Archive for abril \26\UTC 2011

Como dizem os Rolling Stones: You can’t always get what you want…

abril 26th, 2011

Tomar decisões inteligentes sobre o seu dinheiro não quer necessariamente dizer que você precisará abrir mão do seu capuccino diário ou do plano de TV a cabo.  Tem mais a ver com estabelecer prioridades e gastar com o que realmente importa para vocês cortando os gastos com coisas fúteis e sem utilidade.

“Se você ganhasse na loteria hoje, o que faria com o dinheiro?” É uma pergunta que eu tento responder de tempos em tempos.

O que eu realmente quero hoje é viajar. E comprar um Volvo C30. Tenho um problema sério com carros, fazem 5 meses que comprei o último e já estou sonhando com o próximo. O que é até meio maluco na verdade. Eu dirijo raramente, e mesmo nas oportunidades em que preciso me locomover com o carro, acabo sempre achando alguém para dirigir por mim. Eu decididamente não preciso de um carro estiloso e esportivo. Poderia provavelmente usar os recursos para algo mais sábio, como encontrar a casa definitiva que o meu marido quer ou acumular para parar de trabalhar mais cedo.

Essa noção consome o meu pensamento por apenas 30 segundos. Eu realmente quero um Volvo C30, e preciso superar isso pois já é quase uma obsessão.

A pergunta é: querer tanto uma coisa é positivo ou negativo?

Isso me fez lembrar o discurso de  Yoda em Ameaça Fantasma que era algo mais ou menos assim: Medo é o caminho para o Lado Negro da Força. Medo leva a Raiva. Raiva leva ao Ódio. Ódio leva ao sofrimento.

Imagino que em finanças pessoais  seja algo do tipo: Desejar/Querer é o caminho para o Lado Negro da Força. Querer leva a gastar. Gastar leva ao endividamento. Endividamento traz sofrimento.

 

Mas a verdade é que eu não acredito que querer algo seja negativo. Acho que desejar alguma coisa é bom. Nos mantém motivados. Nos leva a procurar melhores oportunidades de carreira e tentar controlar as finanças. Funcionou para mim. Meus desejos de consumo sempre me incentivaram a me dedicar mais à minha carreira e tentar aprender a dominar esse monstro consumista que se esconde no meu armário.

Não tem problema ter algo na vida que a gente odeia e algo que a gente deseja fervorosamente. Quando isso for superado, sempre terá algo novo para odiarmos ou amarmos. O risco está em buscar a satisfação de todos os nossos desejos imediatamente sem pesar as consequências e o impacto disso em nossas vidas. Os problemas acontecem quando desenvolvemos o hábito de satisfazer todos os mimos, até os que não podemos pagar. Acho que o mesmo vale para a dieta.

Agora, enquanto escrevo esse artigo, me encontro com uma vontade louca de tomar coca-cola que está a apenas alguns metros no frigobar do quarto do hotel. Gostaria de dizer que sou melhor que os meus desejos e que vou resistir a tentação… What the hell, it is free of charge anyway!

 

Caminho financeiro da felicidade – Parte 1

abril 17th, 2011

Vocês com certeza conhecem o velho ditado: “Dinheiro não compra felicidade”.  Os pesquisadores Elizabeth Dunn, Dan Gilbert e Timothy Wilson dizem que é um mito. Através de uma pesquisa empírica, eles identificaram dicas para as pessoas obterem mais felicidade para o dinheiro gasto.

A conexão entre dinheiro e felicidade tem sido estudada há muito tempo, e o resultado tem sido quase sempre o mesmo: dinheiro compra sim felicidade – mas menos do que a maioria de nós espera. Para quem é economista é só lembrar daquela maldita lei dos rendimentos decrescentes, depois de um certo ponto – cobrindo as necessidades básicas e tendo um certo excedente – mais dinheiro não significa mais felicidade.

Mas Elisabeth, Dan e Gilbert queriam saber mais a respeito. Em novembro passado eles publicaram os resultados da sua pesquisa em um artigo chamado “Se o dinheiro não te faz feliz então você provavelmente não está gastando direito” . Os autores apontam para estudos que mostram que o dinheiro dá as pessoas:

  • mais controle sobre as suas vidas
  • mais tempo livre para passar com as pessoas amadas
  • vidas mais saudáveis e mais longas
  • uma espécie de amortecedor contra stress e perigo

Esses elementos tem sido identificados nos estudos como fontes de felicidade. Então, se as pessoas ricas são capazes de pagar por cuidados médicos de primeira qualidade, férias com a família num destino paradisíaco, e procurar por uma carreira significativa — elementos de uma vida feliz — porque eles não são proporcionalmente mais felizes do que as pessoas com menos dinheiro?

Em primeiro lugar, os seres humanos não sabem o que lhes fará feliz

A principal razão é porque as pessoas não sabem no que deveriam gastar para cultivar felicidade. “Dinheiro é uma oportunidade para felicidade,” Dunn e seus colegas escrevem, “mas é uma oportunidade que a maioria das pessoas desperdiça porque as coisas que eles acreditam que trarão felicidade na maioria das vezes não trazem.”

Sempre que nos deparamos com uma escolha, é da natureza humana tentar prever o resultado de cada escolha. Os pesquisadores encontraram um número enorme de estudos que demonstram que seres humanos são terríveis em fazer previsões.

  • Por um lado, nós sempre subestimamos nossa capacidade de nos adaptar as circunstâncias  — boas ou más — e os nossos cenários previstos ficam devendo detalhes importantes.
  • Por outro, o contexto em que fazemos nossas previsões não é o contexto em que experiência futura realmente se realiza.

Esses dois fatores só confirmam que somos terríveis em prever o que nos fará felizes, o quanto nos fará felizes e por quanto tempo.

Como gastar para maximizar a sua felicidade
Um indivíduo pode ser incapaz de prever o que lhe fara mais feliz, mas felizmente dados empíricos podem compensar erros humanos. Os pesquisadores identificaram 8 maneiras de incrementar a felicidade pelo dinheiro gasto. Vou repassar os 3 primeiros nesse artigo e  os demais no futuro.

Dica #1: Compre menos coisas materiais e mais experiências.
Experiências nos dão retorno imediato e costumam melhorar com a idade. Quando compramos algo material, por outro lado, nos adaptamos rapidamente e a aquisição vai perdendo o brilho diariamente. Quanto tempo até você começar a pensar no próximo carro, próximo celular ou próximo computador?  Experiências por outro lado tendem e ficar na memória  – quem não relembra de tempos em tempos  o seu primeiro encontro , ou aquela viagem de férias, ou ainda aquele vinho especial aberto durante um jantar entre amigos.

Também é mais difícil ficar obcecado pela opção que não escolheu quando se trata de experiências, e ruminar sobre a estrada alternativa é, certamente, um caminho certo para a infelicidade. Por exemplo, você está decidindo entre 2 modelos de carro, você faz a sua compra, e aí encontra um artigo demonstrando a superioridade do outro modelo ou tem um problema logo de cara com o modelo que escolheu. Aii.  De repente você está bem menos feliz com seu carro novo em folha. Mas decidir entre passar as férias de pernas para o ar no Caribe ou visitar amigos no Leste Europeu, qualquer que seja a escolha não tem como dar muito errado, tem? É muito mais difícil comparar duas experiências completamente diferentes, mas igualmente maravilhosas. É pouco provável que você se arrependerá de qualquer que seja a sua escolha.

Finalmente, os pesquisadores apontam que as experiências normalmente são compartilhadas com outros, e os outros são uma das mais citadas fontes de felicidade.

Dica #2: Use seu dinheiro para ajudar outros.
Segundo o artigo,  apenas alguns animais, como cupins e ratos, criam redes sociais tão complexas quanto as humanas, e nós somos a única espécie a incluir indivíduos não diretamente relacionados em nossos círculo social. Em outras palavras, mesmo a pessoa mais introvertida entre nós ainda é um ser altamente social em comparação com outras espécies do planeta.

Um estudo mostrou que, mesmo ao considerar rendas semelhantes, as pessoas que gastam mais dinheiro socialmente (presentes ou doações) são mais felizes dos que gastam menos com os outros. Gastos pessoais (contas, despesas e presentes para si) aparentemente não tem relação direta com a felicidade.

No entanto os autores apontam que a maioria dos entrevistas previu ter mais felicidade a partir de gastos pessoais do que gastos sociais. Aparentemente, pensar em gastar com outros é bem mais difícil do que pensar em gastar consigo.

Dica #3: Frequência é mais importante que preço.

Devido a nossa capacidade de se adaptar rapidamente às coisas novas, existe evidência de que experiências mais frequentes, mesmo que menores, nos farão mais felizes do que experiências estonteantes porém raras.

Os pequenos prazeres são usualmente uma experiência diferente toda vez. Coisas como uma massagem, um drink com amigos, ou ingressos para um concerto local nunca são exatemente iguais, e levamos mais tempo para nos adaptar a eles. Se você decidir abrir mão desses prazeres por um carro novo, por exemplo, você perceberá que a excitação do carro novo vai passar mais rápido do que esperava. Você dirigirá o mesmo carro todos os dias, a mesma experiência toda a vez – e da onde diabos apareceu aquele risco na porta?!

Isso me faz pensar que dizer a alguém para cortar todos os supérfluos, como comprar um livro para ler ou tomar aquele capuccino diário, é um daqueles conselhos que parece muito racional mas é ineficaz na vida real. Eu, por exemplo, adoro ler. Troco a maioria das coisas por um bom livro para ler e cada leitura é uma nova experiência.

Porque experiências mais frequentes ainda que menores são melhores? Os pesquisadores identificaram que esses pequenos prazeres, como o meu gosto pela leitura ou o capuccino diário dos viciados em cafeína, nos permitem aproveitar mais novas experiências, o que está relacionado com a nossa percepção de felicidade.

Continua…

Estabeleça suas prioridades financeiras…

abril 12th, 2011

Sem pensar muito, quais as suas prioridades financeiras? Minhas prioridades (excluindo as necessidades básicas) incluem ser independente e viajar. Essas duas coisas vem sempre a mente quando eu tomo uma decisão sobre o que fazer com o meu dinheiro. Seja essa decisão a favor ou contra as minhas prioridades financeiras.

Quando decidimos comprar um apartamento há alguns anos atrás, a maior parte da nosso foco estava em encontrar e ter recursos suficientes para realizar essa meta. E adivinhem, rapidamente conseguimos encontrar um apartamento que atendia as nossas exigências e pagar por ele. Quando decidimos vender o imóvel, o mesmo aconteceu.

Me parece claro que estabelecer prioridades e perseguí-las com afinco é o que nos levou a ter sucesso com a compra e venda do apartamento no passado. Não parece fazer sentido sofrer para economizar sem ter uma meta suficientemente atraente para o destino desses recursos.

Definir prioridades aumenta as suas chances de sucesso.  As suas prioridades serão sempre suas, mas definir prioridades coletivas que envolvam a sua família provavelmente aumentam as suas chances de sucesso. No meu caso, aumenta exponencialmente, já que sou facilmente distraída dos meus objetivos. A vigilância constante do meu marido contribui significativamente para o nosso sucesso.

Planejamento é importante, não há dúvidas. Você pode ficar sonhando com uma viagem para o Caribe por meses sem dar um passo concreto para economizar os recursos para a viagem. Apesar disso, sonhar acordado tem o seu mérito, ser bem sucedido no planejamento financeiro envolve pensar de forma abstrada, manter-se aberto a alternativas e relembrar constantemente porque  você está trabalhando tão duro pela sua prioridade..

E aí, quais as suas prioridades?

Considerações ao definir as suas prioridades. Se você nunca pensou em como gostaria que o dinheiro trabalhasse para você, é hora de começar a pensar. Eu particularmente adoro planilhas eletrônicas, mas anotar as suas prioridades na agenda com caneta esferográfica serve também.

Vamos imaginar que você  esteja no ponto zero de finanças pessoais. Ou seja, nenhum dinheiro guardado, você vive de contracheque em contracheque e está começando a se dar conta que seu estilo de vida pode trazer consequências graves (endividamento em cartões de crédito, por exemplo). Talvez você queira comprar uma casa, mas economizar a entrada parece impossível. Em primeiro lugar, você precisa atacar o seu endividamento e os seus hábitos de consumo. Suas prioridades podem ter mais ou menos essa cara:

Meta geral: Comprar uma casa

  • Prioridade 1: Aluguel ou financiamento imobiliário, condomínio, impostos, seguros, serviços básicos (água, energia, etc);
  • Prioridade 2: Financiamento do carro, fundo de emergência;
  • Prioridade 3: Entretenimento, especialização profissional, etc..

Lembrem-se que isso é só um exemplo. Não quer dizer que você não poderia incluir a especialização profissional como uma prioridade 1 já que poderia significar um aumento de renda para você.

Podemos pensar em um outro momento de vida. Imaginem que você está mais adiante nas suas finanças pessoais. Orçamento equilibrado e você não precisa mais se preocupar com as despesas básicas do dia. Suas prioridades poderiam ser como as minhas:

Meta geral: Viajar

  • Prioridade 1: Economizar para a aposentadoria, impostos
  • Prioridade 2: Comprar uma casa definitiva
  • Prioridade 3: Ver o mundo

Me parece que eu tinha menos dificuldade com as prioridades quando minha situação financeira era mais precária. Quero dizer, hoje que estou posição mais confortável, me distraio facilmente com as tentações do consumo. Quando as prioridades referiam-se as coisas básicas do dia a dia, me parece que cometia menos deslizes.

Reavalie e/ou estabeleça novas prioridades sempre que necessário. Prioridades financeiras mudam ao longo da nossa vida. Reconsidere as suas prioridades sempre que uma mudança significativa ocorrer, como por exemplo:

  • Voltar a estudar;
  • Casar;
  • Ter filhos;
  • Separar;
  • Comprar uma casa;
  • Perder o emprego;
  • Aposentar-se.

Viver com menos do que se ganha..

abril 6th, 2011

Duas vantagens óbvias em viver com menos do que se ganha:

  • A primeira é que você pode economizar mais facilmente já que seu padrão de consumo é inferior a sua renda e você tem um superávit naturalmente.
  • E a segunda, é que se beneficia do poder dos juros compostos.

Me permitam demonstrar:

Imaginem que temos 3 indivíduos de 40 anos com o mesmo salário e mesma expectativa de idade para aposentadoria mas com padrões de consumo diferentes:

A B C
Renda anual R$34,000.00 R$34,000.00 R$34,000.00
Despesas anuais R$27,200.00 R$30,600.00 R$32,640.00
Poupança anual R$6,800.00 R$3,400.00 R$1,360.00
Taxa de poupança 20% 10% 4%

Taxa de poupança é o quanto o investimento representa da renda.

Considerando que os 3 indivíduos acima pretendem se aposentar aos 65 anos e assumindo uma inflação anual de 6% e uma taxa de retorno de 8% ao ano, em 2036 essa seria a situação de cada desconsiderando os eventuais benefícios da seguridade social:

A B C
Portfolio R$1,045,407.48 R$522,703.74 R$209,081.50
Despesas Anuais R$116,738.88 R$131,331.24 R$140,086.66
Taxa Renda x Despesas 8.96 3.98 1.49

A taxa Renda x Despesas representa o número de anos que o fundo acumulado vai cobrir desconsiderando o efeito dos rendimentos futuros.  O que esse resultado aponta além do óbvio fato de que ao poupar mais se acumula mais é o efeito dos juros compostos no tempo. O portfolio do indivíduo A vai cobrir mais do que o dobro de anos do indivíduo B e 4 vezes do indivíduo C.

Se isso não bastou para te convencer, podemos considerar a alternativa D que é não poupar nada para aposentadoria e viver com os benefícios do INSS se é que eles ainda vão existir em 2036.