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A utilidade marginal do dinheiro

junho 19th, 2010

Estou assumindo um risco ao iniciar esse artigo utilizando um termo emprestado da Economia. Peço paciência. Não é um conceito difícil de entender e está diretamente relacionado ao sucesso em finanças pessoais.

Utilidade é o termo usado em Economia para designar o valor ou felicidade derivado do uso de um bem ou serviço. Utilidade marginal é o incremento de valor ou felicidade derivado do uso de uma unidade adicional do bem ou serviço. A maioria das coisas tem, por definição, uma utilidade marginal decrescente.

Utilidade marginal decrescente pode fazer pouco sentido à primeira vista mas é, na verdade, um conceito bem fácil de entender:

  • Primeiro copo de água para o sendento – Excelente!
  • Segundo copo, ainda vai..
  • Terceiro copo de água em diante – Muito obrigada, estou satisfeito!

Cada copo de água adicional fornece menos satisfação (“utilidade”) que o anterior. O mesmo é verdade para quase todo tipo de serviço ou produto.

Essa idéia também é verdadeira para o dinheiro. Para a maioria de nós, ganhar R$500 mil reais poderia ser classificado como um evento que mudaria a vida da pessoa. Mas e se você já tiver um patrimônio líquido equivalente a vários milhões de reais? R$500 mil adicionais ainda seria algo importante, mas duvido muito que isso ainda mudasse de forma significativa a sua vida.

A minha experiência pessoal tem se demonstrado um estudo de caso nesse tema. Há alguns anos, a minha renda era diversas vezes inferior a atual e eu não tinha nenhuma reserva financeira. Todo recurso adicional fazia a maior diferença, em outras palavras, a utilidade marginal de cada centavo adicional era enorme. Hoje, apesar de investir mensalmente um valor bem superior ao meu salário no início da carreira, o impacto de um aumento de renda é bem menos significativo no meu padrão de consumo.

Utilidade marginal e aversão ao risco

Como para a maioria das pessoas a utilidade marginal decrescente do dinheiro é uma realidade. Uma perda de determinado valor tem um impacto bem maior do que um ganho do mesmo valor. Você estaria disposto a apostar R$10.000,00 no cara ou coroa? Se acertar, ganha R$10.000,00, mas se perder…

Aposto que não aceitaria essa aposta com uma probabilidade de 50% para um valor considerado significativo em relação a sua posição patrimonial.

A idéia de ganhar R$10 mil é excitante, mas a idéia de perder os mesmos R$10 mil pode ser assustadora. Em termos econômicos, dizemos que temos aversão ao risco.  Ou seja, não estamos dispostos a assumir um risco há menos que a probabilidade de ganho seja considerada favorável.

Eliminando o risco onde é possível

Se você é como eu e a maioria, tem mais medo de ficar sem dinheiro do que desejo de ser milionário.  E se esse é o caso, porque não eliminar o risco de sua carteira de investimentos dentro da medida do possível.

Os analistas recomendam diversificar seus investimentos seguindo alguns modelos. O mais comum é procurar identificar seu perfil. A maioria das instituições financeiras permite a identificação do perfil do investidor através do preenchimento de um questionário. E com base nesse perfil, recomenda uma certa extratificação da carteira de investimentos. Por exemplo, se o seu perfil é arrojado, a recomendação seria algo parecido com:

  • 8% renda fixa
  • 8% poupança
  • 10% juros pós fixados
  • 54% ações
  • 20% fundos multimercado

Outra alternativa recomendada é limitar a exposição a renda variável em sua carteira de investimentos considerando fatores como a sua idade ou tempo remanescente até a sua aposentadoria. Por exemplo, se pretendes se aposentar aos 60 anos e tem 25 anos, poderia manter até 35% da carteira em investimentos de renda variável e, consequentemente, maior risco.

Moral da história: quanto mais próximo da data em que precisarás do recurso, menos risco deves assumir.

A rapidez em que um desejo se transforma em uma necessidade

junho 9th, 2010

A maioria das pessoas com mais de 30 anos se lembra da época em que o telefone celular era uma raridade. Não só era preciso aguardar numa lista de espera para ter direito de adquirir a linha, como era absurdamente caro. Fora que o sinal funcionava precariamente no melhor dos dias. Acreditem se quiser, isso faz menos de 20 anos.

Hoje a maioria das pessoas se rendeu ao aparelhinho. Eu, por exemplo, tenho 2. Dificilmente saio de casa sem eles.

Esse é apenas um dos exemplos de items de consumo que começaram com desejos e passaram a serconsiderados necessidades pela maior parte da população. Esse processo acontece tanto em massa (como no caso do celular), como individualmente. Você provavelmente tem algum item que considera uma necessidade essencial e que a maioria das pessoas passa muito bem sem.

Um exemplo é a TV a cabo. Obviamente não estou dizendo que o serviço de TV a cabo é uma necessidade. Mas desde que aderimos lá em casa, estamos passando cada vez mais tempo na frente da TV, e volta e meia estamos discutindo a possibilidade de melhorar o nosso pacote de programação.

Internet é outro exemplo de um item de consumo que começou como um desejo e passou a ser considerado uma necessidade.  Sou tão dependente da internet que tenho pacote de dados no celular, internet 3G para as viagens e wireless em casa.

Só nesses três items gastamos aproximadamente 4% da nossa renda.  Fiquei realmente chocada ao ver esse percentual.  Obviamente não me passa pela cabeça simplesmente sair cancelando todos os serviços, mas há de se encontrar um equilíbrio que me parece mais razoável.

Recentemente começamos a avaliar imóveis para alugar. Fechamos a venda de nosso apartamento e nossa idéia inicial é adquirir um novo imóvel na planta, assim vamos precisar alugar um imóvel para morar por um período de tempo. Com isso eu comecei a pensar nos requisitos que o futuro imóvel deveria ter em 2 categorias:

  1. Necessidades: localização que permita mantermos só um carro; garagem; pelo menos 2 quartos (temos uma quantidade inacreditável de livros); espaço para acomodar os móveis que já temos (adoro a minha mesa de jantar que infelizmente é gigantesca); e
  2. Desejos: infraestrutura de condomínio com academia; imóvel relativamente novo e sem necessidade de reformas; perto do meu escritório de forma que eu possa manter meu hábito de caminhar para o trabalho; elevador para que a minha mãe possa nos visitar quando tiver vontade; área externa para continuarmos a cultivar as plantas.

Pelo que eu pude olhar do mercado de imóveis para alugar, para incorporar as qualidades que classifiquei como desejos teria que encarar um aumento no aluguel de no mínimo uns 50%. Também ficou claro que o fator determinante no custo do aluguel em Porto Alegre é a localização.

Moral da história: a diferença entre o que é um desejo e o que é uma necessidade é tênue e também é pessoal. No entanto ela tem um impacto direto no seu planejamento financeiro. Fique atento.

Aluguel: Um binômio quase perfeito

junho 4th, 2010

Há quem goste e há quem odeie o aluguel, em geral quem tem a obrigação de pagá-lo não gosta. Encontro-me atualmente pesquisando imóveis para alugar, o trabalho é árduo, quando gosto da localização, não gosto do prédio, quando gosto do prédio e da localização não gosto do preço, e há ainda a necessidade de adequar tudo isso ao gosto da minha esposa.

Quem acompanha o blog sabe da minha opinião, aluguel não é uma opção, é uma necessidade e para fazer que eu aceite a idéia é preciso apresentar-me as vantagens, mesmo que elas sejam efêmeras.

Ainda não vi unanimidade entre locador e locatário, ambos nunca estão simultaneamente satisfeitos, quem paga acha que paga muito, quem recebe acha que recebe pouco, eis aí o motivo pelo qual atribuí ao título aluguel um binômio quase perfeito, pois a regra é que ambos estejam insatisfeitos e para que um esteja sentindo-se realizado, o outro necessariamente estará sentindo-se prejudicado.

Se havia alguma dúvida em mim quanto ao aluguel ser um bom negócio para o inquilino, esta dúvida deixou de existir após a aquisição do nosso primeiro apartamento, pois foi a partir dele, adquirido por um valor baixo e revendendo-o por um valor superior, que passamos ao segundo estágio em direção a tão desejada independência financeira.