit gigantesco de desejos de consumo da população. De fato, não me surpreende nada o aumento do endividamento. Só não éramos endividados porque o crédito era limitado.

    Um outro exemplo nessa mesma linha é a aquisição de um carro. Hoje, com o crédito e a maior oferta de veículos, vejo situações onde para realizar o sonho de ter um carro, as pessoas comprometem uma parcela significativa da renda muitas vezes bem maior do que podem suportar.  E ao adquirir o tal carro, esquecem de todos os outros gastos que vem a reboque: seguro, IPVA, manutenção, garagem, etc.

    Como mudar a situação? Informação me parece ser o melhor caminho. Assim como no combate a disseminação de doenças como a AIDS, me parece que educar as pessoas sobre finanças pessoais é o caminho para evitar que os brasileiros endividem-se mais ainda. No ano passado, um projeto piloto do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, em parceria com o Bird, o Ministério da Educação e o Unibanco está levando aulas de finanças pessoais para alunos do Ensimo Médio em 450 escolas estaduais do Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal.

    Segundo o Bird, o percentual dos estudantes que faziam poupança antes do programa passou de 44% para 49%, entre agosto e dezembro de 2010. Já os que faziam lista de compras passou de 13% para 16%.

    A iniciativa em parece excelente e deveria ser ampliada na minha opinião. Qual a sua?

     

    Experimento Psicológico – Resultado final

    junho 19th, 2011

    Nessa semana fechei os 30 dias do meu experimento psicológico. Para ficar comparável com as semanas anteriores eu considerei os gastos da semana inteira.. Então entre os dias 11 e 17 de junho os meus gastos totalizaram R$892,24 com a seguinte distribuição:

    • Alimentação: R$217,94
    • Cabelereiro e manicure: R$234,00
    • Entretenimento: R$46.63
    • Vestuário (sapatos): R$99,00
    • Lentes de contato: R$147.92
    • Celular: R$26,85
    • Internet 3G: 119,90

    Tudo bem, cabelereiro e sapatos não são essenciais, mas tenho uma boa desculpa para cada caso. Na sexta-feira eu tinha uma reunião importante então estava mais do que na hora de dar um jeito no cabelo. Quanto ao sapato, na quarta-feira escolhi muito errado e passei o dia usando um sapato que só me causou dor, como tinha que ir direto para um compromisso a noite não tive alternativa a não ser comprar um sapato novo no caminho.

    Quanto a felicidade. Depois de completar esse mês controlando as despesas não fiquei menos nem mais feliz..

    No mês a distribuição das minhas despesas foi a seguinte:

     

    Uma coisa negativa desse experimento foi ter que ficar me policiando sobre o que é essencial e o que não é. Vou tentar uma abordagem diferente, nos próximos 30 dias vou usar um limite diário de R$100 o que daria R$700 por semana ou cerca de R$3.000 por mês. Sem critério sobre no que gastar desde que fique dentro da quota mensal..

    Vamos ver se faz alguma diferença no meu estado de espírito.

    5 mitos sobre o dinheiro

    junho 16th, 2011

    Desde que comecei a dedicar atenção ao tema de finanças pessoais descobri que existem diversos preconceitos generalizados sobre o assunto. Alguns dos mitos que identifiquei pelo caminho:

    1. Poupar e investir é complicado. Na verdade, os conceitos são bem básicos e simples de entender. Você precisa gastar menos do que ganha e todo investimento tem algum tipo de retorno e risco associado. O que é complicado são os produtos financeiros disponíveis no mercado. Mas se você compreender a dinâmica básica do dinheiro, pode usar esse conhecimento para avaliar qualquer opção de investimento que lhe for oferecida.
    2. Investir em ações é um jogo de azar. É verdade que investir no mercado de ações apresenta um risco maior do que na caderneta de poupança, por exemplo. Mas não é, contudo, um jogo de azar. Um jogo de azar é baseado no acaso, e a probabilidade é sempre contra o jogador. Investir no mercado de ações não é garantido (de novo, involve um risco), mas é uma transação de negócios legítima entre aqueles que possuem e aqueles que precisam de capital No longo prazo, a probabilidade está do lado do investidor.
    3. Tudo bem se endividar para conquistar o sonho. Endividamento pode levar a problemas financeiros sérios. Como os cartões de créditos tem taxas de juros altíssimas, a dívida nessa modalidade se multiplica avalassadoramente. Pode dobrar em poucos meses.
    4. Poupar e investir implica em sacrifício financeiro. É verdade que na maioria das vezes precisamos abrir mão de uma coisa no curto prazo em prol de objetivos maiores de longo prazo. Mas, a verdade é que se endividar para satisfazer um desejo de curto prazo ou mesmo para manter um padrão de vida acima do seu padrão de renda é o que traz o sacrifício financeiro. Poupar e investir leva a independência financeira, não ao sacrifício.
    5. Você não precisa saber nada sobre poupança e investimento porque sempre pode consultar um especialista. Nesse caso, faça o que funcionar melhor para você mas lembre-se sempre que ninguém se preocupa mais com o seu bem estar e com o seu dinheiro do que você mesmo. Então estude, informe-se, consulte o especialista, mas no final das contas você é o responsável pelo seu sucesso ou fracasso em relação ao seu dinheiro.

    Experimento Psicológico – Relatório da Quarta Semana

    junho 12th, 2011

    Entre o dia 4 e 10/6, tive um gasto total de R$788.09 distribuído da seguinte forma:

    • Alimentação: R$350,50
    • Entretenimento: R$400.00 (Minha contribuição ao happy hour de encerramento da temporada do pessoal do escritório).
    • Presentes: R$37,59 (afinal era nosso aniversário de casamento).

    A semana foi praticamente espartana. Excluindo a minha participação no happy hour da firma, meu consumo foi resumido as despesas com alimentação.

    Construindo os seus “equipamentos de segurança” financeira

    junho 6th, 2011

    Como ficaria a sua situação financeira se você perdesse o seu emprego amanhã? Existem ferramentas ou boas práticas financeiras que podem ajudar a prepará-lo para enfrentar uma tragédia ou apenas um percalço pelo caminho.

    Seu fundo de emergência

    A ferramenta que vem imediatamente a minha cabeça, sem dúvida, é o fundo de emergência. O colchão de dinheiro que suportará a queda repentina em nossa renda ou um aumento inesperado dos nossos gastos seja qual for o evento que nos atinja: uma doença, a perda do emprego, um problema na casa ou no carro. É a rede de segurança que amortecerá a queda repentina. Um fundo de emergência ideal deveria cobrir entre três a seis meses das despesas fixas, mesmo as pessoas que ainda estão lutando para sair do endividamento deveriam ter algum recurso guardado para protegê-las das repercussões financeiras desde um pneu furado até uma doença.

    Ter um fundo de emergência sólido é essencial para absorver o choque de uma queda nas finanças. Sua meta, no entanto, é nunca precisar dele. Um fundo de emergência não é a primeira linha de defesa – é a última. É o que vai amortecer a queda. Idealmente, deveríamos ser capazes de evitar essas quedas. Para isso, precisamos de outros “equipamentos de seguranca”.

    “Equipamentos de Segurança” Financeira
    Nenhum valor de renda vai protegê-lo de problemas financeiros se você não administrar os recursos bem. Você pode receber um salário de seis dígitos por ano e ainda assim só se afundar em dívidas. Em termos contábeis, para você garantir a sua segurança deveria ter um bom balanço patrimonial e não apenas uma boa demonstração de resultado. Em outras palavras, você precisa ter um sólido patrimônio líquido. E para alcançá-lo, você precisa desenvolver bons hábitos financeiros.

    Mais do que um fundo de emergência, são os bons hábitos financeiros que você desenvolve que vão te proteger dos percalços no caminho. Pense nesses hábitos como a corda para o alpinista. Esses hábitos são o equipamento de segurança que te impedem de cair e não os que amortecem a queda. Diferente de um fundo de emergência que se aproxima mais da rede de segurança de um trapezista, essas estratégias tem o propósito de te segurar no ar de forma que você possa recuperar o passo rapidamente. São as ferramentas que você pode contar todo dia enquanto administra seu dinheiro.  Faça a coisa certa e elas sempre estarão a sua disposição.

    As estratégias financeiras essenciais incluem:

    • Gastar menos do que ganha. Esse é o conceito básico em finanças pessoais. Se você se tornar mestre nisso, já estará a frente do jogo. Sem isso, todos os truques disponíveis nos livros de finanças não vão te proteger. Você simplesmente precisa gastar menos do que ganha. Desenvolver esse hábito simples não é fácil para muitos de nós. Como qualquer outra coisa, você precisa construir gradualmente essa habilidade. Uma vez que você tenha desenvolvido um hábito firme de  gastar menos do que ganha e poupar o resto, você estará numa posição financeira muito melhor. Mesmo que não faça mais coisa alguma. Quando você habitualmente gasta menos do que ganha, você estará preparado para absorver gastos não usuais sem tocar no seu fundo de emergência. Melhor ainda, você será capaz de incrementar constantemente suas economias.
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    • Monitorar o seu consumo. Monitorar cada centavo que você gasta e ganha é uma das ferramentas mais poderosas para assumir responsabilidade  sobre os seus hábitos de consumo. Quando você vê onde o dinheiro está indo, você pode agir para reduzir custos tanto em grande como em pequena escala. Sem esse monitoramento, você muitas vezes gasta sem cuidado em coisas que não estão contribuindo para as suas metas financeiras. Você pode monitorar seus gastos com uma variedade de produtos financeiros. Eu particularmente uso uma planilha de excel mas uma agenda e caneta também dão conta do trabalho. Faça o que funcionar para você.

     

    • Desenvolver um orçamento ou plano de consumo. Um plano de consumo, um orçamento, um budget – chame como quiser. Ter uma clara intenção articulada de como você gastará seu dinheiro vai te ajudar a evitar jogar os recursos fora em pequenos luxos quando você realmente gostaria de estar poupando para algo maior. Seu plano de consumo também vai ajudá-lo a prever as despesas futuras, e separar o dinheiro necessário para as despesas anuais (IPVA, IPTU, seguros) e compras maiores. Um plano de consumo seria o lado B (referência ao tempo dos LPs) dos seus registros de gastos. Enquanto monitorar o seu consumo te mostra onde o dinheiro foi parar, seu orçamento mostra onde o dinheiro será gasto. Ambos são essenciais para ser bem sucedido em viver dentro de suas possibilidades e administrar seus recursos de forma positiva.

    Mente sobre dinheiro
    Cultivar práticas financeiras positivas não é tão fácil como escolher o que vestir pela manhã. Desenvolver esses hábitos é um trabalho árduo. Vai desafiar a sua resistência, flexibilidade e força de vontade especialmente se você está tentando sair do endividamento.

    Se você esteve ou está endividado, você provavelmente tinha hábitos de consumo que excediam sua renda em algum momento. Mesmo se esse não é o seu caso, se foi uma catástrofe como uma doença grave ou perda do emprego que te levou ao endividamento, sair dele é difícil. É preciso resistência e força de vontade para continuar quando o desafio parece impossível. Também exige flexibilidade para cortar despesas para um mínimo, e força de vontade para manter as estratégias financeiras essenciais.

    Encontrar essas qualidades em si pode ser um desafio. É por isso que além de desenvolver as práticas financeiras mencionadas acima, é importante fazer algo para cultivar a força de vontade, o pensamento flexível, e a resistência.  Não precisa estar relacionado diretamente ao dinheiro. Algo como yoga ou outro hobby ou esporte podem ajudar. Eu particularmente escrevo esse blog. Encontrar uma atividade que possa ajudá-lo nesse processo é um presente.

    Você não precisa gastar muito dinheiro nisso – na verdade não precisa gastar dinheiro algum. Comece a correr, medite, escreva. Mais uma vez, faça o que funciona para você mas faça alguma coisa.