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Cuidado com a mordida do leão

fevereiro 24th, 2010

No próximo dia 01 de março, inicia o período para entrega da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda. Fazer a própria declaração é uma boa oportunidade para avaliar o estado das suas finanças. Mas se você se sente intimidado pelas regras da Receita ou pelo próprio formulário, busque ajuda profissional. Qualquer contador será capaz de auxiá-lo no correto preenchimento da sua declaração.

Seguem algumas dicas para quem pretende enfretar o desafio por conta própria.

Quem deve declarar

Pessoas residentes no Brasil que não sejam dependentes incluídos na declaração de outro titular que se enquadrem em uma das seguintes situações:

I – recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 17.215,08 (dezessete mil, duzentos e quinze reais e oito centavos);

II – recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais);

III – obteve, em qualquer mês, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas;

IV – relativamente à atividade rural:

a) obteve receita bruta em valor superior a R$ 86.075,40 (oitenta e seis mil, setenta e cinco reais e quarenta centavos);

b) pretenda compensar, no ano-calendário de 2009 ou posteriores, prejuízos de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2009;

V – teve a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) em 31 de dezembro;

VI – passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês e nesta condição se encontrava em 31 de dezembro; ou

VII – optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, cujo produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005.

Documentos importantes para a preparação da Declaração

  • Informes de rendimentos de salários, distribuição de lucros, pró-labore, aluguéis, pensões, aposentadoria e similares.
  • Informe de rendimentos de instituições financeiras, incluindo bancos e corretoras de valores.
  • Controle de compras e vendas de ações, com a apuraçãomensal do imposto de renda e os DARFs de impostos recolhidos sobre o ganho em renda variável.
  • Informações e documentos que comprovem outras rendas recebidas, como doações, herança, resgate do FGTS, indenizações judiciáriase similares.
  • Livro-caixa, no caso de autônomos.
  • DARFs recolhidos pelo Carnê-Leão.
  • Documentos que registrem venda ou compra de bens durante o ano-base.
  • Documentos que comprovem dívidas assumidas durante o ano-base, incluindo dívidas que foram extintas no mesmo ano, se o valor for superior a R$5 mil.
  • Recibos de pagamento feitos para planos de saúde e despesas médicas e odontológicas, sempre com a inclusão do CPF ou CNPJ do recebedor.
  • Comprovantes de despesas com educação, com CNPJ da instituição de ensino.
  • Comprovante de pagamento da previdência oficial (INSS)
  • Comprovante de doações efetuadas.
  • Recibos de contribuição previdenciária feita para empregados domésticos.
  • Cópia da Declaração de Ajuste Anual entregue no ano anterior.

Erros a serem evitados

  • Não informar rendimento recebido, como honorários ou aluguel, ou então, informar valor diferente do que foi declarado por quem pagou.
  • Informar despesas médicas inexistentes, não confirmadas na declaração de imposto de renda do prestador do serviço.
  • Indicar dependentes que apresentam declaração separadamente ou que constam como dependentes da declaração de outro contribuinte.
  • Não informar operações em bolsa de valores ou informar operações divergentes daquelas que as corretoras informam indiretamente, por meio do recolhimento de um imposto de renda reduzido (alíquota de 0,005%) sobre o lucro das operações de seus clientes.
  • Omitir o recebimento de pensão alimentícia pelo titular ou dependente, tendo deixado de recolher o imposto no momento devido, por meio do Carnê-Leão.
  • Apresentar sinais exteriores de riqueza inconsistentes, como imóveis, automóveis e aplicações financeiraas incompatíveis (nos critérios da Receita Federal) com a renda declarada.
  • Apresentar rendimentos incompatíveis com sua movimentação financeira. As instituições financeiras são obrigadas a informar à Receita Federal os depósitos acima de R$12 mil em conta corrente e o somatório de depósitos em conta superiores a R$80 mil durante o ano-base.
  • Apresentar rendimentos incompatíveis com a movimentação registrada em faturas de cartão de crédito. As administradoras de cartões de crédito são obrigadas a entregar à Receita Federal uma declaração chamada Decred, que lista todos os clientes com despesas acima de R$5 mil no mês.
  • Informar doações inexistentes em dinheiro, com o propósito de promover acerto na declaração de terceiros. Uma vez na malha fina, a Receita exigirá a comprovação das movimentações por meio de extratos bancários ou outros documentos considerados válidos.
  • Informar venda de imóvel por valor diferente do declarado no cartório ou na declaração do comprador, visando evitar reduzir a tributação sobre o ganho de capital.

É hora de começar a separar a papelada e preparar-se para enfrentar a declaração. Não deixe para o último dia, os primeiros a entregar a declaração tem preferência no calendário de restituição.

Fontes: informações disponíveis no site da Receita Federal e Livro “Como organizar sua vida financeira” de Gustavo Gerbasi – Editora Campus/Elsevier

A Fórmula Mágica do Enriquecimento

fevereiro 19th, 2010

Aprenda a fazer dinheiro e ficar rico em instantes. Fuja! Fuja que ainda dá tempo, este é um alerta importante, não se deixe enganar, não existe uma fórmula mágica para ficar rico e qualquer um que fale o contrário está mentindo.

A única maneira de ficar rico honestamente é com muito esforço, ressalvado claro, os casos de pura sorte em que o sujeito acorda e acerta os seis abençoados números da mega sena, caso contrário, ficar rico demanda esforço para aprender, trabalhar e economizar.

Não acredite que as coisas aconteçam ao acaso, e que se você não é rico é porque não tem sorte na vida, a sorte acompanha as pessoas determinadas a perseguir um ideal, a sorte é um prêmio de quem ousa a fazer acontecer.

Um dia desses, eu estava passeando por uma livraria, o programa preferido da minha esposa, quando por um instante tive minha atenção chamada para um livro com o título parecido com este, de um autor estrangeiro que ainda bem nem do nome eu lembro.

Folhando o livro as dicas para ficar rico eram mais ou menos essas: Case com alguém rico, como se alguém rico quisesse casar comigo, acerte na loteria, com se eu soubesse os números certos a jogar, ganhe uma herança, como se eu tivesse o poder divino de fazer um desconhecido com muito dinheiro me legar um bem valioso, ora bolas, tive que rir, mas fiquei me perguntando – Alguém compraria um livro desses? E se o fizesse, seria para ficar rico ou simplesmente para se divertir com tamanho absurdo?

Se você esperava mesmo ficar rico ao ler esse artigo, sinto muito desapontá-lo, mas antes eu, com boas intenções e gratuitamente do que outro qualquer querendo pegar o seu dinheiro.

A matemática do carro novo

fevereiro 14th, 2010

Um dos meus colegas de trabalho anda se informando sobre as condições de mercado para adquirir um carro. Entre as muitas perguntas que uma pessoa deve fazer nessa hora, a primeira delas na minha opinião seria: realmente preciso de um carro? Ou de um segundo carro, para muitas famílias?

O primeiro carro é quase um marco de transição na vida adulta dos brasileiros então eu não vou questionar muito a sua necessidade. Mas a aquisição do segundo veículo pela família deve ser avaliada cautelosamente.

Quando nos conhecemos, eu e meu marido tinhamos cada um o seu carro.  Acabamos tendo que vender um dos carros para atender uma necessidade financeira e no fim nos acostumamos a ter apenas um veículo. Ajuda muito o fato de eu morar numa localização privilegiada em relação ao meu trabalho e detestar dirigir no trânsito caótico da cidade.

Um carro custa bem mais do que o preço de aquisição do veículo. É preciso incorporar o IPVA, o licenciamento, o seguro, o estacionamento se não dispor de outra vaga na residência e a manutenção, só para começar a listar os gastos adicionais. Na maioria das vezes, compensa mais andar de táxi do que ter um segundo veículo.

O que nos leva a segunda pergunta: quanto posso comprometer da minha renda com a aquisição e manutenção de um veículo? A resposta depende da necessidade. Se o veículo é um instrumento essencial para o trabalho, provavelmente se justifica comprometer um percentual maior da renda. Agora se o uso é para lazer, muito cuidado.

A tentação do carro novo está presente todos os dias em quase todos os lugares. Desde o carro novo do seu colega de trabalho até o anúncio gigantesco no seu trajeto diário.  Mas existem muitas armadilhas na compra do carro.  Primeiro, não existe juro zero. Tomemos o anúncio da zero hora de hoje: Novo Ford Focus com 50% de entrada e saldo em 24x sem juros.  No entanto se você ler a nota de rodapé, encontrará a tão famosa TAC, ou taxa de avaliação de crédito de R$930,00.  O anúncio não diz o preço do veículo, mas assumindo o valor da tabela Fipe R$57.327,00, temos uma taxa de juros efetiva de 0,26% ao mês.

Isso explicado quando vale a pena financiar?  Assumindo que pagar a vista é uma opção viável, é claro. A resposta matemática é sempre que a taxa de retorno dos seus investimentos for superior a taxa de juros efetiva.

Uma última consideração sobre a compra de carro: negocie. O vendedor sempre tem uma margem para reduzir o preço e fechar a venda. Pechinche!

Qualquer valor, por menor que seja, faz a diferença

fevereiro 9th, 2010

Começar a investir, ou mesmo a equilibrar as contas, nem sempre é fácil. Uma coisa é ler a respeito, outra bem diferente é transformar em realidade. Quando se está muito endividado ou o valor que sobra para investir é muito pequeno, a tendência da maioria é deixar para depois. Começamos a acreditar que é impossível sair do endividamento ou atingir a independência financeira.

Parte do problema é que a sociedade valoriza a realização imediata, ou seja, todo mundo espera resultados do dia para a noite.  É difícil ver o lado positivo de se abster de realizar um desejo hoje em prol de uma meta futura. Quase todo mundo já tentou começar a poupar, e desistiu para comprar aquele novo eletrônico que na verdade não precisava.

 Um passo de cada vez

O primeiro ponto a considerar é que não há atalhos. Lembrando a regra número 1, para acumular riqueza é preciso gastar menos do que se ganha. A segunda informação importante é considerar o poder dos juros compostos.

Me impressiono com o número enorme de pessoas que não tem idéia do estou falando. Juros compostos significa simplesmente que o rendimento de uma aplicação também rende. Ou seja se você aplicar R$100 por 12 meses a 0,5% ao mês você terá R$106,17 no final do período quando se considera-se um cenário de juros simples teria apenas R$106. A diferença deve-se ao efeito dos juros sobre o rendimento acumulado.

Isso serve para dizer que não apenas o valor que você investe, mas também o rendimento que se acumula trabalham a seu favor.

Infelizmente o mesmo vale para as dívidas de cartão de crédito, por exemplo, o valor que você deixa de pagar seja ele principal ou juros será base de cálculo dos juros no mês subsequente.

O outro fator importante é de ordem psicológica. O mais difícil em qualquer coisa é começar. Não importa se você tem R$100 ou R$1.000 ou ainda R$10.000 para investir, sempre vai haver uma oportunidade de consumo para te desviar do caminho. O importante é criar a disciplina de investir e para isso não importa o valor que você começar.

Com o tempo e com o crescimento do patrimônio,  eu passei a achar menos penoso adiar o consumo. 

Futuro incerto

Não ter dívidas e ter algum investimento é também uma trânquilidade. Ninguém passa o tempo esperando que o pior aconteça, é claro. Mas se perder o emprego ou adoecer já é desagradável só pela situação, imagine a dificuldade que uma pessoa sem reservas e com dívidas enfrenta numa situação dessas.

Fica o conselho de sempre, ataque as dívidas e construa um fundo de reserva.. Se você tem impulsos consumistas como eu, mentalize o meu mantra:

  1. Comprar somente coisas que eu realmente quero e preciso;
  2. Comprar coisas que eu uso;
  3. Comprar coisas de qualidade;
  4. Comprar coisas com desconto;
  5. Comprar coisas que eu posso pagar!

Duas abordagens para eliminar dívidas

fevereiro 4th, 2010

É muito bom ter as dívidas sob controle. O melhor ainda é não ter nenhuma dívida. No momento, temos apenas o financiamento imobiliário (com juros de 8,66% ao ano)  que pretendemos liquidar o mais rapidamente possível.

Mas não vou me esquecer das horas de sono que perdi quando praticamente tudo o que eu ganhava já estava comprometido com algum gasto anterior, seja no cartão de crédito, seja um cheque pré-datado ou um empréstimo pessoal. Eu nunca tive problemas com o cartão de crédito, mas em determinado momento meu saldo total entre empréstimo pessoal, financiamento do carro e fatura mensal do cartão de crédito era assustador. Eu estava vivendo de um mês para outro, quase como naquela expressão de vendendo o jantar para pagar o almoço.

Com a ajuda do meu marido e bastante disciplina, liquidamos todas as dívidas e mudamos do aluguel para a casa própria. Desde então venho tentando me educar em relação as finanças pessoais e percebi que muitas pessoas vivem na mesma situação em que eu já estive.

Basicamente, identifiquei duas recomendações para atacar o endividamento:

Pague as dívidas de juro mais alto primeiro.

Por exemplo, se você tem uma dívida com o cartão de crédito com juros de 12% ao mês e outra com crédito pessoal de 4% ao mês, foque seus esforços para eliminar o cartão de crédito primeiro.

Essa matemática faz todo sentido. Você vai pagar menos em juros se eliminar a dívida de juro mais alto primeiro. Se possível, renegocie suas dívidas junto a instituição financeira.

No entanto, esse método pode não funcionar para todo mundo. 

Método da bola de neve

No método da bola de neve proposto por Dave Ramsey, você ignora a questão da taxa de juros e organiza as suas dívidas em ordem crescente, do menor para o maior saldo.

Se possível, você faz o pagamento mínimo de todas as dívidas e todo o dinheiro que sobrar destina para a dívida de menor saldo. Qual o resultado?

O impacto é basicamente psicológico, se você usar a abordagem da bola de neve você terá vitórias intermediárias. Ou seja, vai eliminar dívidas mais rapidamente pois estará concentrando os esforços para pagar as de menor saldo em primeiro lugar.

Não se engane, no final o método da bola de neve levará a um pagamento maior de juros. No entanto, talvez a satisfação de riscar dívidas da lista seja o que você precisa para manter a disciplina e sair do endividamento.

Moral da história: Faça o que der certo para você!