Archive for agosto \22\UTC 2009

Tempo é dinheiro

agosto 22nd, 2009

Todo mundo já ouviu pelo menos uma vez o ditado de que tempo é dinheiro. De certa forma é verdade, se eu tivesse mais tempo poderia adotar outra atividade remunerada como lecionar, ou empreender um negócio paralelo, o que provavelmente significaria mais dinheiro.

Na verdade, eu provavelmente usaria qualquer tempo livre adicional para buscar o equilíbrio entre os diversos papéis da minha vida. Assim, eu não acredito que tempo seja apenas dinheiro, com certeza, o tempo é bem mais valioso que o dinheiro.

Na última edição da Você S.A., Gustavo Gerbasi e Christian Barbosa apresentam seu trabalho conjunto que resultou no livro Mais Tempo e Mais Dinheiro. De acordo com os autores, existem três ciclos na vida das pessoas: frustração, sobrevivência e prosperidade.

A revista traz ainda um teste para você determinar em qual ciclo se encontra.

Algumas características dos ciclos:

  1. Ciclo de frustração: queda na qualidade de vida, de produtividade e das finanças; aumento do nível do estresse; dificuldade para definir prioridades e metas; falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal; sensação de estar deixando coisas importantes para trás; revolta em relação a sua condição de vida; dificuldade de tomar decisões e fazer escolhas; dificuldade de planejar no curto, médio e longo prazo; sensação de tristeza ao ir para o trabalho.
  2. Ciclo de sobrevivência: dificuldade para definir o que é importante; ausência de reservas financeiras; resistência a mudanças; falta de grandes aspirações; falta de planejamento no curto, médio e longo prazos; sensação de vazio nos fins de semana por falta de trabalho; resignação em relação a projetos ambiciosos.
  3. Ciclo de prosperidade: controle do tempo e do dinheiro, com foco no que é importante; facilidade para tomar decisões; equilíbrio entre vida pessoal e profissional; Planejamento de carreira, vida e finanças, com metas e planos de ação definidos; uso consciente do dinheiro, com reservas para investimento; aumento perceptível do patrimônio;

Assim como na física, a inércia tende a nos manter no ciclo em que nos encontramos. No entanto, os autores indicam quatro passos para avançar nos ciclos:

  1. Descobrir o que é importante;
  2. Parar com o que não traz retorno;
  3. Planejar o equilíbrio; e
  4. Melhorar a qualidade do consumo.

Além disso, um segundo artigo na revista intitulado “Vire o jogo” traz um esquema bastante simples para melhorar o planejamento do tempo e das finanças. Eu estou experimentando com as sugestões para o planejamento do tempo, vamos ver se consigo migrar do ciclo de sobrevivência para o ciclo de prosperidade.

O que fazer com dinheiro inesperado?

agosto 19th, 2009

Dinheiro não dá em árvore, mas de vez em quando aparece inesperadamente como uma benção. Por exemplo, a restituição do imposto de renda que você já tinha esquecido, um aumento de salário maior que o esperado, um presente recebido ou ainda para os trabalhadores autônomos um mês de rendimento muito superior a média.

O que fazer com esse recurso inesperado? A minha tendência natural é gastar, é claro.. Mas essa não é a recomendação dos especialistas. Veja algumas dicas:

  1. Se não tens um fundo de emergência, invista os recursos em um investimento de baixo risco (poupança, fundos de renda fixa ou títulos do tesouro). Para mais informações sobre fundo de emergência, veja nosso artigo anterior.
  2. Se tens dívida sujeita a juros e encargos financeiros (cartão de crédito, cheque especial, financiamento do carro ou da casa), amortize o máximo possível;
  3. Se já tens um fundo de emergência e não tem dívidas, considere utilizar parte do recursos contra as suas metas de consumo futuros e outra parte para uma aquisição ou atividade que beneficie todos os membros da família (uma viagem de final de semana, por exemplo).

Recentemente, meu marido que é advogado e trabalha por conta própria recebeu uma boa notícia sobre um dos seus processos que de tão antigo e enrolado, não tinha sido incluído no orçamento de honorários previstos para 2009. Nosso plano para o dinheiro inesperado: quitar o financiamento do carro e investir a diferença para atingir a meta de investimento do ano de 2009.

O que você faria?

A fórmula do desastre financeiro

agosto 11th, 2009

Este é um artigo escrito por meu marido, Henrique, como convidado:

“Estes dias estava pensando a respeito de uma discussão que tive com minha esposa, após ler a introdução de um tópico sobre economia no blog que ela mantém.

Ela iniciou a frase dizendo que: “economia não necessariamente se aprende em casa”, o que eu discordo plenamente, mas isso não vem ao caso, para o que eu pretendo discutir nesse momento, o que seja: o que eu entendo como sendo a fórmula do desastre financeiro.

Bem, para minha conclusão eu me baseio nos princípios do equilíbrio da natureza, pois, senão vejamos: Na minha opinião, para algo dar certo e prosperar financeiramente falando, devemos encontra o equilíbrio, assim como na natureza, ou seja, não pode haver os extremos, como por exemplo dos gastos descontrolados, compulsivos e desnecessários, bem como não pode ocorrer o pão-durismo exacerbado, que priva qualquer tipo de conforto e bem estar, em nome da segurança financeira.

Levando o meu raciocínio para o casamento, tenho como a fórmula do desastre financeiro a união de dois perdulários ou então a união de dois sovinas.

Por outro lado, ideal, como as estações bem definidas, tenho a união de pessoas sincronizadas que controlam os impulsos extremistas ora de um, ora de outro.

Entendam que o que estou tentando passar não é a idéia de que duas pessoas sejam elas perdulárias ou sovinas não possam ser felizes juntas, compartilhando seus sonhos, sem preocupação ou com preocupação excessiva sobre a saúde financeira do casal. Apenas quero passar a minha idéia de que essa união para o controle financeiro é um desastre.”

Armadilha de crédito

agosto 9th, 2009

Lidar com dinheiro não necessariamente se aprende em casa e, infelizmente, também não se ensina na escola. Algumas pessoas tem a sorte de ter em casa um exemplo de boa administração financeira seja porque seus pais tem sólidos hábitos ou porque a restrição da renda da família incentivou à adoção de um comportamento positivo no que diz respeito ao planejamento financeiro.

A maioria dos mortais no entanto aprende a administrar sua vida financeira através da tentativa e erro ao longo do caminho. No meu caso, minha família sempre incentivou todas as ações que pudessem me colocar numa situação de aumentar a minha renda. O foco sempre foi buscar qualificação ou empreender um novo negócio para aumentar as oportunidades profissionais. Por outro lado, nunca tivemos uma preocupação muito grande com poupança e também sempre utilizamos o crédito para satisfazer nossas necessidades e desejos sem considerar o real custo disso.

Na minha experiência, o erro mais difícil de superar foi o uso indiscriminado do crédito. Em perspectiva, tomei uma série de decisões infelizes que me colocaram numa situação bastante precária. Em 2005, eu estava de volta ao Brasil depois de uma riquíssima experiência profissional nos Estados Unidos e apesar da minha renda ser bastante razoável na época, eu acumulava uma dívida de aproximadamente R$50.000,00 entre financiamento do automóvel e crédito pessoal e tinha quase nenhuma reserva financeira.

O que me levou a essa situação, dificil de dizer, fora o carro, não consigo identificar nenhuma aquisição significativa que tenha me colocado nessa situação precária. Se pode dizer que a soma de um número significativo de pequenos erros de consumo, como por exemplo adquirir entre 6 e 10 livros por semana..

Em 2005 também aconteceu uma coisa muito importante que de certa forma é um divisor de águas. Meu marido, na época namorado, veio morar comigo. Desde então tenho aprendido muito. Hoje temos 2 dívidas apenas, o financiamento do apartamento que adquirimos em 2008 e o financiamento do carro que trocamos em 2007.

Porque eu não conseguia viver dentro da minha restrição de renda antes? Não há explicação racional, acho que como todo mundo eu olhava para a minha disponibilidade incluindo todos os limites de crédito que eu tinha. Hoje, no máximo, faço uma compra parcelada em poucas parcelas no cartão de crédito se não conseguir um desconto para pagamento a vista.

Tem sido um caminho árduo, sou ainda, em essência, um ser consumista.. É quase impossível entrar na liquidação da minha marca de calçados preferida ou num livraria e sair sem comprar nada.. Mas tenho tido sucesso na maioria das vezes, e quando cedo a tentação e compro alguma coisa, isso não causa um estrago nas minhas finanças me levando a usar crédito.

A mensagem que eu queria passar é: cuidado com a armadilha do crédito. Não é porque o seu banco lhe oferece um limite de crédito que você precisa usá-lo, ele não faz parte da sua disponibilidade financeira e vai te custar muito caro no longo prazo.

Além disso, também não vale a pena remoer os erros.. Se passou do limite nesse mês, investigue as causas, mude a sua atitude, e corra atrás do tempo perdido.. Ninguém é perfeito mesmo.

O preço da sua tranquilidade

agosto 5th, 2009

Em artigos anteriores, eu abordei a necessidade de criar um fundo de emergência para que as eventuais turbulências (conserto do carro, doença na família, etc) não nos desviem das nossas metas.

Mas ter dinheiro suficiente para ficar um ano sem trabalhar, estudar no exterior ou ainda abrir o próprio negócio é um pouco mais amplo do que um fundo de emergência e pode significar um alívio em momentos de crise.
Qual o preço da sua tranquilidade? Qual a reserva financeira que você precisa ter para sobreviver a crise atual sem perder o sono. Há no mínimo duas vantagens em ter uma reserva financeira adicional no momento. A primeira é permitir que você respire durante um certo tempo, caso você perca o seu emprego. A segunda é que você vai dormir melhor durante o período de crise sabendo que tem essa reserva financeira.
A Você S.A. de março de 2009 traz um artigo exatamente sobre o assunto. Segundo o artigo, a regra é basicamente a mesma para todas as faixas salariais. “Cortar todos os gastos que não sejam essenciais e tentar sobreviver com cerca de 30% ou 40% do seu salário bruto” (Sandra Nanci Biagioli Cesário, economista e professora da Unicid.
Como é usual desse tipo de conselho, o primeiro passo é o mesmo de sempre: fazer um planejamento detalhado. Colocar no papel tudo o que se ganha e gasta. O artigo ainda traz o exemplo inspirador de profissionais com rendas de R$2.500 a 7.000 que conseguiram poupar para atingir seus sonhos (ficar um ano sem trabalhar, abrir uma consultoria e estudar no Canadá).
O interessante também são as sugestões de investimentos para cada caso. Veja o resumo no quadro abaixo: