Archive for março \26\UTC 2010

Soberba versus Avareza

março 26th, 2010

Antes de começar a mudar os meus hábitos, eu gastava dinheiro sem pensar muito. Desde que comecei a ganhar algum dinheiro, meu foco quase sempre era em adquirir alguma coisa. Meu programa favorito de domingo era passar o dia na minha livraria preferida escolhendo novos livros para ler.

Esses hábitos de consumo não chegaram a me colocar numa situação de endividamento, mas com certeza, me impediram de estar numa situação financeira bem mais privelegiada do que estou hoje.

Nos últimos anos, por influência do meu marido principalmente, venho mudando minha atitude em relação ao consumo.

Algumas das mudanças foram acidentais, como por exemplo, termos um carro só. Vendemos o segundo carro para ajudar um familiar, mas acabamos nos acostumando a dividir o carro e consequentemente reduzimos nossos custos.

Outras foram intecionais, como não comprar mais nada em pagamentos parcelados no cartão de crédito e limitar o número de livros que eu compro dentro de um mês.

Inicialmente, a mudança foi bastante radical. Por uns meses, praticamente suspendi o consumo totalmente. Cheguei a ficar 3 meses sem comprar nem ao menos um livro novo. Como toda a dieta muito radical, teve efeitos negativos.

Depois de um tempo, a abstenção total de consumo me deixo um pouco infeliz. Por sugestão do meu marido, comecei a retomar alguns hábitos. No entanto, todo gasto passou a me trazer um certo sentimento de culpa. Eu sempre fico pensando que poderia ter dado outro destino aquele recurso.

A solução temporária que encontrei foi fazer listas. Sempre que penso em comprar alguma coisa nova, entra para uma lista. Depois de uns dias na lista reavalio, se a aquisição atender ao meu mantra, vou adiante. Foi o que aconteceu com o meu relógio. Há bastante tempo, meu marido critica o meu relógio de pulso por entender que não era adequado a minha apresentação profissional.  Levei aproximadamente 3 meses para escolher um novo relógio e cerca de 5 minutos para adquirí-lo. Apesar do modelo adquirido ter desagrado o meu marido, estou bem satisfeita. Me parece que paguei um preço razoável por algo que eu realmente estava precisando.

O meu ponto aqui era no sentido de que precisamos encontrar equilíbrio. Não adianta viver uma vida de contenção total em função do futuro mas também não podemos viver como se não houvesse amanhã. Assim, seguem algumas dicas que tem me ajudado no processo:

  • Conhecimento é poder. Sempre que entendemos claramente o retorno ou benefício de um gasto é mais fácil avaliar se ele é necessário mesmo.
  • Experimente coisas novas. Pode parecer complementar ao anterior, mas experimentar coisas novas pode ser uma forma de compensar as limitações em outras áreas.
  • Busque qualidade. Isso sempre me lembra de comida. Preço apenas não diz muito, é preciso que você receba a qualidade proporcional ao preço. Cuidado.
  • Apoie causas importantes. O que eu tenho tentado fazer é prestigiar o produto local e sustentável. Custa um pouco mais caro, mas gosto de pensar que estou ajudando o planeta.

Modificação no site

março 19th, 2010

Caros leitores,

Fizemos uma pequena modificação no site incluindo a seção Prefácio:

http://fiquericodiariamente.com.br/prefacio/

Atenciosamente

Fique Rico Diariamente

O que o casamento me ensinou sobre finanças

março 15th, 2010

Faz um tempo que não consigo escrever por aqui. Recentemente passei a dar aulas para a graduação e a mudança de rotina foi bem mais severa do que eu esperava.

Estou casada há pouco mais de 3 anos. Casei depois dos 30 anos. De certa forma, acreditava que já sabia o que precisava saber sobre quase tudo na vida. No caso das finanças, sou graduada em Ciências Econômicas, o que será que um advogado poderia acrescentar?

A verdade é que o casamento, no meu caso, foi um fator determinante para mudar o rumo das minhas finanças. Eis os motivos:

  •  Cobrança. Antes do casamento, eu já tinha diversas planilhas de controle e metas de curto, médio e longo prazo para finanças que nunca se materializavam. Mas a verdade é que se eu gastasse mais do que planejado com uma quantidade inexplicável de livros (meu programa de domingo era a livraria e eu dificilmente saía dela sem pelo menos 3 ou 4 novidades) não havia ninguém para me cobrar uma explicação. Eu não acredito que o casamento transforme duas vidas em uma, mas forma uma parceria que divide planos e também cria uma espécie de controle de monitoramento nos resultados alcançados. O casamento não trouxe só cobrança, trouxe também incentivo, duas pessoas com um objetivo de investimento é bem melhor que uma.
  • Perspectiva míope. Enquanto era solteira, acho que a minha perspectiva era míope. Não sei bem se porque era solteira ou se porque era mais jovem. Tinha uma certa atitude de que tudo poderia ficar para depois, pensar em aposentadoria então estava fora de cogitação. Hoje me preocupa não só a aposentadoria, mas o que aconteceria a minha família se eu lhes faltasse de forma repentina.

Os resultados são inegáveis. Tenho casa e carro próprios. Uma rede de segurança em investimentos e quase nenhuma dívida. Certamente um panorama bem diferente do tempo de solteira.

Depois das férias…

março 1st, 2010

Durante os primeiros meses do ano, a maioria de nós brasileiros reserva alguns dias para curtir as férias, com praia (gasto), boa comida (gasto), folias de carnaval (gasto) entre outras merecidas mordomias (mais gastos)…

Mas logo chega o mês de março e, com ele, a declaração de imposto sobre a renda, o mês de março é como um despertar de toda essa euforia de verão.

E agora? A fatura do cartão está exorbitante, a conta bancária beira o vermelho e do salário, só se espera que venha – e que venha logo! É nessa hora que o controle sobre as finanças pessoais é fundamental, se você se identificou com a situação aqui descrita, algumas dicas podem lhe ser muito úteis:

Evite novas compras a crédito e cuide para não cair na armadilha dos juros das operadoras de cartão.

Além da redução dos gastos verificada no “pós-férias”, foque seus esforços nas contas prioritárias e deixe de lado as compras supérfluas, ou mesmo aquelas aquisições que, mesmo estando na lista de necessidades, podem esperar pelo momento financeiro mais adequado.

Atenção aos juros referentes à utilização do cheque especial. Se ainda possui dinheiro aplicado, use-o para quitar esta dívida. Lembre-se sempre de que os juros cobrados pelo banco costumam ser bem maiores que os rendimentos das aplicações convencionais.

Após o esforço financeiro inicial, as finanças tendem a se ajeitar… E a retomada dos investimentos já será possível. Bom retorno de férias e um excelente 2010!

O que não vale a pena comprar em 2010..

março 1st, 2010

A Você S.A. de fevereiro traz um artigo interessante sobre 10 ítens que não se deve adquirir em 2010. Entre os destaques do artigo, alguns me chamaram a atenção:

  1. Telefone fixo.  A revista recomenda o abandono do telefone fixo e o uso do skype em seu lugar. Como meu marido trabalha em casa, decidimos que é necessário manter o telefone fixo. No entanto, a recomendação faz sentido para diversas situações. Recomendo avaliar a possibilidade de eliminar esse gasto mensal.
  2. Livros em lançamento. A recomendação da Você S.A. é aguardar o título passar ao catálogo para comprar com redução de preço ou procurar em sebos. Eu tenho 2 recomendações adicionais: a primeira é comprar no formato pocket que fica bem mais barato que a brochura normal e a segunda é frequentar a biblioteca. Quanto a biblioteca ainda estou longe de fazer bom uso dela.
  3. Combustível. Cuidado com a ilusão do preço do álcool. É preciso sempre considerar se a diferença em relação ao preço da gasolina compensa o aumento do consumo. O artigo sugere multiplicar o preço da gasolina por 0,65 e só abastecer com álcool quando o preço desse combustível for abaixo disso. Eu particularmente uso só gasolina principalmente pela autonomia. Mas não custa nada prestar atenção.
  4. Marcas líderes. Aqui a dica é esquecer a lealdade às marcas tradicionais e avaliar produtos alternativos como as marcas próprias das grandes redes de varejo. Meu marido identificou uma diferença de 20% na água mineral que normalmente adquirimos em relação a marca própria do supermercado. Detalhe: as duas tinham a mesma origem e são produzidas pela mesma empresa.
  5. Ar condicionado. Aqui tenho que discordar. O artigo recomenda uma série de alternativas para arejar a casa: trocar as lâmpadas, cultivar plantas, etc.. E ainda diz que a menos que se more no Norte ou Nordeste essas alternativas seriam eficientes. Acho que o autor precisa passar uns dias no verão de Porto Alegre e revisar a sua recomendação.

A mensagem principal aqui é não se acomodar. Sempre avaliar quais os seus gastos recorrentes que podem ser reduzidos e tomar cuidado para que as suas aquisições sejam realmente úteis.